Dedic, Lukebakio, Aursnes, Palhinha, Casa Pia e muito mais — tudo o que o disse o treinador do Benfica


O Benfica joga em Rio Maior, frente ao Casa Pia, esta segunda-feira, a segunda jornada do campeonato. A equipa encarnada empatou na primeira jornada com o Académico de Viseu (2-2). Marco Silva, treinador das águias, fez a antevisão a este novo duelo.

—  Benfica não venceu os últimos três jogos frente ao Casa Pia. Considera este um jogo de alerta máximo?
— Naturalmente, quando se acumulam alguns resultados de uma forma consecutiva com alguns adversários, chama mais a atenção. Todos os jogos terão de ser de atenção obrigatória e vistos, como eu tenho vindo a falar, quase como finais. Porque pontos perdidos nunca é importante, nunca é bom para nós. É muito importante não os perdermos, portanto, todos os jogos têm uma obrigatoriedade de nós os encararmos dessa mesma forma. Podemos chamar quase como finais, porque todos os jogos são finais, não querendo dar o peso de ser uma final, mas de não os podermos encarar de outra forma. Sermos sérios, sermos na abordagem e depois, naturalmente, porque há aquela questão dos últimos três resultados contra o adversário não terem corrido da forma como o Benfica pretendia, poder criar aqui aquele alerta que como falou, porque se tem falado mais sobre isso. É mais por aí, porque nós temos que encarar todos os jogos da mesma forma, independentemente dos resultados nas últimas épocas contra o adversário que vamos jogar, seja ele positivo ou não. O passado recente não vai entrar no jogo, mas pode criar alerta como disse e nós temos é que encará-los todos da mesma forma.

Pode confirmar a saída de Dedic? As opções para lateral-direito passam a ser apenas Bah e Banjaqui, também Aursnes. Fica satisfeito com as opções atuais?
— Em relação à questão do Dedic, não sendo nada oficial ainda, naturalmente, neste momento posso-vos dizer, porque é a realidade, vai estar fora do jogo. Ao contrário do que aconteceu e não via razões para que isso acontecesse e daí eu vos ter dito que enquanto não tivesse nenhum feedback da estrutura do Sport Lisboa e Benfica, para mim todos os jogadores contavam a 100% para os jogos. Para estarem envolvidos naquilo que é a preparação para o jogo estariam, e daí eu não ter tido absolutamente dúvida nenhuma que o Dedic deveria começar ou estar envolvido no jogo. Depois se começa ou não já é uma decisão técnica da minha parte e essa foi a decisão. E quando eu falei convosco, quer no pré, quer no pós-jogo, foi nesse sentido. Neste momento posso-vos dizer que estará fora daquilo que são as… a convocatória e não tem estado envolvido na preparação para o jogo, independentemente de ter sido muito curta desde a nossa última viagem à Escócia. Tenho o feedback, neste caso o feedback da direção que está numa fase já bastante avançada. E dizer aqui claramente: não, é óbvio que era um jogador que não eu treinador, mas nós Benfica não queríamos perder. A questão da proposta depois e a questão financeira a estrutura do Benfica sabe melhor o que fazer nesse aspecto do que eu, não é esse o meu papel. Mas naturalmente, e não querendo já estar aqui a dizer que sou eu, não, nós Benfica… era um jogador até pela boa época que fez o ano passado, por ser um jogador ainda com alguma juventude também. Naturalmente era um jogador que nós não queríamos perder, mas faz parte, o mercado está aberto. Como nós queremos contratar jogadores, em muitos momentos também perdemos jogadores que nós não queríamos, mas isso faz parte. Respondendo diretamente à questão, não estará presente. Neste momento temos duas opções para o corredor direito, como falou. Temos o Alex [Bah] e o Banjaqui. Se iremos ou não, isso já depende depois de nós daquilo que forem as decisões que iremos tomar. Como falou, temos alguns jogadores também que podem fazer a posição, independentemente de não serem dessa mesma posição e não querendo estar aqui a retirar alguns jogadores de posição onde eles são muito importantes. Falou de um jogador que para nós tem sido fundamental e eu espero que seja ainda mais fundamental, que é o Fredy [Aursnes], como falou. E não querendo estar aqui a desviá-lo para posições em que nós achamos que ele não será tão influente, apesar de ele praticamente fazer todas e bem. Essa é que é a realidade. Mas sim, estará fora, resumindo, estará fora e é um processo que está em curso, possivelmente mais perto de acontecer do que não acontecer. Portanto esperar pelo feedback e pelas notícias aqui do Sport Lisboa e Benfica. Em relação ao jogo, não estará envolvido no jogo.

