A mudança climática induzida pela ação humana é o principal fator por trás das temperaturas marítimas em máximas históricas na Europa, de acordo com análise divulgada pelo grupo World Weather Attribution (WWA).
“Isso tem potencial para remodelar completamente os ecossistemas de que dependem populações costeiras para renda e alimentação, e causar danos climáticos severos sobre a área terrestre também”, disse Claire Bergin, uma cientista especializada em clima da Universidade Maynooth, na Irlanda, e coautora do estudo. O levantamento se baseia em metodologia de revisão entre pares.
No mês passado, em meio à onda de calor que causou incêndios florestais em diferentes partes da Europa, como Espanha, França e Grécia, e a secas que afetaram rios importantes, como o Danúbio, a temperatura média no Mar Mediterrâneo ficou em 27°C, recorde para julho, segundo o estudo.
Ao largo da ilha de Mallorca, na Espanha, a temperatura chegou a 33°C no início de agosto. Mudanças induzidas pela ação humana acrescentaram dois graus Celsius de aquecimento marinho ao Mediterrâneo e em torno de 1,4°C aos mares da Europa Ocidental, segundo a análise do grupo de cientistas.
A análise conclui que os picos de temperatura registrados este ano no Mediterrâneo e na Baía de Biscaia, bem como no litoral Ibérico, teriam sido “virtualmente impossíveis” não fosse a ação humana indutora de mudança climática.
John Bruno, um ecologista marinho da Universidade da Carolina do Norte, diz que algumas espécies marinhas estão se deslocando para o norte em busca de águas mais frias, mas nem todas conseguem se adaptar. “Estamos rapidamente nos aproximando dos limites absolutos de adaptação para muitas espécies”, disse.










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