A Berkshire Hathaway, conglomerado controlado por Warren Buffett, publicou neste sábado (8) o balanço referente ao segundo trimestre de 2026, indicando que manteve uma exposição relevante ao setor de petróleo, mas também acendeu um alerta sobre o impacto de guerras e conflitos geopolíticos em seus resultados. O relatório mostra que a companhia segue priorizando liquidez e recompra de ações, mesmo diante de um cenário macroeconômico marcado por tarifas e incertezas sobre o comércio global.
No documento, a holding destaca que conflitos macroeconômicos e geopolíticos — incluindo guerras —, além de mudanças nas políticas comerciais e tarifas, podem afetar seus negócios e investimentos. A empresa admite que ainda existe “considerável incerteza” sobre os efeitos desses eventos sobre seus ativos, o que reforça a postura defensiva adotada pelo grupo nos últimos trimestres.
Exposição concentrada na Occidental Petroleum e na OxyChem
A exposição ao petróleo aparece principalmente na relação com a Occidental Petroleum. Em janeiro, a Berkshire concluiu a compra da OxyChem, divisão de produtos químicos da Occidental, por aproximadamente US$ 9,4 bilhões. A unidade produz insumos químicos básicos utilizados em segmentos como tratamento de água, farmacêutico, saúde e construção, ampliando a integração da holding com a cadeia de energia.
Essa aquisição reforça o posicionamento de longo prazo da Berkshire em ativos ligados a commodities, ao mesmo tempo em que diversifica a fonte de receitas com a adição de um negócio químico. A aposta na Occidental, entretanto, expõe o portfólio à volatilidade dos preços do petróleo e a possíveis rupturas na oferta global, o que justifica a menção a riscos de guerras no relatório.
Riscos geopolíticos, tarifas e a incerteza sobre os ativos
O alerta sobre guerras e conflitos não é trivial. A Berkshire afirma que mudanças nas políticas comerciais e tarifárias também podem afetar seus negócios, em um cenário de fragmentação econômica global. A companhia ressalta que a extensão desses impactos ainda é incerta, o que pode levar a ajustes em valuations de ativos e a uma gestão de caixa mais conservadora.
Analistas acompanham de perto o tom do comunicado, pois ele indica que a holding está preparada para cenários de estresse geopolítico. O setor de energia é particularmente sensível a esse tipo de evento, já que guerras podem afetar a logística, as sanções e o equilíbrio entre oferta e demanda, com efeitos diretos sobre a rentabilidade da Occidental.
Liquidez como escudo e recompra de ações no radar
Apesar da ausência de guidance, a Berkshire reforça que a solidez financeira e a manutenção de ampla liquidez continuarão sendo prioridades. A companhia também mantém aberta a possibilidade de recomprar ações classe A e classe B quando considerar que estão abaixo de seu valor intrínseco, desde que as operações não reduzam as reservas de caixa e de Treasuries para menos de US$ 30 bilhões.
Esse piso de liquidez sinaliza um compromisso com a preservação de capital em momentos de turbulência. No segundo trimestre, o lucro por ação classe B mais que dobrou, acompanhando o avanço do lucro líquido atribuível aos acionistas — um movimento que reforça a capacidade da holding de gerar caixa mesmo em um ambiente de incertezas.











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