Crédito, Marcos Moreno/Anadolu via Getty Images
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- Author, Felipe Llambías e Isabel Caro
- Role, BBC News Mundo
- Author, Alicia Curry e Sofia Ferreira Santos
- Role, BBC News
- Author, Sarah Rainsford
- Role, Correspondente da BBC para o Sul e Leste da Europa
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Published
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Tempo de leitura: 7 min
O premiê descreveu a situação como “sem precedentes” e culpou as “máfias de tráfico humano” pela “avalanche” de pessoas que entraram irregularmente no enclave espanhol no norte da África.
Vídeos e fotos mostraram milhares de pessoas nadando em direção à cidade na quinta-feira (30/7). As travessias continuaram durante a madrugada desta sexta-feira (31/7), com alguns confrontos entre a polícia e os imigrantes. Imagens compartilhadas online mostram milhares de jovens dormindo nas ruas.
Ainda segundo o Ministério do Interior da Espanha cerca de 37.500 pessoas já haviam retornado ao território marroquino nesta sexta-feira, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE.

A onda de travessias recente ocorre após a Suprema Corte da Espanha ter decidido, neste mês, que imigrantes interceptados no mar enquanto tentam chegar a Ceuta ou Melilla, outro enclave espanhol, não podem ser sumariamente devolvidos a Marrocos.
“Esta é a situação: parece que esta interpretação da sentença se espalhou como fogo em palha nas últimas horas e produziu uma avalanche do tipo e da escala que vimos ontem”, disse Sánchez, apontando para a decisão judicial do Supremo espanhol.
Ele afirmou que “o governo espanhol utilizará todos os recursos do Estado” para garantir a segurança dos cidadãos de Ceuta, agradecendo também ao governo marroquino pela sua cooperação.
Na quinta-feira, tropas do Exército foram mobilizadas para garantir a segurança em Ceuta. Antes disso, o chefe do governo local pediu ajuda à administração central.
Vários líderes europeus expressaram preocupação, alguns prometendo reforçar o controle nas fronteiras. O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, e o presidente francês, Emmanuel Macron, ofereceram ajuda à Espanha.
Crédito, EPA
A estimativa das autoridades espanholas sugere que o número de imigrantes que entraram em Ceuta nas últimas 24 horas pode ser superior à metade da população da cidade, que gira em torno de 83.600 habitantes.
Por sua vez, o presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, disse que os recém-chegados representavam cerca de 70% da população da cidade.
O Ministério do Interior da Espanha informou à BBC que suas estimativas eram ligeiramente menores, citando 50 mil chegadas desde as primeiras horas da manhã de quinta-feira.
Autoridades afirmam ainda que pelo menos 7 mil dos que cruzaram ilegalmente para o território nas últimas 24 horas são menores de idade. Segundo a agência de notícias espanhola EFE, havia na quinta-feira uma fila de quase cinco quilômetros de extensão na fronteira, com milhares de pessoas aguardando para atravessá-la.
Zakaria Zarroqui, ativista pelos direitos dos imigrantes, disse à agência de notícias Reuters na quinta que muitas pessoas continuavam se dirigindo em massa à cidade marroquina de Fnideq para, depois, tentar atravessar para Ceuta.
“A situação continua fora de controle neste exato momento”, afirmou Zarroqui.
A agência de notícias AFP registrou imigrantes comemorando após entrar em território europeu, agradecendo à polícia espanhola e gritando: “Adeus, Marrocos. Olá, Espanha”.
Já durante a noite, centenas de pessoas se reuniram em Fnideq depois de ouvirem rumores de que a fronteira estava aberta, informou a AFP.
A BBC Verify analisou dados sobre migração divulgados pela ONU, que indicaram que 2.826 pessoas haviam entrado em Ceuta até 15 de julho deste ano, com outras 181 entrando por Melilla.
O número de migrantes que cruzaram para esses dois territórios já era elevado em comparação com anos recentes, nos quais foram registradas as entradas de 994 migrantes em 2025, 476 em 2024 e 467 em 2023.
O trajeto dos imigrantes
Normalmente, para tentar entrar em Ceuta, os migrantes nadam vários quilômetros a partir de pontos mais distantes da costa do Marrocos.
