FC Porto – Notícias – Um histórico inglês em estreia no Dragão


Aston Villa é o adversário no jogo de apresentação do FC Porto (20h00)

O Estádio do Dragão reabre portas este sábado para acolher o jogo de apresentação do FC Porto. O tradicional reencontro com a família portista arranca ao final da tarde, aquando da subida ao relvado dos atletas que estarão à disposição de Francesco Farioli em 2026/27, e prossegue com mais um particular de preparação para a nova época.

Desta feita o adversário é o Aston Villa, o atual detentor da Liga Europa. O único confronto entre os dois emblemas remonta à pré-época de 2009/10. Nas meias-finais da Peace Cup, em Málaga, os ingleses venceram por 2-1 e Hulk marcou o golo azul e branco.

A história do Aston Villa Football Club começou em 1874, quando quatro membros da Classe Bíblica de Adultos da Capela Wesleyana de Aston Villa se reuniram sob um candeeiro a gás, na Heathfield Road, em Birmingham, para discutir a criação de um clube desportivo.

Acabados de assistir a um colega a praticar râguebi no Heathfield Park, concluíram que era uma modalidade demasiado física e decidiram optar pelo futebol, que lhes permitiria manter uma atividade desportiva durante o inverno e complementar a equipa de críquete.

Cinco anos mais tarde, deu-se a primeira participação na Taça de Inglaterra, que terminou de forma invulgar. Depois de eliminar o Stafford Road na ronda inaugural, o clube desistiu da competição quando lhe saiu em sorte a poderosa equipa da Universidade de Oxford, por considerar que as hipóteses de seguir em frente seriam quase nulas. Ainda assim, não tardaria muito até as vitrines começarem a ficar preenchidas, primeiro com o troféu da Birmingham Senior Cup e logo de seguida com o da Taça de Inglaterra, em 1886/87.

Impulsionador da criação da Football League, o primeiro Campeonato Nacional de futebol em todo o globo, o Aston Villa sagrou-se Campeão Inglês em 1894, 1896, 1897, 1899 e 1900, consolidando-se como uma das grandes potências do futebol britânico. Durante esse período, voltou também a triunfar na FA Cup em 1895 e em 1897 – ano em que se tornou o segundo clube do país a alcançar uma Dobradinha.

Os “Villans” seguiam de vento em popa no arranque do século XX, até que o futebol inglês parou por completo no início da Primeira Guerra Mundial. Após a conclusão da temporada 1914/15, as competições oficiais foram suspensas e o Villa Park passou a ser utilizado pelo exército britânico para fins militares, providenciando alojamento às tropas. Quando a guerra terminou e o futebol regressou, o clube voltou a triunfar e conquistou novamente a FA Cup, na segunda final disputada no recém-inaugurado Estádio de Wembley.

A Segunda Guerra Mundial tornou a quebrar o ímpeto no futebol britânico, mas o Aston Villa regressou em força na época 1946/47, com 76.588 espectadores a encherem o Villa Park para assistirem ao jogo frente ao Derby County, dos quartos de final da Taça de Inglaterra. As grandes alegrias estavam por vir e a primeira chegou em 1957, com a conquista da sétima FA Cup, desta feita diante do poderoso Manchester United de Matt Busby. O icónico triunfo ficou para sempre na memória dos adeptos e antecedeu um período conturbado, com a descida à Segunda Divisão e uma posterior queda para o terceiro escalão, o ponto mais baixo destes 150 anos de história.

Competir nas divisões inferiores não impediu o Aston Villa de conseguir grandes façanhas – como a vitória frente a um Manchester United com figuras como George Best, Bobby Charlton ou Denis Law nas meias-finais da Taça da Liga – e o espírito vencedor da equipa viria a trazê-la de novo ao topo do futebol britânico e europeu.

Já depois terem garantido as promoções à Segunda e à Primeira Divisão – esta no ano do centenário, em 1974/75 -, os homens de Birmingham continuaram a crescer e conquistaram o sétimo título nacional em 1981, feito que abriu portas à estreia na Taça dos Clubes Campeões Europeus. Logo na primeira campanha, chegaram à final e mediram forças com o FC Bayern.

A final em Roterdão dificilmente poderia ter começado pior para o Aston Villa, que viu o guarda-redes titular abandonar o relvado aos nove minutos por lesão. Um jovem de apenas 23 anos, de seu nome Nigel Spink, substituiu-o e travou todas as tentativas germânicas enquanto os colegas esperavam por uma oportunidade para surpreender. A tão aguardada chance chegou aos 67 minutos e foi convertida por Peter Withe. Os ingleses sagravam-se Campeões da Europa pela primeira vez, cinco anos antes de o FC Porto também o conseguir.

O sucesso no Velho Continente prolongou-se na época seguinte, na qual uma vitória frente ao FC Barcelona carimbou a conquista da Supertaça Europeia, mas antecedeu um novo período negativo na história do clube que veste de azul e grená. Apenas cinco anos após conquistar o título europeu, o Aston Villa voltou a ser despromovido à Segunda Divisão, mas o regresso ao principal escalão seria rápido, ainda a tempo de se tornar um dos 22 fundadores da Premier League.

Ao bom desempenho a nível interno, com as conquistas de duas Taças da Liga nos anos subsequentes, juntar-se-ia mais um título internacional: em 2001, após bater o Basileia por 5-2 no agregado de uma final jogada a duas mãos, os “Villans” conquistaram a Taça Intertoto, o último troféu antes da Liga Europa 2025/26.

O clube atingiu diversas finais internas e até voltou a ser despromovido em 2015/16, mas recuperou o ascendente em 2022, com a chegada de Unai Emery. Sob a liderança do técnico basco, o Aston Villa passou de candidato à descida para uma equipa capaz de competir pelos lugares europeus. Em 2023/24 garantiu a primeira presença na Liga dos Campeões desde a final de 1982 ao terminar Premier League no quarto posto e ainda alcançou as meias-finais da Liga Conferência; na temporada do 150.º aniversário, chegou aos quartos de final da “Champions”, caindo apenas frente ao campeão PSG.

A última campanha foi uma das mais importantes da história do Aston Villa: após quase 30 anos sem conquistar um grande troféu, venceram o SC Freiburg em Istambul (3-0) e ergueram o troféu que o FC Porto já havia levantado em 2003 e em 2011. A época terminou da melhor forma, com uma vitória frente ao Manchester City que confirmou o apuramento para a Liga dos Campeões.

O sempre agitado mercado inglês retirou ao Aston Villa dois nomes de peso – Morgan Rogers foi vendido por um valor recorde para o Chelsea, enquanto Youri Tielemans assinou pelo Manchester United -, mas os “Villans” já fizeram os ajustes necessários com as chegadas dos médios João Gomes (ex-Wolverhampton) e Johan Manzambi (ex-SC Freiburg) e do extremo Alejandro Garnacho, cedido pelo Chelsea FC.





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