Por que jogadores ingleses custam tão caro no mercado da Premier League?


Só nesta janela de transferências, o Manchester City desembolsou 116 milhões de libras (R$ 793,8 milhões) para contratar Elliott Anderson junto ao Nottingham Forest e o Chelsea encaminhou a chegada de Morgan Rogers, do Aston Villa, por 117 milhões de libras (R$ 801 milhões). Duas contratações que movimentam muito dinheiro na Premier League.

Os valores chamam a atenção, mas não são casos isolados. A atual janela de transferências do Campeonato Inglês mantém a tendência das últimas temporadas: jogadores ingleses ou formados no futebol inglês estão entre os ativos mais valiosos do mercado mundial, e a explicação vai além da qualidade técnica.

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A escassez faz o preço disparar

Um dos principais fatores é a própria regulamentação da Premier League. Os clubes precisam inscrever um número mínimo de jogadores formados na Inglaterra em seus elencos, enquanto aqueles que disputam competições da Uefa também precisam cumprir exigências semelhantes.

Na prática, isso cria uma disputa intensa por um grupo relativamente pequeno de atletas capazes de atuar em alto nível. Como consequência, quando um jogador inglês se destaca, seu valor de mercado cresce rapidamente. Não é apenas o talento que está sendo comprado, mas também um ativo que ajuda o clube a cumprir regras de inscrição.

Outro fator decisivo é o risco reduzido. Ao contratar um jogador que já atua na Premier League, o clube tem uma boa noção do que o jogador pode entregar. O atleta já demonstrou capacidade para enfrentar o ritmo intenso do campeonato, conhece o futebol inglês e não precisa passar por um período de adaptação cultural ou esportiva.

Essa previsibilidade faz com que os clubes aceitem pagar mais do que desembolsariam por um jogador de nível semelhante vindo do exterior.

Morgan Rogers pela seleção inglesa. Foto: IMAGO / APL

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O dinheiro da Premier League muda o mercado

O poder financeiro dos clubes ingleses também ajuda a inflacionar as negociações. Graças às receitas bilionárias de direitos de transmissão, os clubes raramente precisam vender jogadores por necessidade imediata. Isso fortalece sua posição nas negociações.

Quando um rival da própria Premier League deseja contratar um atleta, normalmente precisa apresentar uma proposta muito superior àquela que seria feita por clubes de outros países. Foi exatamente esse movimento que marcou a atual janela.

Após o Manchester City estabelecer um novo patamar ao pagar 116 milhões de libras por Elliott Anderson, o Aston Villa manteve a posição de que Morgan Rogers só deixaria o clube por uma quantia ainda maior. O Chelsea aceitou as condições e avançou para fechar o negócio por 117 milhões de libras.

Regras financeiras também influenciam

Embora muitos apontem apenas o poder econômico da Premier League, as regras financeiras também exercem influência nas negociações. A liga iniciou a transição para um novo modelo de controle financeiro, que passa a dar maior peso à relação entre receitas e gastos com elenco, incluindo salários, amortização de transferências e comissões de agentes.

Nesse cenário, grandes vendas podem representar uma oportunidade para equilibrar as contas e abrir espaço para reforçar diferentes setores do elenco. Por isso, clubes como Aston Villa, Nottingham Forest e Newcastle aceitaram negociar jogadores importantes nesta janela, mesmo brigando por posições de destaque na tabela.

Declan Rice pela Inglaterra (Foto: Imago/Uk Sports Pics Ltd)
Declan Rice pela Inglaterra (Foto: Imago/Uk Sports Pics Ltd)

Um novo padrão para o mercado inglês

Outro fenômeno ajuda a explicar a escalada dos valores: cada transferência recorde eleva imediatamente o preço da seguinte. Quando um clube aceita pagar mais de 100 milhões de libras por um jogador, cria um novo parâmetro para negociações semelhantes. Assim, atletas com perfil, idade e desempenho próximos passam automaticamente a valer mais.

O resultado é um efeito dominó que faz o teto das transferências subir a cada janela. Com receitas em constante crescimento e a disputa por jogadores ingleses cada vez mais intensa, negócios acima de 100 milhões de libras deixaram de ser exceção. Hoje, tornaram-se parte da realidade da Premier League, e uma transferência de 200 milhões de libras já não parece um cenário tão distante.



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