Espanha e Argentina se enfrentam neste domingo (19), no MetLife Stadium, pela final da Copa do Mundo. Bilhões de pessoas ao redor do mundo acompanharão a partida ao vivo, dos mais diversos lugares do mundo. No Brasil, que teve de se contentar com a eliminação precoce para a Noruega ainda nas oitavas de final com uma atuação nada convincente, o jogo também pode ser uma oportunidade de avaliar o que a Seleção pode tirar de lição dos finalistas.
Durante a Copa do Mundo, a Espanha evoluiu jogo após jogo. Do empate sem gols com Cabo Verde na estreia à vitória por 2 a 0 sobre a favorita França na semifinal. Já a Argentina, atual campeã, superou adversidades contra adversários considerados mais “fracos”, como Egito, Suíça e o próprio Cabo Verde, para chegar à decisão em busca do segundo título consecutivo.
Carlo Ancelotti teve apenas um ano para trabalhar com a equipe nesta Copa do Mundo. Ele chegou à formação que considerava ideal somente no duelo com o Japão — única partida em que conseguiu repetir uma escalação desde que foi contratado pela CBF. Agora, após a eliminação diante da Noruega nas quartas de final, o treinador tirou um período sabático no Canadá, mas deverá acompanhar à distância o duelo decisivo em Nova Jersey.
Espanha x Argentina: Redação da Trivela escolhe campeão da Copa do Mundo 2026
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Defesa é destaque na seleção espanhola e deficiência na seleção brasileira
Entre maio e julho, o principal ponto de atenção para o treinador italiano foi a defesa. Ele chegou a afirmar que, durante os treinamentos, se preocupava em trabalhar as jogadas defensivas em vez do ataque. Na ideia de Ancelotti, a força ofensiva do Brasil não precisava ser mais trabalhada do que a defesa, já que o talento de Vinicius Júnior, Bruno Guimarães, Matheus Cunha, entre outros outros, faria com que eles se conectassem dentro de campo.
À frente de Alisson, foi diferente. Mesmo treinando isso a exaustão durante o período na Granja Comary e nos Estados Unidos, o Brasil não corrigiu todas as suas falhas. Cedeu muitos espaços contra Marrocos, na estreia, e foi vazado diante de Japão e Noruega. Os principais erros ao longo da Copa do Mundo, no geral, foram individuais. Mas o esquema trabalhado pela comissão técnica não foi suficiente para suprir essas falhas.
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Os dois gols de Erling Haaland, nas oitavas de final, mostram isso. O Brasil sofreu pelo lado direito, função que teve de ser cumprida pelo lateral Danilo após o corte de Wesley, e ficou descompactado após as entradas de Neymar e Danilo Santos, no segundo tempo. Além disso, em 2026, o Brasil disputou nove partidas e foi vazado em sete.
Se é possível para Ancelotti tirar alguma lição da Espanha, ela parte do aspecto defensivo. Luis de la Fuente conseguiu montar a melhor defesa desta Copa do Mundo, e tendo sofrido apenas um gol em toda a competição — na vitória sobre a Bélgica, por 2 a 1, nas quartas de final. O treinador, que assumiu em 2022, “aposentou” alguns dos nomes que defenderam a seleção no Mundial do Catar para isso.
Contra a França, Unai Simón pouco foi exigido, diante do segundo melhor ataque da competição. Com Aymeric Laporte e Pau Cubarsí, a Espanha conquistou solidez na linha da zaga, e consegue conciliar ataque e defesa com os laterais Marc Cucurella e Pedro Porro. Mais do que o sistema defensivo, pesa também a ótima participação sem bola de toda a equipe, nos encaixes de marcação e na pressão sobre o homem da bola.
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Base da seleção espanhola é utilizada a exaustão na Copa do Mundo
De La Fuente não foi escolhido à toa para substituir Luis Enrique em 2022. O treinador havia trabalhado nas categorias de base da Espanha e levado a seleção à medalha de prata na Olimpíada de Tóquio-2020, quando perdeu a final justamente contra o Brasil. Cinco anos desde aquela decisão no Japão, a forma como Brasil e Espanha utilizaram suas categorias de base ajuda explicar o nível em que cada uma se encontra na Copa do Mundo.
