Dólar sobe após trégua no Oriente Médio, com queda do petróleo e pressão sobre o real


O dólar à vista (FX:USDBRL) encerrou a segunda-feira (27/07) em alta de 0,62%, cotado a R$ 5,1122, refletindo um movimento de fortalecimento da moeda norte-americana frente ao real. Apesar de o ambiente internacional ter sido marcado por uma trégua temporária nas tensões entre Estados Unidos e Irã, o real acabou registrando o pior desempenho entre as moedas de países emergentes. O avanço da divisa ocorreu em sintonia com o comportamento do mercado externo, enquanto investidores seguiram ajustando posições diante das incertezas geopolíticas e dos reflexos sobre os ativos globais.

O principal vetor para o mercado de câmbio brasileiro foi a mudança de percepção sobre o cenário geopolítico. A interrupção dos ataques entre Estados Unidos e Irã reduziu os prêmios de risco globais e provocou uma forte queda nos preços do petróleo. O movimento diminuiu a demanda por ativos ligados à commodity e contribuiu para pressionar moedas de países emergentes, como o real. Ao mesmo tempo, as declarações do presidente norte-americano Donald Trump, indicando que ainda existe espaço para uma solução diplomática, mas sem descartar uma retomada das ações militares caso as negociações fracassem, mantiveram os investidores em estado de atenção ao longo do pregão.

No exterior, o desempenho da moeda norte-americana também refletiu a cautela dos investidores. O índice DXY (CCOM:DXY), que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis importantes moedas internacionais, avançava 0,04%, para 101,506 pontos, no fim da tarde. Embora a trégua no Oriente Médio tenha reduzido parte da aversão ao risco, o mercado permaneceu atento à possibilidade de novas mudanças no cenário diplomático, o que limitou movimentos mais intensos nas moedas globais e manteve o dólar relativamente fortalecido frente aos seus principais pares.

No mercado de derivativos da bolsa de valores brasileira, os contratos futuros de dólar (BMF:DOLFUT | BMF:WDOFUT) acompanharam a valorização do dólar à vista durante a sessão. Os vencimentos mais longos mantiveram um comportamento semelhante ao mercado à vista, porém com oscilações ligeiramente superiores, refletindo o prêmio de risco incorporado pelos investidores diante das incertezas sobre o cenário internacional e a expectativa para os próximos meses. Esse diferencial entre os contratos futuros e o dólar à vista demonstra que os participantes do mercado seguem protegendo posições e precificando possíveis mudanças no ambiente econômico e geopolítico.

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