Dedic é um jogador que o Benfica não queria perder.

Sporting e FC Porto já venceram os seus jogos, isso funciona psicologicamente contra o Benfica? Até porque o próximo jogo da equipa foi adiado e não vencendo há risco de fosso pontual.
—  Percebo claramente a questão e faz sentido olhar de certa forma dessa forma para aquilo que é a classificação. Nós não podemos e não controlamos aquilo que se passa nos outros campos e dos nossos adversários. Depois de termos empatado o primeiro jogo do campeonato, este jogo tem uma importância muito grande para nós por isso mesmo. Nós temos de reagir. Nós sabemos da forma como aconteceu o resultado, daquilo que nós fizemos de muito positivo também, com algumas questões negativas que tiveram um peso tremendo e, na minha opinião, injusto no resultado. Mas nós não vivemos de vitórias morais, não basta só jogar bem, ter um caudal ofensivo e oportunidades que nos dá a possibilidade de ganhar o jogo. Temos de ser fortes em muitos desses momentos e não só num ou dois momentos, em tudo, de uma forma global como equipa. Duas questões diferentes em relação à questão de termos adiado o jogo: foi uma decisão que nós tomamos consciente e nós sabemos que sendo Benfica e olhando para a classificação em alguns momentos tendo jogos em atraso não é muito agradável se houver um atraso. Isso faz parte e nós sabemos perfeitamente disso, mas temos de ser fortes o suficiente enquanto clube para percebermos que esses adiamentos podem ter aqui um impacto na classificação que possa ser momentâneo se nós fizermos o nosso trabalho depois quando chegar a altura de jogarmos esse mesmo jogo. Portanto, isso é uma questão diferente. Em relação à questão dos nossos adversários já terem jogado, é bom que nos habituemos a isso, porque estando envolvido – e nós queremos estar envolvidos – na Liga Europa, como temos estado em qualificações mas queremos estar envolvidos na fase de grupos e depois posteriormente a isso, por isso é que temos de fazer bem o nosso trabalho durante a próxima semana depois do jogo com o Casa Pia. Sabendo nós que temos de jogar muitas vezes à quinta-feira, isto vai ser uma constante do nosso jogar e não podemos estar condicionados a esse aspeto porque, não querendo dizer quase sempre, acho que 90% dos jogos esta época nós vamos jogar depois dos nossos principais rivais e isso não nos pode condicionar de maneira nenhuma. O que nos pode condicionar é aquilo que nós podemos controlar, que são os nossos resultados. Claramente não escondendo: vimos de um resultado negativo para nós quando empatamos em casa depois de estar duas vezes em vantagem e há que reagir. Mas é a esse mesmo resultado, retirar as coisas boas que fizemos que foram em muito bom número, colocá-las no campo, corrigir aquilo que não fizemos tão bem e que nos penalizou bastante durante o jogo. Em relação ao resto, não controlando não há que gastar energia com isso.

Aursnes está disponível para este jogo?
— Falei do Fredy, não queremos, se tivermos que utilizar em várias posições iremos utilizar, mas estamos claramente a pensar nele onde nós sentimos que ele é mais forte, que é claramente no centro do terreno. Não, não estará envolvido ainda no jogo amanhã. O Fredy não estará.

No final do jogo da Escócia, Lukebakio disse que queria ficar no Benfica. Qual a importância que o jogador tem para a temporada?
— Acho que não havia da parte pessoal dele muito a clarificar, sinceramente. Ele não teve absolutamente nenhum feedback da nossa parte nem numa direção nem noutra. Ele é nosso jogador, é jogador sob contrato, chegou mais tarde por causa do Mundial e tem que fazer um pouco como os outros, que é lutar pelo seu espaço, provar que tem capacidade para ser decisivo, tem capacidade para ser uma peça importante para nós. É o que ele tem que fazer. Fizeram-lhe a pergunta e ele simplesmente deu a sua opinião e a sua vontade. Acho que aqui não foi clarificar porque não houve da nossa parte nada a clarificar. Aquilo… todas as decisões que eu possa ter tomado, tomar ou vier a tomar são decisões que eu acho que é o melhor para o Benfica e não é colocar aqui os jogadores numa posição que possam ou não ter que clarificar. Essa é a primeira questão. Mas pronto, se ele como lhe foi perguntado disse claramente que estava feliz e que gostava de estar aqui e que não tinha nenhuma indicação da nossa parte em sentido contrário, portanto basicamente por aí. Foi o primeiro jogo dele a começar, o primeiro jogo dele a começar, sentiu-se na última parte um pouco mais, independentemente de ter feito o golo, na altura que faz o golo até senti que tinha cãibras já e na altura mesmo no momento do festejo e quando o estamos a retirar, a substituição dele já estava preparada naquele momento, estava com muitas dificuldades físicas. Não nos surpreende, chegou mais tarde, precisa claramente de jogo. O ano passado também não jogou muito com a lesão que teve, teve alguns bons e importantes momentos no Mundial, mas não de uma forma constante também. Começou um jogo no Mundial, acho que não estou em erro só começou um jogo durante o Mundial, portanto é um jogador que precisa claramente de muito treino, de muito jogo para estar bem fisicamente para nos poder ajudar. Simplesmente isso.

