Desde a criação da Premier League, em 1992/93, a elite do futebol inglês habituou-se à presença de figuras portuguesas em papéis de destaque. Treinadores, jogadores e até dirigentes marcaram diferentes épocas da competição. No entanto, a temporada 2026/27 arranca com uma novidade invulgar: não haverá qualquer treinador português no comando técnico de uma equipa da Premier League.
Sabe há quanto tempo isto não acontecia? 16 anos. É preciso recuar até à temporada 2010/11 para encontrar a última edição em que nenhum técnico luso orientou uma equipa da principal liga inglesa.
O percurso português ao leme da elite inglesa
Entre a descida do West Ham de Nuno Espírito Santo, o despedimento de Vítor Pereira e a saída de Marco Silva para o Benfica, a Premier League prepara-se para arrancar sem qualquer treinador português entre as 20 equipas da competição.
Nuno Espírito Santo iniciou 2025/26 no Nottingham Forest, mas, ao fim de apenas três jornadas, aceitou o desafio do West Ham. Apesar da mudança, não conseguiu evitar a despromoção dos hammers. Ao longo da carreira em Inglaterra, somou passagens por Wolverhampton, Tottenham, Nottingham Forest e West Ham, clube que representa atualmente.
Ruben Amorim ao serviço do Manchester United @Manchester United
Vítor Pereira viveu a primeira experiência na Premier League ao serviço do Wolverhampton, onde iniciou 2025/26. As coisas não correram como esperado e acabou despedido, mas a sua história em Inglaterra tinha mais páginas por escrever. Ainda na mesma época, assumiu o Nottingham Forest, conduzindo a equipa à permanência. Contudo, terminou essa ligação neste verão.
Marco Silva terminou um ciclo de cinco temporadas no Fulham, entre 2021/22 e 2025/26, antes de assinar pelo Benfica. O treinador português regressou, assim, a Portugal, depois de uma longa passagem pelo futebol inglês. Antes do Fulham, orientou o Everton em 2018/19 e 2019/20, depois de ter iniciado 2017/18 no Watford.
A estreia na Premier League aconteceu no Hull City. No entanto, o agora treinador das águias assumiu as rédeas no decorrer da temporada.
Neste período, também Ruben Amorim e Bruno Lage passaram pelo futebol inglês. Amorim assumiu o Manchester United durante a temporada 2024/25 e iniciou igualmente a campanha de 2025/26, mas acabou despedido nos primeiros dias de 2026. Lage iniciou a temporada 2021/22 no Wolverhampton e arrancou também a seguinte, mas realizou apenas nove encontros antes da saída.
Outra geração de treinadores: o recuar até 2010/11
Antes desta casta mais recente, José Mourinho, uma das figuras portuguesas mais marcantes na Premier League, assumiu o Tottenham, em 2019/20, mas acabou despedido de forma polémica poucos dias antes da final da Taça da Liga Inglesa, que poderia representar o primeiro troféu dos Spurs desde 2008.
José Mourinho é o único treinador português a vencer a PL @Getty / Laurence Griffiths
Anteriormente, o Special One regressara ao Chelsea para uma segunda passagem pelo clube. Ficou duas épocas e meia, desde 2013/14 a 2015/16, conquistou um campeonato inglês e voltou a afirmar-se como uma das principais figuras da competição.
Em 2016/17, assumiu o comando do Manchester United, onde também cumpriu duas épocas e meia. Conquistou uma Liga Europa e várias taças nacionais, embora, na Premier League, tenha alcançado apenas um segundo lugar, em 2017/18.
Quem tinha iniciado esta sequência de anos foi André Villas-Boas. O atual presidente do FC Porto iniciou a temporada 2011/12 ao serviço do Chelsea, deixou os blues em março e assumiu, na época seguinte, o comando do Tottenham, onde permaneceu até 2013/14, acabando por sair após uma pesada derrota frente ao Liverpool.
Apesar de 2026/27 não contar com qualquer treinador português como timoneiro na elite inglesa, não seria surpreendente ver um clube inglês voltar a apostar num técnico luso ao longo da época, especialmente quando começarem a surgir as habituais chicotadas psicológicas.










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