Dos 11 titulares de André Jardine naquela ocasião, somente Matheus Cunha e Bruno Guimarães disputaram o Mundial de 2026. Do lado espanhol, De La Fuente manteve os principais nomes na seleção: Pedri, Unai Simón, Dani Olmo, Mikel Oyarzabal, Mikel Merino, Martín Zubimendi, Eric García e Cucurella.
O trabalho continuado de De La Fuente permitiu que a Espanha levasse o entrosamento do elenco desde as categorias de base. Foi assim que o treinador conquistou a Eurocopa de 2024, e volta a colocar a seleção em uma final de Copa do Mundo — algo que não ocorria desde 2010, quando conquistou seu único título até aqui.
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— O Luis (de la Fuente) é, por assim dizer, como um pai para nós. Nos conhecemos há muitíssimo tempo. Ele sempre nos dá essa paz e a confiança que precisamos em cada momento — afirmou Álex Baena, outro medalhista olímpico em 2021, durante a Copa do Mundo.
Ancelotti não precisa, necessariamente, se inspirar no esquema tático da Espanha. De La Fuente trabalha com ideias semelhantes às de Pep Guardiola e de Vicente del Bosque, com o futebol posicional. Já o italiano é adepto do estilo relacional, em que os atletas podem se movimentar com maior liberdade, a depender do que o jogo pede.
Cada modelo tem seus pontos fortes e fracos. A questão com Ancelotti, e que deu certo com De La Fuente, é o tempo de trabalho. O treinador da Espanha teve dois anos para maturar seu esquema tático na Eurocopa, e já conhecia a maioria dos jogadores desde a base. Com o italiano, levará um tempo maior para consolidar suas ideias — e é por isso que a CBF já assegurou o contrato do treinador até 2030.
Argentina se doa por Messi para conquistar a Copa do Mundo
Nas declarações dos jogadores e dentro de campo, é possível notar como Lionel Messi é o líder da seleção argentina. Desde a chegada de Scaloni, em 2019, o elenco passou a se doar ainda mais pelo camisa 10. A ideia deu resultado com os títulos da Copa América (2021 e 2024), e da Copa do Mundo, em 2022.
Messi é um dos jogadores que menos corre em campo nesta Copa do Mundo. Aos 39 anos, o atacante se preserva para atacar o adversário quando necessário. É assim que soma oito gols no Mundial e quatro assistências — duas contra a Inglaterra, na semifinal.
O camisa 10 do Inter Miami tem algo que Neymar, em seu auge, não teve: uma equipe que se doasse por ele, além de ótimos coadjuvantes. Ainda que nesta Copa do Mundo ele não tenha conseguido atuar em alto nível, diante dos problemas físicos, o atacante do Santos não contou com o mesmo apoio no Mundial de 2022.
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A ideia do elenco argentino é mais “visceral” e “passional” do que lógica. Em diversas ocasiões, os jogadores se entregaram publicamente em apoio ao capitão. Rodrigo De Paul e Emiliano Martínez, por exemplo, chegaram a dizer que “dariam a vida” pelo principal jogador do elenco.
É assim que, sem precisar correr mais do que o necessário, Messi é responsável por 12 dos 19 gols marcados pela Argentina nesta Copa do Mundo — melhor ataque da competição. Isso não significa que Neymar deva seguir na equipe, mas que jogadores como Vini Jr. podem ter uma atenção especial de Ancelotti no próximo ciclo.
Argentina consegue tirar forças na reta final da Copa do Mundo
A garra e força da Argentina também pode servir de inspiração para o Brasil. No mata-mata, a seleção precisou disputar a prorrogação contra Cabo Verde e Suíça, e decidiu nos minutos finais contra Egito e Inglaterra para conquistar sua vaga. A Seleção, por outro lado, não conseguiu levar perigo à Noruega após sofrer o primeiro gol do jogo.
Dos 19 gols marcados pela Argentina nesta Copa do Mundo, 63% (12 gols) foram marcados depois dos 30 minutos do segundo tempo ou já na prorrogação. No caso do Brasil, somente dois foram marcados nesta faixa de tempo: Gabriel Martinelli, contra o Japão, e Neymar, de pênalti, nos acréscimos contra a Noruega.
A Argentina chegará mais desgastada do que a Espanha para a final, por ter disputado 60 minutos a mais do que a adversária, devido à prorrogação. No entanto, nos sete jogos que disputou até aqui, é justamente nesta força física e no ímpeto que a seleção de Scaloni consegue se sobressair — e que faltou ao Brasil durante o Mundial.











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