Com as saídas de Dedic e de António Silva, o Benfica consegue um encaixe no imediato de cerca de 55 milhões de euros. Para onde é que parece que é prioridade direcionar já este dinheiro? Acha que precisa de um perfil diferente para a posição 6, se quiçá precisa de um João Palhinha?
— Há algumas posições urgentes, não há que escondê-lo e nós… basta olhar e vocês fazem o vosso trabalho e bem. Analisam não só o nosso plantel como o plantel dos outros clubes e algumas posições em que possivelmente poderemos ter um maior número de jogadores e que independentemente da valia desses mesmos jogadores – o Dedic é um bom exemplo, é um jogador de grande valia, fez uma excelente temporada, um jogador como disse há pouco que nós Benfica gostamos muito e não gostaríamos de o perder, mas se tiver que acontecer irá acontecer por outro tipo de questões. É óbvio que perdendo o António ainda não substituímos o António, portanto é uma posição que como vocês sabem que será muito importante para nós contratarmos e contratarmos bem para aquela posição. E há outras, eu não vou estar a especificar qual é a posição ou as posições que ainda vamos tentar reforçar, mas naturalmente há algumas que temos de reforçar e tentar reforçar para que possamos – e a ideia é sempre essa – sermos mais fortes como equipa. Algumas questões individuais e perfis de posição que para mim são muito importantes em algumas, naquilo que nós queremos na forma como nós queremos jogar, na forma como queremos atacar, como queremos defender, como queremos ter comportamentos coletivos como equipa. E o que nós estamos a tentar fazer, neste caso a estrutura do Benfica está a tentar fazer, é colocar esses mesmos jogadores à nossa disposição dentro do perfil daquilo que eu já indiquei à direção. Não respondo especificamente à questão do João [Palhinha], porque vocês sabem que eu não vou estar a individualizar um jogador A, B ou C não sendo jogadores do Benfica, como vocês já perceberam.

Mas essa posição 6 é das tais mais urgentes?
— Não vou… não vou dizer se é a posição e não porque também já tinha falado em mais posições e não vou estar a dizer aqui porque nós temos claramente na nossa cabeça e na nossa ideia aquilo que pretendemos. Não vamos estar aqui a especificar a posição A, B, C ou D.

—  Marco Silva é visto pelos benfiquistas como um bom comunicador. Existem até opiniões que dizem que o Marco Silva parte com vantagem em relação aos principais rivais, neste caso o Rui Borges e o Francesco Farioli. Concorda?
— Não, isto aqui não há que… eu quero é ser um bom treinador para o Benfica. E ser um bom treinador para o Benfica é dar o melhor de mim todos os dias para que o Benfica seja mais forte. Esse é o meu objetivo e será sempre a minha prioridade em todos os aspetos que eu acho que são importantes para quem está sentado nesta cadeira a representar um clube como o Sport Lisboa e Benfica. Esta é a minha prioridade. Quando falo convosco tento ser o mais transparente possível naquilo e até onde posso ir, como vocês devem calcular. O meu objetivo é defender sempre o clube e os meus jogadores ao máximo que eu conseguir. E como vocês percebem, muitos destes momentos também falo para quem é muito importante para mim ou para nós enquanto clube, que são os nossos adeptos e os nossos sócios. Basicamente é um momento de os usar para esse mesmo objetivo. Depois, já percebi – e estando há sete semanas no Benfica – que depois vocês usam da forma como acham e como compreendem que muitas vezes eu posso não querer dizer uma coisa e vocês sentirem ou levarem para esse lado que eu estou ou a dar recados ou a fazer isto ou a fazer aquilo. Não é esse de todo o objetivo. O objetivo é ser o mais claro convosco e acima de tudo com os nossos adeptos e essa é a grande arma que este espaço me dá, sinceramente. É quando falo convosco e quando analiso jogos convosco, também tentar que vocês não vejam o jogo diferente daquilo que eu vi também ou tentar explicar um jogo diferente daquilo que se passou dentro do campo. Esse é o meu objetivo e nada mais. Não vou estar a entrar em comparações com absolutamente ninguém. Dizer-lhe claramente que é um espaço que eu tento utilizar para analisar friamente sem grandes jogos por baixo aquilo que é a minha opinião a cada pergunta que me fazem, seja de jogo, seja de preparação para o jogo com este caso, seja do jogo anterior ou do resultado anterior como falamos há pouco ou da posição na tabela também como falamos há pouco. Esse é o meu grande objetivo enquanto estou aqui sentado convosco e, como vocês já perceberam, não vou entrar em comparações. E resumindo: quero ser um bom treinador e se puder ser de uma forma global para o Benfica, é esse o meu objetivo todos os dias que trabalho nesta casa.

