Em jogo que deu saudades do formato com 32 seleções na Copa do Mundo, Egito bate a Austrália nos pênaltis 


O Egito eliminou a Austrália nos e pênaltis e garantiu sua vaga nas oitavas de final, nesta sexta (3). No tempo regulamentar, o jogo, marcado pela baixa qualidade técnica, terminou em 1 a 1, com dois gols egípcios de cabeça. Ashour abriu o placar, e no segundo tempo Hany, contra, empatou. Agora, a seleção egípcia aguarda o vencedor do confronto entre Argentina e Cabo Verde, que vai definir seu adversário nas oitavas de final. 

O novo formato da Copa do Mundo, com 16 seleções a mais, invariavelmente resultou em jogos, mesmo os decisivos, de qualidade técnica abaixo da média. O confronto entre Egito e Austrália foi um deles. Em um duelo de dois times que baseiam seus modelos de jogo no contra-ataque, a impressão é que ninguém queria a bola.

Para piorar, a grande estrela da partida, Mohamed Salah, teve atuação muito ruim após dias de dúvida sobre sua escalação, devido a uma lesão na coxa esquerda. Seu grande momento foi o pênalti convertido de cavadinha.

Na falta de bons lances em campo, um dos momentos mais chamativos foi quando o técnico australiano, Tony Popovic, substituiu os goleiros pouco antes do final do jogo, visando à disputa de pênaltis. Uma troca assim não é inédita, mas tampouco comum. Além da substituição em si, chamou a atenção que o titular Patrick Beach, de apenas 22 anos, foi um dos melhores da partida, com direito a uma defesa espetacular nos acréscimos do tempo regulamentar, que eliminaria a seleção australiana. Em seu lugar, entrou o experiente Mathew Ryan, de 34 anos.

O momento teria o potencial de relembrar as quartas de final da Copa do Mundo de 2014, quando Krul entrou apenas para a disputa de pênaltis, defendeu duas cobranças, e classificou a Holanda para a semifinal, contra a Costa Rica.

Mas, Ryan não defendeu qualquer pênalti nesta sexta. Com dois erros australianos, os egípcios precisaram de apenas quatro cobranças para fechar a disputa em 4 a 2.

No intervalo antes dos pênaltis, o elenco do Egito assistiu, em um lap top, a pênaltis cobrados contra Ryan em jogos do Levante, seu clube na Espanha. A aula rápida parece ter tido efeito.

O Egito abriu o placar cedo, com Ashour, aos 12 minutos. Ele bateu uma falta, em jogada ensaiada, que deu errado e a bola foi afastada pela defesa. No rebote, Hafez cruzou no segundo pau e o próprio Ashour completou.  

O jogo permaneceu em temperatura morna. A Austrália tentava pressionar, mas esbarrava na falta de qualidade técnica. Nos acréscimos, conseguiu assustar em alguns lances de chuveirinho.

No segundo tempo, Marmoush, atacante do Manchester City, perdeu ótima chance para ampliar logo no primeiro lance, após sair cara a cara com o goleiro, ele caprichou muito na finalização e a bola saiu para a fora, rente à trave. Logo depois, um susto em um choque de cabeça paralisou momentaneamente a partida. O egípcio Hany caiu aparentemente desacordado após trombada com Metcalfe, mas ficou bem. 

E foi logo Hany que empatou a partida, em um gol contra, após desviar de cabeça uma cobrança de falta lateral bem batida por O’Neill. O lateral egípcio teve uma tarde ruim, com alguns erros depois de seu acidente.

Depois do gol, a Austrália, que marcava em um 5-4-1, apostava nos contra-ataques, em lançamentos para velocidade de Irankunda. Do outro lado, a postura do Egito não era muito diferente.

Salah ‘entra em campo’ nos acréscimos

Salah, que foi discreto quase o tempo todo, aparentando não estar 100% fisicamente, foi acertar seu primeiro lance aos 48 minutos, em ótimo cruzamento para Rabia. O goleiro Patrick Beach fez uma defesa espetacular, no contrapé. Logo depois, Salah fez mais uma boa jogada na ponta, serviu bem, mas a defesa da Australia afastou o perigo. 

Na prorrogação, o Egito foi melhor, especialmente no segundo etapa, com maior volume e algumas jogadas que ameaçaram a defesa australiana. Haissem Hassan, que entrara no segundo tempo, na vaga de Ziko, se tornou o jogador mais perigoso da seleção egípcia. Agudo e driblador, ele dobrava com Salah no lado direito e promoveu um “salseiro” na ponta.

Mas Patrick Beach continuou seguro nas defesas, e os zagueiros afastaram cruzamentos e chutes de longe. Assim, o jogo terminou empatado. 



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