Adel Taarabt acredita que Marco Silva tem um “grande desafio” pela frente no Benfica, garantindo que o problema das águias não reside apenas nos treinadores. Em entrevista ao podcast Final Cut, da Sports Tailors, emitido na noite de segunda-feira, o antigo internacional marroquino lamentou que o Benfica esteja abaixo do nível desejado, apontando como principal causa a saída de Luís Filipe Vieira.
“Sem contar com os jogos com o Real Madrid na Liga dos Campeões, em traços gerais nos últimos três, quatro anos, o Benfica não tem competido ao nível a que estávamos habituados. Não me parece que seja só um problema dos treinadores. Acho que vai além disso. É triste dizer isto, pois tenho boa relação com Rui Costa, mas estão a sofrer com a saída de Luís Filipe Vieira. Sobre o resto não sei, mas a nível de liderança é difícil encontrar alguém como ele. Era um vencedor. Ou és líder ou não és. Lidei com muitos presidentes e nunca tive um presidente como ele. Acho mesmo que ele era o melhor e atenção que era duro comigo, e que me queria matar [risos]… O Benfica tem sentido falta disso”, começou por dizer Taarabt.
O antigo jogador das águias recordou os tempos em que vestiu a camisola dos encarnados – 129 jogos, dois golos e 13 assistências – e não teve problemas em admitir que não tinha a melhor relação com Rui Vitória, ao contrário do que sucedeu com Bruno Lage – que apostou na sua reintegração na equipa principal.
“Quem me marcou mais? Para ser honesto, toda a gente do clube. Mas obviamente foi difícil com o Rui Vitória, que nunca me quis. Foi o presidente e o Rui Costa que me quiseram. Ele não gostava de mim e eu não gostava dele, porque não acho que fosse um bom treinador. Tinha uma equipa de loucos, quem estivesse lá ganharia. E podem ver a carreira de Rui Vitória depois do Benfica… O Bruno Lage foi muito especial. Acreditou em mim quando mais ninguém acreditava. E o Tiago Pinto, que me ajudou muito”, frisou, admitindo que a mentalidade trazida de Inglaterra acabou por lhe custar um mau arranque na Luz.
“Cheguei com mentalidade de Premier League, a pensar que tinha de jogar bem mas que poderia desfrutar da vida fora do futebol e fazer o que quisesse. No Benfica não é assim. Não aceitam isso e querem os jogadores em casa. O Bruno Lage trabalhou um pouco em Inglaterra e conhecia essa realidade. Ele conseguiu ver a pessoa que eu era. Achavam que era maluco e que estava acabado, mas só gostava de ser feliz e viver a minha vida. Foi o clube que mais gostei de jogar. Acho que poderia ter feito ainda melhor no Benfica. Nunca joguei na minha posição de raiz. Eu era um número 10 para jogar livre, mas tive de jogar a 6 e a 8. Mas desfrutei muito. Foi uma grande experiência”, confessou.
“Ruben Amorim devia estar no Benfica”
Adel Taarabt também comentou a mudança de Ruben Amorim, de quem foi colega de equipa no Benfica, para o comando técnico do AC Milan, desejando-lhe muita sorte, mas dizendo que o lugar do treinador português é… na Luz.
“Estou a torcer por ele, fui próximo dele e conheço-o bem. Será outro desafio difícil, pois o AC Milan não tem sido estável nos últimos cinco, seis anos. Allegri tem muita experiência e mesmo assim os adeptos não estavam satisfeitos. É um grande treinador e só precisa do clube certo. E, para mim, o Benfica seria o clube certo para ele”, atirou, entre risos.
Já sobre Marco Silva, a escolha de Rui Costa para suceder a José Mourinho, Taarabt elogiou o trabalho desenvolvido no Fulham, mas lembrou que a realidade no Benfica será bem diferente.
“Sigo-o desde o Fulham, as suas equipas jogam muito bom futebol. Gosto, mas sabes como é o Benfica: se não ganhas títulos… e ele não está habituado a ganhar títulos, portanto… Mas torço por ele e pelo Benfica, será um grande desafio para ele. Esperava que conseguisse um clube maior do que o Fulham na Premier League. Se calhar por isso é que veio para o Benfica. O Liverpool podia ter sido bom para ele, pois mudaram de treinador, mas optaram pelo técnico do Bournemouth [Andoni Iraola]. Podia ter sido uma boa oportunidade para ele [Marco Silva]”, rematou o antigo médio marroquino, de 37 anos.











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