O chefe de arbitragem da UEFA, Roberto Rosetti, manifestou o seu descontentamento com o estado atual do videoárbitro (VAR), afirmando que algumas revisões de lances «não estavam relacionadas com o futebol». A crítica surge após uma reunião com os responsáveis das principais ligas europeias e no âmbito do lançamento do Clear Line, um novo portal destinado a esclarecer os adeptos sobre a intervenção da tecnologia.
Rosetti, antigo árbitro que apitou a final do Euro 2008, reuniu-se com os principais árbitros de Inglaterra, Espanha, Alemanha, França e Itália, assim como com David Elleray, diretor técnico do IFAB, na tentativa de uniformizar a aplicação do VAR.
«Percebemos que, em todo o lado, não há satisfação sobre o impacto do VAR no futebol», afirmou Rosetti. «Queremos evitar situações microscópicas. O contexto é muito importante. Isto é futebol, não é PlayStation. Temos de ter muito cuidado», apontou.
Roberto Rosetti, chefe de arbitragem da UEFA
O responsável italiano defende que o árbitro deve continuar a ser a figura central no jogo, com o VAR a intervir apenas em «situações claras e erros evidentes». Rosetti lamentou o excesso de revisões, que, segundo ele, está a influenciar o comportamento dos jogadores, levando-os a tentar simular faltas para provocar a intervenção do VAR.
A inconsistência na aplicação das regras, especialmente no que toca a lances de mão na bola, continua a ser um dos maiores desafios. Os dados da última época revelam grandes disparidades: a Premier League foi a liga com a interpretação mais permissiva, assinalando uma grande penalidade por mão na bola a cada 17,27 jogos. Em contraste, a Liga dos Campeões registou a maior frequência, com um penálti a cada sete jogos.
As diferenças estendem-se à frequência de intervenção do VAR. Na época 2025/26, a Premier League teve a taxa mais baixa da Europa, com 0,29 intervenções por jogo, enquanto na Liga dos Campeões o valor subiu para 0,47.
«Queríamos regressar à origem do VAR», explicou Rosetti, evocando o famoso golo da «Mão de Deus» de Maradona no Mundial de 1986: «Já não estamos satisfeitos com este tipo de utilização do VAR. Queremos tentar recuar um pouco e colocar novamente os árbitros no centro.»
Outra grande preocupação é o tempo gasto nas revisões, que Rosetti considera prejudicial para a credibilidade do sistema. O italiano defende que qualquer verificação que ultrapasse os 90 segundos «arrisca-se a perder credibilidade». Foi acordado um novo protocolo para as revisões no monitor: o árbitro verá uma imagem congelada do ponto de contacto, seguida de uma repetição a meia velocidade e, por fim, em velocidade normal para avaliar a intensidade.
Para ajudar a clarificar os critérios, a UEFA lançou o portal Clear Line, descrito por Rosetti como «um guia para todas as pessoas do futebol» e não uma ferramenta para árbitros. A plataforma, que inclui vídeos exemplificativos, detalha as situações em que o VAR deve intervir, como penáltis, cartões vermelhos ou erros de identidade.
«Começámos a pensar em como poderíamos ajudar toda a gente a entender melhor o VAR», disse: «Isto é para os clubes, para os jogadores, para os adeptos.»











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