O Irã afirmou nesta segunda-feira (1º) que interrompeu as negociações com os Estados Unidos devido aos recentes ataques de Israel contra o Líbano, segundo a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária. Se confirmado, o anúncio aumenta as incertezas em torno de um possível fim para o conflito, iniciado em 28 de fevereiro, e amplia a pressão sobre o presidente Donald Trump.
De acordo com o comunicado, as conversas indiretas entre negociadores ficarão suspensas até que o cessar-fogo seja devidamente cumprido. O presidente dos EUA afirmou em entrevista à emissora NBC News que não recebeu nenhuma informação dos iranianos indicando a suspensão das negociações com Washington, mas acrescentou que está disposto a esperar.
“Acho que temos falado demais, para dizer a verdade. Acho que ficar em silêncio seria muito bom”, disse Trump em entrevista à NBC News. “Isso não significa que vamos sair por aí lançando bombas por toda parte. Nós simplesmente ficaremos em silêncio. Manteremos o bloqueio.”
Mais tarde nesta segunda, Trump afirmou não se importar com a suspensão das negociações. “Não me importo se acabaram, sinceramente. Realmente não me importo. Não poderia me importar menos”, disse em entrevista por telefone à emissora CNBC.
Segundo a agência Tasnim, Teerã e o que chamou de sua “frente de resistência”, que inclui grupos aliados no Iêmen, no Líbano e no Iraque, definiram uma estratégia para bloquear completamente o estreito de Hormuz e ativar outras frentes de conflito, incluindo o estreito de Bab el-Mandeb.
A passagem, localizada na costa do Iêmen, é um dos principais gargalos do transporte marítimo global e controla o fluxo de navios em direção ao canal de Suez. Os houthis, grupo armado aliado do Irã que controla partes do Iêmen, poderia, portanto, atuar para estrangular o corredor marítimo. Eles já atacaram embarcações no mar Vermelho anteriormente e fazem parte da “frente de resistência” mencionada pelo Irã na declaração.
A Casa Branca não comentou o anúncio iraniano até a última atualização desse texto.
Os EUA e o Irã voltaram a trocar ataques, aumentando a tensão em torno das negociações. Teerã atribuiu a lentidão das conversas às posições contraditórias de Washington e à continuidade dos ataques israelenses no Líbano, além de condicionar qualquer acordo de paz ao cumprimento do cessar-fogo no país.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou mais cedo que os EUA são o entrave a um acordo. “A outra parte está constantemente mudando suas posições e apresentando novas exigências ou demandas contraditórias”, disse.
Baghaei também declarou que o regime considera as ações de Israel na região inseparáveis das ações dos EUA, reafirmando que qualquer acordo para encerrar o conflito deverá incluir a implementação da trégua no Líbano.
As declarações foram dadas após o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, ordenar a retomada dos ataques aos subúrbios de Beirute, reduto do Hezbollah. Milhares de moradores fugiram da capital, congestionando as estradas.
Horas depois, o próprio Trump disse ter falado por telefone com Netanyahu e com representantes do Hezbollah e anunciou uma nova trégua entre ambos os lados. Segundo o americano, Israel se comprometeu a não voltar a atacar Beirute, e a facção xiita, a não atacar o norte de Israel.
O Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência, a pedido da França, para discutir a situação no país. Embora Líbano e Israel tenham concordado com uma trégua em 17 de abril, o acordo nunca chegou a ser plenamente respeitado.
O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, disse que o secretário-geral António Guterres está preocupado com a escalada e pediu que os dois lados respeitem o cessar-fogo.
Após a expansão da campanha militar, o porta-voz da União Europeia, Anouar El Anouni, pediu nesta segunda que Tel Aviv respeite a soberania da nação vizinha. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que o país enfrenta uma “agressão cruel e condenável”.
Na outra frente do conflito, os EUA atacaram centros militares no sul do Irã durante o fim de semana. O Comando Central dos EUA, responsável pelas operações militares no Oriente Médio, afirmou em comunicado que a ação foi uma retaliação ao abate de um drone americano pelo Irã na região.
Em resposta, a Guarda Revolucionária declarou nesta segunda-feira ter atacado uma base aérea utilizada pelos EUA, sem identificar qual instalação foi atingida. As defesas aéreas do Kuwait, onde está localizada uma importante base militar americana, interceptaram uma ofensiva de mísseis e drones enquanto sirenes soavam em todo o país, informou a agência estatal de notícias Kuna, sem fornecer mais detalhes.









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