Lula e Xi Jinping criticam inércia da ONU diante de guerras e conflitos atuais e defendem acordos para fortalecer Brasil e China frente a “tarifaços” – RSM


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente chinês, Xi Jinping, conversaram por telefone durante pouco mais de uma hora, conforme comunicado oficial do governo brasileiro, e trataram de questões estratégicas para ambos os países, como inteligência artificial, satélites, minerais críticos e fertilizantes e os atuais conflitos em andamento que polarizam grandes potências no cenário geopolítico global.

Os dois líderes criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) de impedir as atuais crises internacionais, com destaque para as guerras da Rússia contra a Ucrânia, e no Oriente Médio, a guerra dos Estados Unidos contra o Irã, que causou os bloqueios aos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, gerando “efeitos nefastos sobre a economia global”.

A situação humanitária em Gaza, que foi destruída por ataques israelenses, também esteve na pauta da conversa.

Crise na ONU

As críticas dos dois lideres à atuação da ONU ocorrem em meio a uma crise profunda vivida pela entidade internacional. Seis candidatos disputam a sucessão de António Guterres no cargo de secretário-geral, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro de 2026.

Além de lidar com um número crescente de conflitos internacionais e com sucessivas violações do direito internacional, o próximo secretário-geral da ONU terá de enfrentar uma grave crise financeira, desencadeada pela redução das contribuições de grandes doadores da entidade.

Os Estados Unidos, maior mantenedor da ONU, contribui com 22% do orçamento geral da entidade e cerca de 26% no orçamento destinado às ações de paz. Cerca de US$ 4 bilhões estão atrasados em pagamentos do país.

O presidente norte-americano Donald Trump frequentemente critica a ineficácia da ONU em resolver conflitos globais e por outras questões, como a posição sobre as mudanças climáticas e a transição energética.

Acordo Mercosul-China

Segundo o comunicado do governo brasileiro, Lula e Xi se comprometeram em acelerar as tratativas para um acordo comercial entre o Mercosul e a China, que é visto como uma oportunidade de fortalecer a economia brasileira diante da instabilidade das relações comerciais com os Estados Unidos, provocada por sucessivos tarifaços determinados pelo presidente Donald Trump.

Destacamos também os bons resultados do comércio bilateral, bem como o impacto positivo das jornadas culturais em curso este ano nos dois países e do acordo para isenção de vistos de curta duração. Essas iniciativas vão ampliar o fluxo de turistas e as oportunidades de negócio“, publicou Lula na rede social X.

Repúdio a interferências

Conforme informou a agência chinesa Xinhua, o líder chinês concorda que Brasil e China devem promover conjuntamente o desenvolvimento de alta qualidade de uma cooperação mais ampla no âmbito do BRICS (bloco econômico de países emergentes), e “traçar o rumo certo para a cooperação, manter o ímpeto da unidade, gerar mais resultados e escrever um novo capítulo de solidariedade e autossuficiência para o Sul Global“.

Xi Jinping também afirmou que “valoriza muito o status internacional e a influência importante do Brasil“, e apoia o país na defesa de sua soberania e independência, na oposição a interferências externas e na contribuição para a manutenção da paz e da estabilidade regionais e mundiais.

Brasil é principal parceiro da China

O Brasil fortaleceu seu papel nos últimos anos como o país que mais recebe investimentos da China, com um volume avaliado de US$ 6,1 bilhões no último ano (cerca de R$ 30,13 milhões), segundo relatório divulgado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). É o maior valor desde o ano de 2017, e um crescimento de 45% em relação a 2024.

Em destaque estão os setores de energiamineração e mobilidade elétrica — este último, impulsionado por marcas como a BYD e a GWM Brasil, fabricantes de veículos elétricos que já se instalaram no país e vêm ganhando fatias significativas do mercado automotivo.



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