Disputas geopolíticas e conflitos armados funcionam como choques na economia global, elevando os preços de itens básicos como alimentos e combustíveis. O fenômeno ocorre porque regiões estratégicas param de produzir ou escoar insumos essenciais, forçando a alta do dólar e da inflação no Brasil.

Por que o conflito entre Rússia e Ucrânia encareceu produtos no Brasil?

A guerra atingiu em cheio a oferta de energia e alimentos. A Rússia é uma grande exportadora de gás natural e petróleo, enquanto a Ucrânia é um celeiro de grãos. Quando a produção e o transporte desses itens são interrompidos, o preço mundial sobe. Como o Brasil depende de fertilizantes e combustíveis importados, esse custo extra é repassado para o consumidor final nas prateleiras dos supermercados.

O que é o chamado choque de oferta e como ele gera inflação?

O choque de oferta acontece quando algo impede que um produto chegue ao mercado, como uma guerra fechando uma rota marinha. Com menos mercadoria disponível ou custos de transporte mais altos, o preço sobe. É uma inflação causada pelo custo de produção e não pelo excesso de pessoas comprando. Isso afeta desde a conta de luz, que usa gás e carvão, até o preço do pão, que depende do trigo internacional.

Qual é o impacto da alta do dólar nesses momentos de crise?

Em tempos de incerteza, investidores retiram dinheiro de países como o Brasil e buscam segurança nos Estados Unidos. Esse movimento de ‘fuga para a qualidade’ valoriza o dólar. Como o petróleo, os eletrônicos e as commodities são cotados na moeda americana, o impacto no bolso do brasileiro é dobrado: o produto já está mais caro lá fora por causa da guerra e fica ainda mais caro aqui devido ao real desvalorizado.