As chamas aproximavam-se e fugir por terra deixou de ser uma opção. Cerca de 200 pessoas entraram no Mar Adriático durante a noite para escapar a um violento incêndio na costa da Croácia, numa das imagens mais dramáticas de uma vaga de fogos que está a atingir vários pontos da Europa. O balanço na região de Split é de pelo menos um morto e 36 feridos, sete dos quais em estado grave.
Segundo o Ministério do Mar, Transportes e Infraestruturas croata, equipas de emergência retiraram do mar cerca de 200 pessoas que tinham procurado refúgio na água perante o avanço das chamas. Os restos mortais de uma pessoa ainda não identificada foram encontrados numa das áreas devastadas pelo fogo.
Dez feridos encontram-se em cuidados intensivos e sete estarão em estado crítico, incluindo uma jovem de 17 anos. De acordo com o jornal croata ‘Jutarnji list’, algumas das vítimas sofreram queimaduras que atingem até 60% do corpo. Pelo menos outras dez pessoas necessitaram de assistência devido à inalação de fumo.
Mil hectares queimados e milhares de pessoas retiradas
O incêndio começou na noite de quinta-feira numa zona turística cerca de 25 quilómetros a sul de Split e avançou pelo litoral entre Lokva Rogoznica e Omis, alimentado pelo vento.
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Mais de 280 bombeiros, apoiados por 93 veículos e quatro aeronaves, foram mobilizados. As chamas terão consumido aproximadamente mil hectares de vegetação e destruído ou danificado dezenas de casas, automóveis, embarcações e infraestruturas da rede elétrica.
A dimensão da ameaça obrigou ainda ao encerramento da estrada Adriática, uma das principais vias turísticas da costa croata.
“Foi uma noite extremamente difícil”, descreveu Višeslav Pešić, responsável dos bombeiros, citado pela agência croata ‘Hina’. Apesar de o incêndio ter sido controlado, permaneciam focos ativos e as equipas continuavam no terreno.
O primeiro-ministro croata, Andrej Plenković, revelou que se encontravam na região atingida cerca de 15 mil residentes e 12 mil turistas. Pelo menos 2.500 pessoas foram retiradas de forma organizada, enquanto muitas outras abandonaram a zona pelos próprios meios.
“Este foi um dos piores incêndios que enfrentámos nos últimos anos”, reconheceu o chefe do Governo.
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As autoridades investigam agora as causas do fogo, não estando afastada a hipótese de origem criminosa. Outro incêndio deflagrou entretanto em Trogir, a norte de Split, enquanto as equipas continuavam a combater chamas na península de Pelješac, cerca de 70 quilómetros a norte de Dubrovnik.
Na Grécia, uma parede de fogo empurrou turistas para o mar
A Croácia está longe de ser o único país a enfrentar uma situação extrema. Na Grécia, centenas de turistas também tiveram de procurar segurança junto ao mar quando um incêndio avançou pela península de Halkidiki, a sul de Salónica.
Segundo a ‘Euronews’, uma frente de fogo com cerca de três quilómetros e chamas que chegaram aos 30 metros de altura aproximou-se das estâncias turísticas de Siviri e Fourka.
Perante o risco de uma retirada por estrada, cerca de 500 turistas foram encaminhados para pequenas embarcações, navios da guarda costeira e meios dos bombeiros. Aproximadamente 200 acabaram transportados para um navio fundeado ao largo.
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Em terra, a tentativa de fuga provocou congestionamentos, enquanto moradores e turistas procuravam uma saída junto às praias.
“Estamos na praia à procura de uma forma de sair daqui”, contou à AFP uma residente, Sophia, quando as chamas já tinham alcançado casas da localidade.
Mais de 200 bombeiros, apoiados por aviões e helicópteros, combateram o incêndio. Dois elementos das equipas de socorro foram hospitalizados e as autoridades chegaram a proibir o acesso aos pinhais, perante previsões de rajadas de vento até 100 km/h.
França e Reino Unido também combatem incêndios
A pressão estende-se a outras regiões europeias. Em França, quatro departamentos foram colocados no nível máximo de alerta para incêndios florestais, numa altura em que a Météo France considera muito elevado o risco de ignição e propagação das chamas.
No Aude, perto de Carcassonne, os bombeiros conseguiram dominar um incêndio depois de protegerem 73 habitações. Outro fogo permanecia ativo em Pas-de-Calais.
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As autoridades francesas investigam ainda um incêndio ocorrido em julho junto ao aeroporto de Bordéus, no qual morreram dois bombeiros. Um adolescente de 15 anos foi colocado sob investigação formal e encontra-se detido num centro de menores.
Também em Inglaterra, um incêndio com vários focos atingiu uma zona residencial próxima de Stourbridge, nos West Midlands, danificando pelo menos seis casas e obrigando à retirada de moradores. Três bombeiros e uma criança foram hospitalizados e outras seis pessoas receberam assistência por inalação de fumo.
O comandante dos bombeiros dos West Midlands, Simon Tuhill, classificou a ocorrência como “um dos incidentes mais significativos” enfrentados pelo serviço e apontou as condições de “seca extrema” como um dos fatores que favoreceram a rápida propagação.
Com quase três quartos de Inglaterra em situação de seca e vários países mediterrânicos sob temperaturas elevadas, a sucessão de incêndios volta a colocar sob pressão os sistemas europeus de combate ao fogo. Na Croácia e na Grécia, porém, a dimensão dessa ameaça ficou resumida numa imagem particularmente dramática: pessoas a abandonarem terra firme e a entrarem no mar porque, durante algumas horas, a água se tornou o lugar mais seguro para escapar às chamas.










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