Felipe Belli, Oeste Esporte
A temporada 2026/27 da Premier League marca uma mudança histórica no futebol inglês. Pela primeira vez, nenhum clube poderá estampar uma casa de apostas como patrocinadora principal na parte frontal da camisa, encerrando uma relação que durou décadas entre a liga e a indústria das apostas. A medida foi aprovada voluntariamente pelos próprios clubes da Premier League em 2023 e passou a valer ao fim da temporada 2025/26.
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O novo cenário já é refletido nos uniformes da temporada 2026/27. Clubes que tradicionalmente exibiam marcas de apostas no peito precisaram buscar novos parceiros comerciais ou iniciar a temporada sem um patrocinador principal. Segundo levantamento, equipes como Brentford, Chelsea, Fulham, Nottingham Forest e Sunderland começaram a temporada sem um patrocinador máster definido.
A mudança tem como objetivo reduzir a exposição do público, especialmente crianças e adolescentes, à publicidade de apostas esportivas. Com a decisão, a Premier League se tornou a primeira grande liga esportiva do Reino Unido a adotar voluntariamente uma restrição desse tipo.
Apesar da proibição, as empresas do setor não desapareceram completamente do futebol inglês. As marcas de apostas ainda podem aparecer em espaços como as mangas das camisas, painéis de publicidade ao redor do gramado e outros ativos comerciais dos clubes. A restrição vale exclusivamente para o espaço nobre da parte frontal do uniforme.
A mudança também provocou impactos financeiros. Antes da proibição, os contratos de patrocínio máster com empresas de apostas rendiam cerca de £ 60 milhões por temporada aos clubes da Premier League. Em 2026, diversas equipes enfrentaram dificuldades para encontrar novos patrocinadores, e algumas iniciaram o campeonato sem um acordo fechado para o espaço principal da camisa.
Com isso, outros segmentos ganharam espaço. Companhias dos setores de finanças, companhias aéreas, tecnologia, telecomunicações e alimentação passaram a ocupar boa parte dos espaços deixados pelas empresas de apostas. Ainda assim, um levantamento recente da Financial Conduct Authority (FCA) apontou que vários clubes migraram para patrocinadores ligados ao mercado financeiro e de criptomoedas, levantando um novo debate sobre a origem e a regulamentação dessas empresas.
A tendência é que as restrições aumentem nos próximos anos. O governo britânico já estuda ampliar as limitações para impedir que operadoras de apostas sem licença no Reino Unido patrocinem clubes em qualquer espaço dos uniformes ou dos estádios.








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