País lota ruas: por que Bangladesh torce pelo Brasil na Copa?


O futebol já tinha raízes fortes no país. Antes da ascensão do críquete, Bangladesh era intensamente ‘futebolizado’. O clássico local entre Abahani e Mohammedan, em Daca, já mobilizava multidões, dividia torcedores e levava bandeiras para prédios e ruas. A cultura de escolher um lado, provocar o rival e transformar jogo em evento social já existia.

A Copa deu escala mundial a essa paixão. Como Bangladesh nunca disputou uma Copa, muitos torcedores passaram a adotar seleções estrangeiras. O Brasil virou uma escolha natural para parte deles, pois tinha camisa forte, títulos, futebol ofensivo e uma sucessão de craques capazes de encantar diferentes gerações.

Pelé teve papel central nessa construção. Para muitos torcedores, ele não era apenas o maior jogador do mundo. Era também a imagem de um menino pobre, vindo de um país do Sul Global e marcado por desigualdades, que conquistou o planeta pelo talento. A história dialogava com uma Bangladesh recém-independente, que também tentava afirmar sua identidade diante do mundo.

Nos anos 1980, a televisão ajudou a consolidar o fenômeno. A Copa de 1986, transmitida pela Bangladesh Television, aproximou milhões de torcedores de Brasil e Argentina. De um lado, havia a mística brasileira de Pelé, Zico e do futebol bonito. Do outro, Maradona, que virou símbolo para muitos bengaleses depois de liderar a Argentina contra a Inglaterra, antiga potência colonial na região.

A partir dali, a divisão virou tradição. Pais, tios e irmãos passaram a paixão adiante. A geração de Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e Kaká renovou o amor pelo Brasil nos anos 1990 e 2000. Depois vieram Neymar, Vinicius Junior e outros nomes que mantêm a seleção brasileira viva no imaginário bengalês.

Capitão de Bangladesh viu Brasil x Japão no estádio

Jamal Bhuyan, capitão de Bangladesh, estava no estádio em Brasil x Japão Imagem: Arquivo Pessoal





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