O Académico de Viseu vai voltar a atuar no principal escalão do futebol português, 37 anos depois. A partida que marcará o regresso é no próximo domingo (20h30), e logo contra o Benfica: um grande que, todavia, garante Joãozinho, não assustará o novo treinador dos viriatos, Bruno Pinheiro. «Não é por jogar contra uma equipa grande que vai preparar a semana só para defender e jogar atrás da linha da bola. O mister tem uma ideia muito clara e, seja quem for o adversário, vai utilizá-la. Não irá ser apenas defender», assegura o experiente jogador, em entrevista A BOLA.
O lateral-esquerdo do Oriental conhece bem o referido técnico. Foi treinado por ele no Estoril, entre 2020 e 2022, e estabeleceram aí uma excelente relação. «Não nos conhecíamos e criámos uma conexão muito boa. Fui nomeado capitão e passei a ser um suporte dentro do campo. Muitas vezes, dizia-me que parecia que já trabalhava com ele há muito tempo», recorda.
O defesa, que passou pelo Sporting (2012/13) e SC Braga (2013/24), elogia os conceitos do seu antigo timoneiro, apesar de reconhecer que nem sempre são de imediata compreensão: «Tem uma ideia de jogo muito positiva que, ao princípio, não é fácil de entender, mas depois, quando começas a entender, as coisas saem bem.»
Joãozinho enaltece também a relação estabelecida entre Bruno Pinheiro e os seus pupilos. O à vontade tem de ser premissa dentro do seu balneário e é um fator com o qual o lateral se identifica bastante. «Faz muitas perguntas aos jogadores sobre os adversários e sobre o estilo de jogo que gosta (…) Gostei muito de trabalhar com o mister. Quem sabe um dia me junte a ele…», deixa no ar.
Para esta época, o atleta, que vai para a terceira época no Oriental, afirma que, do novo Académico de Viseu de Bruno Pinheiro, se pode «esperar o que se viu no Estoril e no Gil Vicente: uma equipa a jogar bom futebol, olhos nos olhos contra qualquer equipa». «Às vezes, não corre bem, ou pela qualidade do adversário que tem pela frente ou porque os jogadores também estão num mau dia e não conseguem executar o plano que pediu. No entanto, o trabalho durante a semana é sempre direcionado para aquilo que quer fazer com e sem bola contra adversários que jogam de várias maneiras», acrescenta.
Esta aventura do novo homem do leme viseense marca também um reencontro com o goleador André Clóvis. Joãozinho desconfia que o ponta de lança possa ter agora mais protagonismo do que aquele que tinha nos canarinhos, igualmente, em 2020/21 e 2021/22: «Acredito que o Clóvis vá beneficiar muito do estilo de jogo do mister, que olha muito para a baliza adversária. É hoje um jogador muito mais maduro do que era nos tempos do Estoril. Acho que fez bem em ter dado o passo atrás de ir para a Liga 2, para ganhar confiança e mostrar que é um goleador nato. Não estava a conseguir no Estoril, ou por falta de confiança ou porque estava tapado, mas o mister Bruno Pinheiro sempre foi sincero com ele nisso e também têm uma relação espetacular.»
Considerando ter os ingredientes certos nas beiras para ser feliz, o canhoto está seguro de que a aventura do seu antigo treinador irá ter um final feliz: «Acho que o Académico tem um bom projeto e, se ele aceitou, estando num campeonato onde certamente ganhava bem e tinha outro projeto bom, de subida de divisão no Eupen [Bélgica], é porque sentiu certamente que seria o projeto ideal para voltar a Portugal.»










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