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A passagem da Volta a Portugal, que começa esta quinta-feira, pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês continua a gerar debate entre entidades ligadas à conservação da natureza. Será na 7.ª etapa, disputada a 13 de agosto, com partida em Vieira do Minho e chegada às Termas do Gerês. O percurso inclui a passagem pela Mata de Albergaria, segue em direção à Portela do Homem, faz uma breve incursão em território espanhol e regressa a Portugal para a inédita subida ao Alto do Germil, em Ponte da Barca, uma contagem de montanha de 1.ª categoria, antes da descida para a meta nas Termas do Gerês.
Para a ONG ambiental Natureza Viva Portugal, a realização da etapa numa das zonas mais sensíveis do parque levanta dúvidas sobre a compatibilização entre grandes eventos desportivos e a proteção dos ecossistemas.
Em declarações ao 24notícias, a presidente da organização, Ana Martins, considera que o problema não está na modalidade, mas na escolha do percurso. “Não estamos contra a Volta a Portugal. O que defendemos é que um Parque Nacional deve beneficiar de um nível de proteção superior. Quando existem alternativas viáveis fora das áreas mais sensíveis, faz sentido privilegiá-las”, diz, sublinhando que o impacto de uma etapa vai muito além da passagem dos ciclistas.
“As pessoas olham para os atletas, mas esquecem-se da dimensão logística do evento. Há carros de apoio, motas, equipas técnicas, meios de comunicação social e milhares de espectadores. É esse conjunto que aumenta significativamente a pressão sobre habitats particularmente frágeis”, refere.
Segundo Ana Martins, mesmo que a circulação decorra em estradas já existentes, isso não elimina os potenciais efeitos sobre a fauna. “Em zonas protegidas, o ruído, a presença humana e o aumento do tráfego podem alterar temporariamente os comportamentos da fauna, sobretudo em períodos sensíveis. Não significa que haja danos irreversíveis, mas é precisamente esse risco que deve ser evitado”, afirmou, considerando que este caso deve servir para repensar a organização de eventos em áreas classificadas.
“Portugal consegue promover o seu património natural sem colocar em causa os locais de maior valor ecológico. O desenvolvimento do turismo e do desporto deve caminhar lado a lado com a conservação da natureza, não em conflito com ela”, salienta.
Apesar das críticas, a ONG reconhece que a decisão das autoridades de impor restrições à realização da etapa representa um sinal positivo, mas entende que o debate não deve terminar este ano.
“Gostávamos que este episódio abrisse caminho a um diálogo mais estruturado entre organizadores, autarquias, autoridades ambientais e associações de conservação. O objetivo não é impedir eventos, mas encontrar soluções que conciliem a valorização do território com a proteção do património natural, concluiu.
A 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta arranca esta quarta-feira, 5 de agosto, em Lisboa, e termina no domingo, 16 de agosto, no Porto. Ao longo de 12 dias, o pelotão percorre várias regiões do país, num total de dez etapas, um prólogo e um contrarrelógio individual final, naquela que é considerada a mais importante prova do ciclismo nacional.
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