RB Leipzig, a máquina de fazer dinheiro (que só é batido pelo Chelsea e Benfica)


Ao vender o passe de Yan Diomande para o Real Madrid por 125 milhões de euros, o RB Leipzig não fez apenas a sua maior venda da história, confirmou definitivamente que é uma história de sucesso financeiro ao fim de 10 anos. Os touros ultrapassaram o Dortmund como o clube com maior volume de vendas na Alemanha e, acima de tudo, tornaram-se uma referência de gestão de uma realidade cada vez mais vincada no futebol mundial: a multipropriedade.

O lucro de 525 por cento no negócio do extremo costa-marfinense é o pináculo de uma estratégia assumida desde o início: adquirir jogadores de mercados secundários ou de clubes de dimensão reduzida. Assim foi com Diomande: €20 milhões pagos ao Leganés, da segunda liga espanhola, venda por 125 milhões de euros um ano depois.

Mas os exemplos não ficam por aqui: há nomes hoje consagrados mas que vieram de degraus mais baixos antes de chegarem a Leipzig: Dani Olmo e Gvardiol (ambos do Dínamo Zagreb), Matheus Cunha (Sion) ou Antonio Nusa (Club Brugge).

O modelo é muito claro: só são contratados jogadores com menos de 24 anos, auferindo salários mais baixos que um colosso como o Bayern, e cujo perfil se enquadre na identidade demarcada desde sempre: pressão alta, verticalidade e transições. A nacionalidade não é requisito primordial.


As dez maiores vendas do clube


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O domínio e conhecimento desses mercados menos procurados (ou pelo menos de uma forma consistente) deve-se a um centro de dados alimentado há pelo menos uma década e que alimenta o grupo Red Bull. Ou seja, o que hoje é considerado fundamental para qualquer clube de elite, há mais de dez anos os responsáveis da famosa empresa de bebidas energéticas fizeram-no de uma forma sistematizada.

Por isso não há compras à espera dos ventos que passam. Uma das regras implementadas é ter um substituto no pipeline antes da venda. A prática comum é ter a contratação do sucessor já feita ou muito bem encaminhada antes de o dinheiro entrar.


O clube mais odiado?

Dez anos depois de ter atingido o principal escalão do futebol alemão já parecem mais dispersos os sentimentos corrosivos a respeito do projeto da Red Bull. Longe vão os tempos em que adeptos de clubes adversários atiravam cabeças de touro para o relvado em protesto com o que chamavam de batota ou desvirtuação do futebol germânico, que ainda hoje torce o nariz aos sinais do capitalismo mais agressivo.

Na base das críticas estava a regra do 50+1 (a percentagem que deve ser do emblema e não de investidores) e, mais que tudo, a proibição de associar a empresa ao nome do clube. A história é por demais conhecida: o escudo de raiz era o SSV Markranstadt, mas os novos donos, quando o compraram, em 2009, batizaram-no de RasenBallspor Leipizg, sendo que rasen ball se traduz como desporto de bola no relvado. Com uma expressão tão primária, as siglas obviamente que se impunham (RB) e assim cumpria-se o objetivo inicial de associar as letras da Red Bull na narrativa – nada a ver com o VfB Leipzig, o primeiro campeão da Alemanha.

O tempo mostrou que a empresa austríaca viera para ficar e mudar o mercado. A aposta num clube do lado Leste do país (ainda hoje mais pobre que o ocidental) preencheu um vazio geográfico e uma política agressiva de marketing foi trazendo muitos jovens adeptos que hoje se identificam com a marca e sabem que hoje podem estar a aplaudir um craque em potência que amanhã já não poderá estar – porque este tem sido o modelo de negócio, de modo assumido: Leipzig é uma ponte, mas também a universidade de um vasto grupo que inclui o RB Salzburgo (Sesko, Upamecano, Szoboszlai), RB Bragantino (Brasil) e New York Red Bulls (EUA).

Desde 2016/17, quando subiu à Bundesliga, o RB Leipzig já fez 1,28 mil milhões de euros em vendas, colocando-se, de acordo com o Observatório do Futebol, no terceiro lugar a nível mundial, apenas atrás do Benfica (€1,32 mil milhões) e Chelsea (1,48 mil milhões).

Estes números refletem, para já, o negócio de compra e venda de passes de futebolistas, cujo lucro é substantivo (€320 milhões). Ao contrário dos seus concorrentes Benfica e Chelsea, os alemães ainda não conseguiram criar fornadas de jovens jogadores da sua academia, porque esta só foi criada em 2015. Mas poucos duvidarão que daqui a dez anos a conversa já será outra.



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