Quais os motivos para Kaminski, que era titular, estar a ter menos minutos nesta altura?
— Acho que é bem simples perceber. O primeiro chama-se Prestianni, o segundo chama-se Andreas Schjelderu – é competitividade. Chama-se a isso competitividade. A partir do momento que, como disse, ele chegou, foi titular num momento em que basicamente o colocamos a jogar sem ele conhecer muitas das nossas ideias, sem se ter apercebido bem da grandeza do clube, independentemente de toda a gente no mundo conhece o que é a grandeza do clube. Quando aqui chegas tens que ter tempo se puderes te adaptar, de perceberes algumas dinâmicas. E ele chegou e passado pouco tempo estava a jogar os jogos no Algarve com muito pouco tempo de preparação, mas aquele era o momento para o colocarmos. Vocês sabiam como estávamos de soluções para os corredores naquele momento sem o Prestianni poder começar jogos oficiais e com a ausência do Andreas e do Dodi [Lukebakio]. E essa foi a razão. Dizendo-lhe claramente, e isto vou dizer também em relação a outras posições também, se me perguntar porque é que o Durán não está a jogar, a razão chama-se primeiro é a minha decisão e depois chama-se Pavlidis. E porque é que o Kaminski não está a ter tantos minutos como falou ou como teve no começo, a resposta é simples: é ele ter que ganhar a posição ao Prestianni que fez excelentes jogos, ao Andreas que é um excelente jogador para nós também. E ele como muito bom jogador ele vai ter que ganhar a posição, demonstrar a sua qualidade. Um pouco o que é uma resposta básica da minha parte, mas é a realidade e é como eu vejo uma equipa e como vejo uma competição entre jogadores.

O Benfica não venceu nas últimas duas deslocações a Rio Maior, terreno do Casa Pia. Pergunto-lhe se esse é um dado que tem em conta na preparação para o jogo e se conseguiu identificar o motivo.
—  Não, para tentar identificar o motivo tinha que ver esses jogos todos, adversários diferentes, com treinadores diferentes. Se eu quisesse puxar um bocadinho o fio atrás só para o último jogo que foi jogado lá, com um treinador diferente do que está neste momento no Casa Pia, com uma estrutura completamente diferente, poderia dar para entender algumas questões, mas questões de fundo daquilo que me pode fazer ou dar algumas garantias que poderemos ganhar o jogo não me vai dar muito. Como deve ter calculado, vi o jogo, mas em termos daquilo que é a dinâmica do nosso adversário, aquilo que vai ser a nossa dinâmica, são questões diferentes. Duas equipas técnicas completamente diferentes da temporada passada. Falou dos resultados, os últimos resultados lá mesmo o primeiro treinador que teve um bom resultado com o Benfica também já não era o do ano passado, portanto dinâmicas completamente diferentes. A única questão aqui que é coincidente tem a ver com os dois clubes que se vão defrontar novamente. Os resultados não foram todos positivos para nós, mas nós não temos que pensar nisso. Nós temos que pensar é como temos que reagir a um mau resultado. Nós não ganhamos na primeira jornada e um clube grande como somos tem que reagir rapidamente e reagir no jogo seguinte, e o jogo seguinte é com o Casa Pia. E é uma coincidência que nós não tivemos bons resultados nos últimos três jogos com eles, portanto temos que alterar isso e é isso que temos que provar dentro do campo.



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