À quarta foi de vez! Depois de abordagens a Carlo Ancelotti, Pep Guardiola e Andrea Pirlo, Roberto Mancini foi contratado para o cargo de selecionador de Itália e reestruturar um país que, em termos futebolísticos, está em cacos. A visão é de longo prazo e, olhando para a primeira passagem do campeão europeu de 2021 pelo banco transalpino, a aposta em jovens vai continuar.
Campeão caído em desgraça
A primeira passagem de Mancini pela seleção foi uma montanha-russa de emoções. O ponto alto foi, sem dúvida, o inesquecível ano de 2021, que culminou com a conquista do Campeonato da Europa em Wembley, frente à Inglaterra. O futebol vertical e atrativo da equipa e o título europeu fizeram a Itália sonhar novamente, após a humilhação de falhar a qualificação para o Mundial de 2018 (algo que não acontecia desde 1958).
Durante este período, a seleção italiana estabeleceu um recorde histórico de 37 jogos consecutivos sem perder, uma marca que só recentemente foi superada pela Espanha. Mancini era visto como o herói da renovação do futebol italiano.
Contudo, o sonho desfez-se de forma dramática. A derrota por 1-0 contra a Macedónia do Norte, em Palermo, em março de 2022, no play-off de apuramento para o Mundial do Qatar, ditou a segunda ausência consecutiva da Itália na maior competição de seleções. Apesar do fracasso retumbante, a Federação Italiana de Futebol (FIGC) decidiu manter a confiança no treinador para liderar o futuro da equipa
A verdadeira rutura, porém, não aconteceu devido a resultados desportivos. Em pleno mês de agosto, Mancini surpreendeu a federação ao apresentar a sua demissão através de um e-mail. A justificação inicial apontava para a necessidade de maior autonomia e um papel mais central no processo de renovação da seleção.
Esta versão durou pouco tempo. Dias depois, foi revelado que o destino do técnico era a Arábia Saudita, onde o esperava um contrato de 25 milhões de euros anuais. Para muitos adeptos e críticos, a decisão foi vista como uma traição, disfarçada de divergências de gestão.
Este regresso já foi criticado por Fabio Capello, refletindo um sentimento que também começa a marcar a segunda era Mancini. «Para mim, é incrível que ele possa retornar. Como é que deixas a seleção nacional sem nenhuma razão para ires receber dinheiro da Arábia Saudita? Atenção, não questiono a habilidade do Mancini como treinador, mas o que ele fez foi muito grave», afirmou Capello à Gazzetta dello Sport.
Repetir o que já foi feito
Giovanni Malagò, presidente da FIGC, confirmou ontem que o foco da seleção tem de passar pela aposta, sem receios, em jovens e neste aspeto, a contratação de Mancini faz todo o sentido.
Na primeira passagem pela seleção, Mancini não teve medo em convocar vários jogadores à seleção principal pela primeira vez, mesmo que ainda nem jogassem… nas equipas principais. Os casos de Nicolò Zaniolo e Sandro Tonali são os que saltam à vista: ambos foram chamados por Mancini quando ainda nem sequer tinham jogado na Serie A. Agora, o primeiro desafio será a Liga das Nações e um grupo com Bélgica (jogo da reestreia de Mancini, dia 25 de setembro), Turquia e França. Para o ano começa a qualificação para o Euro 2028, mas a qualificação par o Mundial de 2030 é que vai marcar a versão 2.0 da Itália de Mancini.











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