Para que esta solução fosse possível, Teerão e Muscat mantiveram as reuniões os Estados Unidos longe, apesar das repetidas tentativas de interferência do Presidente Donald Trump, que foi repetindo nos últimos dias que Washington estava a liderar as conversas.
Sabe-se agora que iranianos e omanitas se entenderam quando às rotas que os navios que chegam ou partem do Golfo Pérsico, deixando à parte iraniana uma fatia de leão na gestão do Estreito de Ormuz, uma das artérias vitais da economia planetária.
Fechado há mais de cinco meses, logo após o ataque traiçoeiro da coligação israelo-americana, quando decorriam negociações entre Washington e Teerão, a 28 de Fevereiro, no qual morreu o Líder Supremo do Irão, aiatola Ali Khamenei, o Estreito de Ormuz tem agora uma boa possibilidade de voltar a ser transitável sem riscos para as embarcações.
Isto, porque, segundo está a avançar nesta manhã de quinta-feira, 06, a imprensa iraniana, apesar de haver um entendimento com Omã, isso não significa que a via seja reaberta de imediato.
De acordo com Esmael Baghaei, porta-voz do Ministério das Negócios Estrangeiros iraniano, os dois países concordaram na definição das rotas de entrada e saída do Golfo, com duas vias bem definidas, uma,a de entrada, a norte do Estreito, junto à costa iraniana, e a outra a sul, a de saída, próximo da costa de Omã.
Com este entendimento, que o Irão tem vindo a sublinhar que não seria possível sem que Teerão mantivesse o controlo apertado sobre as embarcações que entram no Golfo Pérsico, não apenas para poder cobrar uma taxa, ainda a ser moldada na sua forma, mas especialmente porque os navios não podem transportar armas para os países da região.
Apesar de um acordo entre Teerão e Muscat ser fundamental para a abertura de Ormuz, Teerão admite que os Estados Unidos ainda podem estragar este compromisso que só foi possível porque ambos os países mantiveram Washington de fora.
Isto, embora seja claro que Omã não faria parte deste acordo se não mantivesse o seu aliado norte-americano informado do seu decurso, o que é, segundo alguns analistas, a razão pela qual Donald Trump tem estado a dizer que os EUA fazem parte das negociações.
Outro factor que gera incerteza quanto ao desfecho deste processo negocial é que o Irão tem determinado que a reabertura de Ormuz depende integralmente de os EUA levantarem o bloqueio naval aos seus portos, além de exigir que o previamente acordado no Memorando de Entendimento de 15 de Junho seja cumprido.
Nesse documento (ver links em baixo) os EUA comprometeram-se com o levantamento das sanções ao Irão que duram há décadas, a devolução dos valores congelados no exterior, mais de 90 mil milhões USD, segundo algumas fontes, ou ainda, no campo económico, a livre venda de petróleo iraniano no mundo.
Já no campo político, ainda há muito trabalho pela frente para que o Estreito de Ormuz fique totalmente aberto, sem condicionalismos de calendário, como agora se propõe, por dois a quatro meses, como, por exemplo, o fim da guerra no Líbano e da invasão israelita, a garantia de que o Irão não volta a ser atacado por EUA e Israel, o que só pode ser assegurado com a saída dos americanos das suas bases nos países árabes do Golfo…
Ao longo dos últimos meses, os iranianos têm insistido em assegurar algum tipo de controlo sobre o Estreito de Ormuz que não detinham antes da guerra, tratando-se de uma via navegável internacional aberta.
Ainda na terça-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmava que o Estreito de Ormuz iria reabrir “muito em breve” e que um acordo poderia surgir até à próxima quinta-feira.
“Estamos a ter discussões muito boas”, declarou esta terça-feira durante uma deslocação à Califórnia, garantindo que Teerão pretendia chegar a um acordo, embora, segundo vários analistas, tais declarações resultam das comunicações entre Omã e EUA e não da presença de norte-americanos nas negociações entre Teerão e Muscat.
Recorde-se que a reabertura do Estreito de Ormuz é fundamental para Donald Trump, apertado como está com o caos da economia global provocada pelo fecho desta passagem estratégica entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico.
Isso porque com o aproximar das eleições intercalares de Novembro, onde a generalidade das sondagens aponta para um derrota histórica do seu Partido Republicano, que pode ficar sem as maiorias nas duas câmaras do Congresso, Representantes e Senado, Trump tem de normalizar a economia e isso só pode ser feito puxando o preço do petróleo para valores pré-conflito.
Conflito que os EUA e Israel provocaram, que resultou no fecho de Ormuz, passagem que era livre antes do ataque destes dois países de 28 de Fevereiro, e que levou depois, já durante o mês de Julho, os Houthis do Iémen a fechar parcialmente o igualmente estratégico Estreito de Bab al-Mandab, entre o Mar Vermelho/Canal do Suez e o Oceano Índico.
Para Donald Trump é fundamental apagar este falhanço estratégico histórico, que muitos analistas, como John Mearsheimer, professor da Universidade de Chicago e um dos mais respeitados analistas de política internacional nos EUA e no mundo, defendem ser resultado da pressão do lobby israelita sobre ele.
É que se a inflação nos EUA se mantiver nos níveis actuais, com os combustíveis em valores eleitoralmente catastróficos para os Republicanos, uma derrota em Novembro levará, como a oposição Democrata tem repetido, á abertura imediata de processos de destituição de Donald Trump dos quais dificilmente saíra incólume.
Há, porém, uma certeza entre os analistas mais focados neste tema, é que depois das eleições de Novembro, tudo aquilo que Trump aceitar hoje, pode não ser realidade depois, até porque em Telavive, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyhau, não se cansa de repetir que os EUA estão a cometer um erro histórico ao ceder aos iranianos.
E é sabido, porque Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, e Conselheiro para a Segurança Nacional de Donald Trump, o disse publicamente, foi porque Israel avançou, por sua única iniciativa, com o ataque ao Irão que os EUA se viram obrigados a entrar nesta guerra.











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