Gostava que Luis Suárez fosse português…


Reza a lenda que o epitáfio de monsieur Jacques de La Palice (ou La Palisse, se quisermos) era o seguinte: «O Senhor de La Palice/morreu em frente a Pavia/momentos antes da sua morte/ainda estava vivo». O meu, espero que daqui a uns anitos, será uma lapalissada parecia a esta: «Uma coisa é a pré-época, outra coisa é a competição». Que interessa esmagar, trucidar, golear, amassar e quaisquer outros verbos similares na pré-época, se, em competição, tudo muda? O Sporting, na pré-época, esmagou, trucidou, goleou, amassou. Porém, quando os jogos a doer começaram, titubeou. A culpa (pelo menos parte dela) é do Estrela da Amadora. Que aceitou a superioridade leonina inicial, mas que depois, quando Pepa sentiu que estava na hora, foi para cima do Sporting. E, se mais minutos houvesse, bem pior poderia ter sido a entrada em cena dos leões.

Outra lapalissada, embora esta não para epitáfio: «O senhor Rafael Nel / marcou golos em barda na pré-época / Mas na ficha do Estrela-Sporting / Não saiu do papel». Se Luis Suárez é ainda uma sombra do Luis Suárez 25/26 e se Ioannidis continua a ser parecido com o Ioannidis 25/26, que tal dar uns minutinhos a Rafael Nel 26/27? Parece-me justo. Outra lapalissada: «O senhor Flávio Gonçalves / estava a ser um dos melhores leões / mas Borges tirou-o à hora de jogo / acabando com as ilusões». Por fim, mais a sério, é como diz um amigo meu: «Não tenho estudos para entender».

Estudos para entender Rui Silva, Eduardo Quaresma e Gonçalo Inácio tem Jorge Jesus, o novo selecionador nacional. Esteve presente na Reboleira a ver o Estrela-Sporting, com sete portugueses em campo: Rafa Soares, Santiago Serra, Rui Silva, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Rodrigo Dias e Flávio Gonçalves. À primeira vista, para os jogos de setembro/outubro (Gales, Noruega, Dinamarca e, de novo, Noruega), apenas três destes sete estarão no pensamento de JJ: Rui Silva, Gonçalo Inácio e Eduardo Quaresma. Três que precisam de afinar, digamos assim, alguns pormenores (ou até pormaiores).

O guarda-redes do Sporting foi um upgrade relativamente a Franco Israel, mas continua a não ter a regularidade de nível médio-alto de que os leões precisam para a baliza. É uma espécie de Trubin do Sporting: muitos bons jogos com falhas comprometedoras em alguns jogos decisivos. Como frente ao Estrela da Amadora: grande mancha a evitar o 3-2, mas antes muito mal no 2-2…

De Gonçalo Inácio, com quase 25 anos, continuamos à espera que dê mais um salto qualitativo. Teve regularidade média-alta nas defesas a cinco (com Coates), mas só regularidade média nas defesas a quatro (sem Coates). Na Seleção Nacional, quando Pepe saiu, esperava-se Gonçalo Inácio e apareceu Renato Veiga. Pé esquerdo fantástico, muito bom nas bolas paradas ofensivas, mas falta-lhe mais consistência de alto nível.

Euardo Quaresma é diferente. Fez uma pequenina travessia do deserto (Sporting-Tondela-Hoffenheim-Sporting) e agora, sem Diomande e ainda sem Ibrahima Ba e Debast e com Felicíssimo entre o meio-campo e a defesa e a equipa principal e a B, assumiu-se como titular. O seu rendimento nos jogos é sempre muito semelhante: brilhante em 99 por cento do tempo de jogo, mas sempre com uma nódoa no seu pano.

PS: Gostava que Luis Suárez fosse português e levasse com Jesus na Seleção. Acalmava logo…



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