A recente onda de calor na Europa causou mais de 16 000 mortes acima do esperado durante a última semana de Junho. O fenómeno atingiu com particular violência o noroeste europeu, revelam os dados da rede de monitorização EuroMOMO
De acordo com o relatório agora divulgado, os países do centro e norte do continente europeu registaram a esmagadora maioria dos óbitos. Com efeito, nações como a França, a Bélgica e a Alemanha enfrentaram valores térmicos muito acima das médias históricas.
Por outro lado, a falta de preparação estrutural para lidar com temperaturas extremas agravou fortemente o cenário nestes territórios. As habitações locais retêm muito calor e a climatização artificial continua a ser escassa na região.
O impacto trágico no noroeste do continente
Contudo, o contraste geográfico dentro do continente revelou-se flagrante durante estes sete dias críticos. Enquanto as temperaturas superaram os 38 graus Celsius em várias capitais, a mortalidade subiu de forma abrupta sobretudo a norte.
Em contrapartida, as nações do sul europeu, como Portugal, Espanha e Itália, demonstraram maior resiliência aos picos de temperatura. Conforme a informação recolhida pel’O Regiões, estes países possuem hábitos seculares e infra-estruturas mais adaptadas ao calor intenso.
Desta forma, cidades como Paris ou Liège viram os seus serviços de socorro entrar rapidamente em ruptura. Em paralelo, cidades do sul como Sevilha ou Florença suportaram melhor o mesmo fenómeno meteorológico adverso.
A escassez de climatização e o risco urbano
Além disso, a taxa de penetração de ar condicionado no noroeste europeu permanece historicamente muito reduzida. Este factor técnico converteu os apartamentos convencionais em autênticas armadilhas térmicas para a população idosa.
Assim, o debate político sobre a instalação de sistemas de arrefecimento ganhou nova urgência no parlamento francês e alemão. Especialistas alertam que o desenho arquitectónico destas metrópoles foi concebido exclusivamente para reter calor durante os Invernos rigorosos.
Comparação histórica supera recordes de Inverno
Habitualmente, os maiores picos de excesso de mortalidade ocorrem durante os meses frios devido a vírus respiratórios sazonais. Todavia, a mortalidade verificada nesta onda de calor na Europa ultrapassou qualquer semana do último Inverno continental.
Importa recordar que tragédias com esta dimensão constituem episódios raros na história recente do continente europeu. Em 2003, um fenómeno semelhante ceifou dezenas de milhares de vidas em solo francês e espanhol.
Mais recentemente, em Julho de 2022, outro episódio extremo provocou cerca de 16 000 vítimas mortais no espaço de sete dias. Nessa altura, o sul da Europa foi o sector mais sacrificado pelo termómetro, com Espanha a registar quase 46 graus Celsius.
Alterações climáticas exigem acção rápida
Cientistas e meteorologistas confirmam que o passado mês de Junho foi o mais quente de sempre na Europa Ocidental. Deste modo, os especialistas em saúde pública avisam que as alterações climáticas tornarão estes eventos mais frequentes e severos.
Por conseguinte, a rede EuroMOMO continuará a recolher os dados actualizados junto de 23 países parceiros para consolidar a investigação. A prioridade imediata dos governos passa agora por reformular os planos de contingência para as próximas semanas estivais.










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