EUA e Israel planeiam novos ataques ao Irão, enquanto rotas marítimas são alvo de tensões


Antecipa-se nova escalada no Médio Oriente, com os Estados Unidos da América (EUA) e Israel a planearem novos ataques contra o Irão, segundo avançou esta sexta-feira a “CBS News”. Em cima da mesa estão bombardeamentos contra alvos da infraestrutura energética iraniana, com a possibilidade de ataques durante o fim de semana.

“Vamos atingi-los com muita força. A dada altura, vão dizer ‘já não aguentamos mais’”, disse o Presidente americano Donald Trump num encontro em Camp David, em frente a jornalistas.

A avançar — dado que a emissora relata que Trump ainda não deu as ordens finais para os ataques — uma operação conjunta representaria o regresso de Israel às operações de combate contra o Irão, após o último memorando de entendimento (que entretanto falhou) entre Washington e Teerão. Mas um oficial israelita disse à CBS News que não houve qualquer pedido a Israel para se juntar a ações militares contra o Irão.

Segundo o “Axios”, um oficial de segurança iraniano afirmou à agência Tasnim que ataques americanos seriam “um ato de loucura”. “Preparámos um plano de resposta alargado que inclui ataques contra a infraestrutura crítica do regime zionista e infraestrutura energética americana na região, e estamos totalmente preparados para o concretizar”, afirmou.

Mas após meses de conflito sem um desfecho à vista, a administração de Trump ainda entende que tem hipóteses de ganhar. “Os Estados Unidos vão vencer e o Irão não terá uma arma nuclear enquanto ele [Trump] estiver no comando”, afirmou a porta-voz da Casa Branca Karoline Leavitt, citada pelo “The Washington Post”.

Kuwait interceta ataques, petroleiro atingido ao largo de Omã

Entretanto, as defesas aéreas do Kuwait intercetaram ataques de drones esta manhã “após agressão iraniana”, citou a CNN internacional, embora ainda não se saiba quais eram os alvos. E a Lusa noticiou que um petroleiro foi atingido este sábado por um “projétil não identificado” ao largo da cidade costeira de Limah, em Omã, localizada na entrada do Estreito de Ormuz, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO. O projétil “não identificado” causou danos na sala das máquinas mas não se registaram vítimas.

Este sábado, o Irão avisou que vai reforçar as restrições de circulação no Estreito, dizendo que “a continuação do bloqueio naval e da escalada bélica por parte do regime norte-americano reforçará o encerramento do estreito de Ormuz e provocará também o encerramento de outros estreitos e pontos de estrangulamento”, cita a agência Lusa. O alerta foi dado pelo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohamad Bagher Zolgadr. As ameaças não ficaram por aí.

O comandante do Quartel-General Central Jatam al Anbiya, o general-de-divisão Ali Abdolahi, recomendou aos países do Médio Oriente que reconsiderem a sua colaboração com os EUA. “Qualquer país que se torne o escudo defensivo dos Estados Unidos, um país criminoso e agressor, arderá no fogo da guerra”, disse.

Mas o Estreito de Ormuz, que voltou a ser bloqueado pelo Irão após o reinício das hostilidades com Washington a 7 de julho, não é o única rota marítima onde se enfrentam riscos. Os rebeldes huthis do Iémen, apoiados pelo Irão, afirmaram que oito petroleiros sauditas tiveram de desviar a sua rota do Estreito de Bab al Mandeb, mudando de rumo para o Cabo da Boa Esperança devido ao bloqueio marítimo imposto pelo grupo no Mar Vermelho.

Segundo a Lusa, o porta-voz militar huthi Yahya Sarea afirmou na sexta-feira à noite em comunicado que os desvios fazem parte da estratégia de “bloqueio por bloqueio”, que consiste em atacar o comércio marítimo saudita em resposta ao que descrevem como um bloqueio imposto nas áreas que controlam.

Este artigo sofreu alterações às 12h45, para incluir o anúncio de mais restrições iranianas à circulação no Estreito de Ormuz.



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