Dois dias depois de Donald Trump anunciar um acordo que prevê o desarmamento do grupo terrorista Hamas, um ataque israelita com aviões de combate deixou uma cratera numa unidade de saúde na região central da Faixa de Gaza, o hospital dos Mártires de Al-Aqsa, em Deir al-Balah. A cratera provocada pelo ataque tem mais de 20 metros de profundidade.
O bombardeamento terá eliminado dois depósitos com bens médicos, como soluções intravenosas, medicamentos e materiais utilizados em departamentos vitais, incluindo diálise e cuidados intensivos, disse um porta-voz do hospital à “Anadolu”, agência estatal de notícias da Turquia. Outra fonte ouvida pela agência turca referiu que, nas proximidades, dezenas de tendas, que albergavam pessoas deslocadas, foram queimadas. Vários palestinianos ficaram, assim, ao relento, sem saber para onde ir.
A “Al Jazeera”, empresa de comunicação do Catar, noticia que o Exército israelita emitiu uma ordem de evacuação 15 minutos antes de atacar as instalações, tendo o bombardeamento gerado pânico entre os pacientes e os moradores das imediações do hospital.
O Ministério da Saúde de Gaza condenou o que definiu como um ataque israelita “direto e sistemático”. E acrescentou: “A força destrutiva dos mísseis utilizados arruinou completamente dois dos quatro armazéns no local alvo e causou grandes danos aos outros dois”.
Ficou ainda gravemente comprometido o edifício da clínica de ambulatório adjacente ao hospital. A direção do hospital dos Mártires de Al-Aqsa alertou para a gravidade das consequências da destruição gerada para os serviços de saúde, sobretudo no contexto da escassez aguda de medicamentos e materiais médicos.
A “CNN Brasil” conta que várias pessoas foram encontradas a procurar materiais perdidos na grande cratera, como soro intravenoso, tubos de respiração, máscaras cirúrgicas e algodão, soterrados entre os escombros.
O Ministério da Saúde de Gaza acusa Israel de continuar a destruir o que resta do sistema de saúde da região, restringindo a entrada de medicamentos e material médico e impedindo milhares de doentes e feridos de viajar para o estrangeiro em busca de tratamento.
O hospital Al-Aqsa é uma das poucas instalações no centro de Gaza que ainda consegue receber um grande número de doentes. Trata-se da principal opção para as famílias deslocadas.
O Exército israelita e respetiva agência de segurança, Shin Bet, adiantaram ter destruído cinco depósitos de armas do Hamas em Gaza durante a noite, um dos quais perto do hospital Al-Aqsa.
O Ministério da Saúde de Gaza garante que sete pessoas foram mortas e 76 ficaram feridas em todo o território nas últimas 48 horas, o que eleva o número de mortos desde o início do cessar-fogo para 1222, e o número total de mortes desde outubro de 2023 para 73.349 (de acordo com as autoridades de Gaza ainda lideradas pelo Hamas).
Um porta-voz do hospital atacado alertou, em declarações à agência “Anadolu” que “atacar as instalações de saúde contraria as normas do direito internacional humanitário e as Convenções de Genebra, que estipulam a proteção das instalações médicas durante os conflitos”.
Na região de Sheikh Radwan, na parte central da Faixa de Gaza, num outro ataque aéreo israelita, também neste sábado, matou dois palestinianos. Os militares anunciaram que os alvos eram membros do Hamas, sem fornecer mais detalhes.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na manhã de sexta-feira que tinha sido alcançado um acordo para o desarmamento completo do Hamas e de outros grupos armados em Gaza, estando as forças israelitas programadas para retirar-se, por fases. Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel, mantém o silêncio; ainda não se posicionou sobre o tema.










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