Farioli aborda o mercado, Torreense, arbitragem e a reinvenção do FC Porto


Francesco Farioli abordou alguns temas da atualidade em entrevista à RTP, concedida no âmbito da Supertaça Cândido de Oliveira, agendada para sábado, às 20h15, no Estádio Cidade de Coimbra, frente ao vencedor da Taça de Portugal, o Torreense.

— Há alguma responsabilidade acrescida por parte do FC Porto por ser o campeão nacional e o detentor do título, frente a uma equipa como o Torreense, que ganhou a Taça de Portugal sendo do segundo escalão? Sente que há algum fator acrescido para a sua equipa neste jogo da Supertaça?

— Numa final, joga-se para ganhar e com o desejo de conquistar o troféu. Temos de ser muito respeitadores do percurso que o Torreense fez. Chegaram ao fim, bateram uma equipa muito forte e qualificaram-se para as competições europeias, fazendo algo absolutamente incrível e marcante. Neste mercado, já provaram que têm ambição, estão a refrescar a equipa e o plantel. Será um jogo que exige muita atenção e respeito da nossa parte. Do nosso lado, jogaremos com o desejo de vencer um troféu que é extremamente importante para nós.

— É possível acontecer ao FC Porto o que aconteceu ao Sporting na final da Taça frente ao Torreense, ou seja, serem surpreendidos? Essa preocupação fez parte da sua preparação para este jogo?

— Esse exemplo está nas nossas memórias. Tivemos uma época de muito sucesso, mas ainda temos algumas cicatrizes das duas derrotas que sofremos contra o Casa Pia e o Aves. Isso é um aviso claro de que nunca podemos baixar a tensão. O futebol é um jogo que amamos também pelos resultados inesperados. O facto de sermos favoritos não pode mudar a nossa mentalidade nem a nossa abordagem. O favoritismo é apenas no papel. Quando o jogo começa, está 0-0. Temos de competir arduamente e lutar por cada bola, porque, no futebol, um único lance pode determinar o resultado final.

— Estamos a arrancar uma nova temporada. Que FC Porto vamos ter? Um Porto muito semelhante ao da época passada ou há necessidade de se reinventar um pouco para surpreender os adversários e não se tornar previsível?

— É preciso encontrar o equilíbrio certo. A prioridade é manter a mesma fome, o mesmo desejo e o mesmo impacto competitivo que tivemos na época passada. Não há outro caminho e os jogadores estão cientes disso. O nosso nível de exigência mental e física será o mesmo. Taticamente, há áreas que temos de melhorar e coisas que queremos fazer melhor. Por vezes, trata-se de mudar ou acrescentar alguns detalhes; outras vezes, é fazer as mesmas coisas de forma ainda melhor e mais fluida do que antes.

— Até que ponto é desconfortável para um treinador ter jogos oficiais com o mercado ainda aberto? Como lida com essa situação?

— Infelizmente, é assim para todos os treinadores do mundo. Adoraríamos que o mercado fechasse antes do início das competições oficiais. É um debate que se repete várias vezes, até porque a maioria das transferências acaba por ser feita nos últimos dias. É sempre complicado, porque não se trata apenas de contratar um jogador ou um nome; é preciso integrá-lo no plantel, criar as rotinas certas e colocá-lo na condição física ideal para ajudar a equipa. Idealmente, preferíamos ter todos os jogadores o mais cedo possível.

— Disse que era preciso ter jogadores identificados para as posições necessárias. Tem-se falado muito de um lateral-esquerdo e de um ponta de lança. São alvos identificados para o Porto atacar até ao final de agosto?

— Estamos num mercado que, do nosso lado, está a demorar algum tempo. O mercado é assim: há situações que estão sob controlo e outras que temos de gerir de forma diferente. O que é certo é que todos no clube estão conscientes das nossas necessidades e do que temos de fazer. Estou à espera dos jogadores que sabemos que gostaríamos de ter aqui para elevar o nível da equipa e sermos competitivos em todas as competições.

— São então essas as posições: um defesa-esquerdo e um ponta de lança?

— Essas posições são uma conversa interna. Se eu confirmar algo publicamente, talvez surjam pedidos de valores extra e não estamos em condições de desperdiçar dinheiro.

— Quer contratar, mas não quer perder jogadores até ao final de agosto?

— O mercado é o que é. Dos jogadores que estão aqui no Olival, diria que 95% estão muito felizes por ficar. Alguns outros estão a considerar opções diferentes para terem mais minutos ou ganharem experiência. Mas espero que a maioria da equipa e os jogadores mais importantes fiquem connosco para construirmos uma base sólida, não só para esta época, mas para o futuro do clube. O que fizemos no passado já passou. Temos de olhar em frente com a consciência de que o nível de competição interna e externa será maior e mais exigente. O meu trabalho é preparar bem a equipa no campo e o clube trabalha fora dele para reforçar as posições que consideramos cruciais. Daqui a dois dias jogamos um troféu e em oito ou nove dias começa o campeonato. Mesmo com o mercado aberto, os primeiros jogos serão muito relevantes.

— O presidente André Villas-Boas falou da questão da arbitragem e de tudo o que gravita em torno dela a poucos dias do arranque oficial da época. Isto pode manchar o que se pretende para o futebol português no início de uma nova temporada?

— Já se disse muito sobre arbitragem na época passada e muita coisa está a acontecer agora. Eu tenho de preparar uma final, por isso a minha atenção está totalmente aí. Ainda há pouco saí de uma reunião onde nos explicaram as alterações às leis do jogo. Por vezes, as próprias regras não facilitam a vida aos árbitros; há adaptações que são bastante complicadas. O trabalho dos árbitros não é fácil. Desejo-lhes boa sorte para a temporada e espero que as coisas corram melhor.

— Qual é a importância de ganhar esta Supertaça para o FC Porto?

— Esta taça é a última ligação à nossa época anterior, pois estamos aqui devido ao título que conquistámos. Se fizermos bem o nosso trabalho, este troféu pode levar o clube a ser, sem qualquer discussão, o clube com mais títulos em Portugal. Essa é a motivação que temos de ter. No entanto, jogar com o escudo de campeão no peito não nos dá vantagem nenhuma; traz-nos apenas mais responsabilidade. Começamos do zero. Temos de ter o mesmo espírito e a mesma fome, porque isso é o ADN do Porto. É o que nos torna bem-sucedidos e o que nos deixará mais próximos dos nossos objetivos.



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