Foi formado no Manchester City, é internacional A e acabou de entrar no… Big Brother


Quem tem um grande irmão tem tudo. Que o diga o capitão do Portimonense SC, Miguel Costa: «O Nuno chegou, no início desta época, vindo de Macau. Nos primeiros tempos, arranjou casa em Portimão, mas, depois, mudou-se para Albufeira, de onde eu sou. Começámos a ir juntos para os treinos e criámos uma ligação muito forte. Hoje, tenho uma relação de irmãos que nunca pensei ter com ele.»

O «Nuno» a quem Miguel se refere é Nuno Pereira, jogador do referido emblema algarvio e novo concorrente do… Big Brother. «Desculpe?!», atirou o treinador, Lázaro Oliveira, incrédulo, depois de saber, pelo nosso jornal, que o seu jogador tinha entrado no reality show da TVI. «Não sabia disso [risos], à primeira até pensei que estivesse a ouvir mal…», assume.

Além de técnico, Lázaro é amigo próximo de Nuno Pereira. Ainda assim, não deixou de ter sido apanhado de surpresa por «ver o Nuno num programa com esse tipo de exposição». «Não esperava, surpreendeu-me e de que maneira! Até tenho de lhe ligar… Ah! Mas ele agora está no programa, não posso [risos]», acrescenta. 

O protagonista desta história do Pelo Caminhos do… Big Brother nasceu em Macau, mas saiu de lá muito cedo, tendo aterrado em Inglaterra aos 14 anos para jogar no Manchester City. Foi nos ‘citizens’ que a jovem promessa partilhou balneário e vivências com craques como Lukas Nmecha e… Phil Foden.

Em 2017, aos 20 anos, três épocas depois de ter saído da formação dos azuis de Manchester, Nuno Pereira assinou pelo já extinto Jiangsu Suning (China), onde se cruzou com o ex-benfiquista e internacional brasileiro Ramires. Depois de novas experiências em Inglaterra (e sempre em escalões secundários, enquanto sénior, como havia feito antes de rumar à Ásia), o médio teve a primeira aventura em Portugal na equipa B do 1.º Dezembro na temporada 2020/21, na segunda divisão distrital da AF Lisboa.

Em setembro de 2023, ocorreu mais um momento marcante da carreira de Nuno Pereira, com a chamada para a seleção A de Macau – à data, orientada, curiosamente, pelo seu atual mister. Foi Lázaro Oliveira que recrutou e, aí, conheceu este filho de um português e uma macaense: «Quando assumi o cargo, andava à procura de jogadores que tivessem nascido em Macau e pudessem ser uma mais valia. Tivemos conhecimento do Nuno e entrei em contacto com ele.»


Nuno Pereira veste a camisola número 17 da seleão de Macau – Foto: D.R.

«Apesar de não jogar num contexto elevado em Portugal, comparativamente à realidade de Macau, foi um jogador que nos ajudou bastante. Naquele contexto, destaca-se, claramente», salienta o timoneiro. Além disso e apesar de vestir a pele da referida Região Administrativa Especial da China, Nuno Pereira «não é o típico macaense, e não fala nem percebe cantonês». Tais limitações não o impediram, todavia, de ter conquistado (para já) o único título da carreira: precisamente, o campeonato macaense, pelo MUST IPO, em 2025.

Entre a experiência no 1.º Dezembro e o triunfo supramencionado em Macau, o jogador passou pelo Vilar de Perdizes, Leça, Marco 09, Imortal e Barreirense. Foi apenas no verão de 2025 que chegou a Portimão para outra conquista: a dos corações dos colegas de balneário. «Apesar de não estar no lote dos três capitães, os colegas veem-no como uma grande referência. Tem um grande relacionamento com todos, por ser uma pessoa muito correta e fácil de lidar», garante Lázaro Oliveira, abordando este reencontro entre os dois no Sul do país.


Os mais próximo rasgam Nuno Pereira de elogios – Foto: Portimonense

Perceção semelhante à do homem do leme tem o capitão de equipa: «O Nuno é uma pessoa de paz, nunca o vi metido em confusões com ninguém e, logo aí, ganha o respeito de todos. No balneário, nunca o vi ter uma má relação com ninguém – e fora do futebol é igualmente uma pessoa espetacular.»


«A vida tem sido madrasta para o Nuno»

Quem o conhece descreve Nuno Pereira como um lutador. Nos últimos anos, perdeu a mãe e o pai. A progenitora morreu primeiro, num quadro de doença prolongada. O pai partiu depois, de forma repentina, num momento que Lázaro Oliveira descreveu como «bem mais complicado» para o jogador e a irmã. «O Nuno ligou-me a comunicar a morte do pai e, para mim, também foi um abalo bastante forte», recordou.

«O pai era o grande suporte da vida dele. Eu conhecia-o bem, era uma pessoa fantástica, extremamente positiva, que amava a vida», acrescentou o treinador. «Além da questão do futebol, liga-me agora ao Nuno uma relação de amizade muito forte e sei que a vida tem sido um bocadinho madrasta com ele», lamenta.


Nuno Pereira é descrito como um lutador, dentro e fora de campo – Foto: Portimonense

Apesar de todas as vicissitudes vividas, Miguel Costa também destaca a resiliência do fiel companheiro: «De uma situação muito má, consegue tirar sempre algo positivo. Além disso, nunca deixa de estar disponível. Se as pessoas precisarem, ele vai estar sempre lá para elas.» A não ser que… Nuno esteja fechado numa casa, por termo indeterminado. Não menos surpreso do que o mister, pelo timing em que esta nova aventura na vida do macaense acontece, ficou Miguel Costa: «Já tinha comentado comigo que gostava de entrar, mas nunca pensei que o fizesse agora.» 

«Acho que quis participar pela visibilidade que vai ter, tanto no futebol como fora, e também para sair da sua zona de conforto», acrescenta o centrocampista, de 22 anos, que está de saída do Portimonense, quase dez anos depois de chegar ao clube.


Os muito amigos Miguel Costa e Nuno Pereira – Foto: D.R.

Quem também não vai continuar na formação recém-despromovida às distritais do Algarve é Lázaro Oliveira. Quanto a Nuno Pereira, Miguel Costa espera que o seu futuro nos relvados só fique em suspenso até sair do programa, que o amigo anseia que seja «lá para setembro», como vencedor. «Sei que, nas últimas semanas, esteve a tratar de coisas para continuar a jogar, porque, para ele, o futebol é vida», garantiu o confidente.

«O Nuno adora o futebol, é a paixão dele, desde miúdo. Preparou-se para ser profissional de futebol, com a ajuda da família. Sempre foi muito dedicado e ama o que faz». Lembra Lázaro Oliveira. Quanto ao Big Brother, «não é um tipo de programa que acompanhe», mas o treinador garante que vai passar a estar atento, porque ficou «curioso».



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