A possibilidade de uma redução das tensões no Médio Oriente deverá devolver o foco dos mercados à política monetária. Na Europa, a postura do BCE e a evolução da inflação podem prolongar o ambiente de taxas elevadas, enquanto as obrigações britânicas ganham atratividade face à dívida alemã.
Com a possibilidade de uma resolução para o conflito no Médio Oriente a tornar-se mais provável, a atenção dos mercados deverá começar a afastar-se da geopolítica e regressar aos fundamentos económicos. As taxas de juro, a inflação e a atuação dos bancos centrais deverão voltar a determinar o rumo das obrigações, num cenário que poderá favorecer alguns mercados europeus em detrimento de outros.
Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) surge como um dos principais focos dos investidores. Apesar do crescimento económico moderado da zona euro, a inflação subjacente continua a representar um obstáculo a uma política monetária mais expansionista.
Na sua reunião de 11 de junho, o BCE deu um sinal considerado mais restritivo. As projeções do banco central apontam para uma inflação subjacente acima do objetivo em todos os horizontes e cenários analisados, mesmo assumindo taxas de juro mais elevadas.
Para a Schroders, este sinal é relevante: embora as previsões do BCE possam não se concretizar, mostram que o banco central mantém uma posição restritiva até que os dados demonstrem o contrário.
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É neste contexto que a dívida alemã perde algum atrativo. A Schroders considera que as obrigações alemãs podem constituir uma oportunidade de venda quando combinadas com uma posição favorável às obrigações britânicas.
No Reino Unido, a perspetiva é mais positiva. A redução das preocupações com os preços da energia, à medida que aumenta a possibilidade de um acordo envolvendo o Irão, deverá diminuir a pressão sobre o Banco de Inglaterra. A gestora não espera novas subidas das taxas, apesar de algumas ainda estarem incorporadas nos preços de mercado.
A fraqueza do mercado de trabalho britânico e a melhoria gradual das pressões inflacionistas internas, nomeadamente nos salários e nos serviços, reforçam esta leitura.
A Austrália e o Canadá continuam também entre os mercados obrigacionistas preferidos da Schroders.
Inflação continua a ser o principal risco
Apesar de alguns sinais favoráveis, a inflação continua a limitar a margem de manobra dos bancos centrais. Na avaliação da Schroders, a inflação subjacente deverá permanecer relativamente estável, enquanto a inflação global poderá continuar acima dos 3%, a menos que os preços do petróleo regressem aos níveis anteriores ao conflito.
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A gestora identifica ainda pressões provenientes dos preços dos chips de memória, da tecnologia, das matérias-primas e das cadeias de abastecimento, fatores que poderão compensar parte da melhoria esperada durante o verão.
Os Estados Unidos entram igualmente nesta equação. A recuperação do mercado de trabalho norte-americano está a reduzir a probabilidade de cortes de juros pela Reserva Federal e a aumentar a possibilidade de uma política monetária mais restritiva. No entanto, a Schroders considera que o mercado já incorporou em grande medida essa mudança de expectativas.
Na alocação de ativos, a principal alteração passa pela neutralização da posição em crédito empresarial. Apesar de considerar as avaliações pouco atrativas, a gestora entende que um contexto macroeconómico relativamente benigno justifica uma posição neutra.
Mantém, por outro lado, uma preferência por dívida de mercados emergentes denominada em moedas fortes e por títulos hipotecários emitidos por agências norte-americanas.









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