Da fila do centro de emprego a melhor guarda-redes do mundo


O caminho de Édouard Mendy até ao topo é uma história de resiliência. Em 2014 visitava o centro de emprego, sem clube e pronto para deixar o futebol de vez. Poucos anos depois, após passagens pelas reservas do Marselha, Reims e Rennes, sagrava-se vencedor da UEFA Champions League com o Chelsea, no Dragão, e era eleito o melhor guarda-redes do mundo pela FIFA em 2021.

«Se alguém me tivesse dito há seis anos, quando eu não tinha clube, que acabaria por chegar aqui… Eu tinha, de facto, as minhas dúvidas sobre se iria continuar. Tive de recorrer ao subsídio de desemprego naquela altura, para me poder dedicar totalmente ao futebol… E, como não ia ser suficiente para nós, precisávamos de algo mais, por isso comecei a procurar outro trabalho, numa loja de roupa», disse em entrevista ao The Guardian em 2020.

O mundo do senegalês mudou no espaço de apenas uns anos: em 2019, foi vendido do Reims para o Rennes por 7,6 milhões de euros e precisou de apenas uma temporada para convencer o Chelsea a pagar 24 milhões de euros. Em Inglaterra, venceu dois troféus europeus (Champions e Supertaça Europeia) e ainda o antigo Mundial de Clubes.

Já para não falar do seu papel na caminhada do Senegal rumo ao primeiro título na Taça das Nações Africanas (CAN), em 2022, pouco tempo depois da conquista da Champions. «A minha caminhada ensinou-me: sem dor, não há recompensa. O trabalho árduo é a única resposta!», disse após levantar mais um troféu. Nesse ano, foi também eleito o melhor jogador do país.

Na CAN mais recente, em janeiro, manteve a frieza na final ao defender o penálti à Panenka de Brahim Díaz, enviando o jogo com Marrocos para o prolongamento, embora após um protesto do Senegal pela marcação da grande penalidade que levou a que o troféu acabasse por ser entregue a Marrocos. O jogador, de 34 anos, está agora na Arábia Saudita há três épocas e continua a ser a primeira escolha de Pape Thiaw, pelo que o vamos ver novamente em ação pelo Senegal no Mundial 2026.

Este artigo partiu do perfil de Édouard Mendy que A BOLA publicou no âmbito da Guardian Experts’ Network, uma rede de troca de conteúdos liderada pelo conceituado jornal inglês, e que inclui meios de comunicação social de vários países representados no torneio.



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