Desta vez, eles parecem ter conseguido chegar perto da própria cerca da fronteira com facilidade. Inicialmente, alguns chegaram a caminhar pelas pedras do quebra-mar e contornar sua extremidade, mas a maioria teve que nadar para fora e dar a volta para alcançar as praias do outro lado.
Não está claro onde estavam os guardas de fronteira marroquinos naquele momento nem por que os grupos de migrantes não foram dispersados ou impedidos de avançar.
Um migrante disse à agência de notícias Reuters que estava retornando ao Marrocos, acrescentando: “Não é nada bom, e também não tem graça nenhuma. Tem gente morrendo aqui. Eu imploro: por favor, se você ainda não veio, não venha. Não faça isso.”
A imprensa local relatou caos nas ruas de Ceuta desde quinta-feira. Um morador disse ao jornal espanhol ABC que as pessoas estavam assustadas.
“Ninguém está saindo às ruas. Elas estão com medo. Isso é mais intenso e agressivo do que o que já vivenciamos antes”, disse um segurança.

Ceuta pede ajuda do Exército
Juan Jesús Vivas, do Partido Popular, de centro-direita, disse ainda na quinta-feira que o fluxo de imigrantes estava sobrecarregando a estrutura da cidade e pediu que o governo central tomasse providências.
Sánchez respondeu e disse que estava mobilizando recursos para lidar com a situação em cooperação com o Marrocos. As autoridades de Ceuta, porém, pediram que ele declarasse estado de emergência nacional e enviasse o Exército para fechar a fronteira.
Vivas lembrou um episódio ocorrido cinco anos atrás, quando a cidade autônoma enfrentou uma crise sem precedentes, com milhares de imigrantes atravessando por dia. Na ocasião, o governo espanhol enviou soldados e tanques para conter o fluxo de pessoas.
“Se não forem adotadas medidas adequadas e proporcionais à dimensão e à gravidade do problema, e se a intensidade do fluxo de entradas for mantida, em breve poderemos chegar a números semelhantes aos registrados no episódio de maio de 2021”, afirmou.
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Vivas também pediu que fosse restabelecido, na lei de imigração, “o mecanismo legal que permitia rejeitar na fronteira pessoas que tentavam entrar por via marítima”.
“Esse mecanismo foi perdido como consequência da interpretação que o Tribunal Supremo fez da lei”, afirmou. “Estamos em uma situação de emergência humanitária e social total.”
Diante do pedido, o Ministério do Interior informou ainda na quinta na que enviaria agentes para reforçar os controles.
“As Forças Armadas vão reforçar a Guarda Civil no exercício de suas competências e em quaisquer outras que sejam necessárias para manter a segurança na cidade de Ceuta”, afirmou o ministério em comunicado.
Enquanto isso, o líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, pediu um “desdobramento massivo de recursos” e acusou o governo de Sánchez de ter apresentado uma “versão desmentida pela realidade”.
“A situação que Ceuta enfrenta é uma avalanche sem precedentes. Começou na segunda-feira e continua se agravando. A versão do governo sobre uma solução rápida está sendo desmentida pela realidade”, disse Feijóo em comunicado.
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Declarações polêmicas de Meloni
Após a divulgação das imagens da chegada em massa de imigrantes a Ceuta, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e seu ministro das Relações Exteriores se mostraram favoráveis a uma possível suspensão do acordo de livre circulação de fronteiras que vigora na União Europeia, conhecido como Acordo de Schengen.
“As imagens que chegam de Ceuta são impactantes e demonstram, mais uma vez, que a imigração ilegal sem controle representa uma ameaça concreta à segurança das fronteiras europeias”, escreveu Meloni em suas redes sociais.
“Estamos convocando os órgãos competentes e, após essas reuniões, estamos preparados para agir — inclusive por meio de medidas extraordinárias — para defender nossas fronteiras e garantir a segurança dos cidadãos, como, por exemplo, suspendendo o Acordo de Schengen com a Espanha”, afirmou a primeira-ministra.
“Não vamos ceder nem um centímetro na questão da imigração ilegal: a defesa das fronteiras, o combate aos traficantes de pessoas e a garantia de repatriações efetivas continuarão sendo a política deste governo”, disse.
Diante disso, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, convocou o embaixador da Itália no país.
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