Na campanha do título da Copa Libertadores de 1976, o Cruzeiro contava com craques como Raul, Nelinho, Piazza, Zé Carlos, Palhinha, Joãozinho e Jairzinho. Mas a conquista continental também teve um protagonista menos badalado: o atacante Ronaldo Drummond.
Revelado pelas categorias de base do Atlético, Ronaldo fez parte de um dos períodos mais vitoriosos da história do rival, entre 1964 e 1972, e deixou seu nome marcado na conquista do Campeonato Brasileiro de 1971. Antes de chegar ao Cruzeiro, ainda passou pelo Palmeiras — onde foi bicampeão brasileiro, em 1972 e 1973 — e pelo Santos. O passado alvinegro, somado aos 15 clássicos disputados contra a Raposa, despertava desconfiança em parte da torcida celeste. Em campo, porém, tratou de dissipar qualquer dúvida.
Ronaldo Drummond vestiu a camisa do Palmeiras. FOTO: Reprodução X @Palmeiras
Não demorou para escrever seu nome na história do clube. Mesmo diante da forte concorrência no ataque, conquistou espaço e virou uma espécie de 12º titular de Zezé Moreira. Versátil, atuava em todas as posições do setor ofensivo e acabou sendo decisivo na campanha do título. Depois de entrar em campo apenas três vezes nas fases iniciais, guardou seu protagonismo para o momento mais importante da competição.
Na decisão diante do River Plate, substituiu Eduardo Amorim durante as duas primeiras partidas: a vitória celeste por 4 a 1, no Mineirão, e a derrota por 2 a 1, no Monumental de Núñez. Mas ganharia papel ainda mais relevante no duelo de desempate. Com Jairzinho expulso em Buenos Aires após cair nas provocações do zagueiro Perfumo, Ronaldo foi o escolhido para assumir a vaga entre os titulares.
Na finalíssima, brilhou ao participar diretamente dos três gols da vitória cruzeirense. No primeiro, dividiu a bola com o defensor argentino, que acabou tocando com a mão dentro da área. Pênalti convertido por Nelinho para abrir o placar. No segundo, deixou um marcador para trás e serviu Eduardo, que balançou as redes. Já no lance do gol do título, sofreu a falta que seria cobrada por Joãozinho.
Em entrevista a O TEMPO Sports, o ex-goleiro Raul destacou a importância de Ronaldo Drummond, sobretudo na decisão.
“A participação dele no Cruzeiro, na Copa Libertadores, foi importante. O jogo foi bastante complicado. No início estava até fácil, saímos à frente com vantagem, depois eles empataram e a gente ficou em um aperto danado. O Joãozinho acabou fazendo aquele gol ‘estranho’, vamos dizer assim, mas foi um golaço”, relembrou.
Raul também recordou a experiência do companheiro nos minutos finais da partida, quando Ronaldo acabou expulso.
“O Ronaldo foi expulso nesse jogo. Lembro que ele demorou cinco ou seis minutos para sair de campo, tudo para tentar esfriar o jogo, para não dar muita chance de reação aos argentinos. Saía de campo e entrava para conversar com o árbitro, tudo para ganhar tempo. Naquela época não tinha aquele negócio de muito acréscimo, então ele foi um jogador importante, muito experiente, vivido, tinha passagens por grandes jogos e contribuiu muito naquele momento difícil do clube, não só jogando futebol, mas também deixando o tempo correr, esfriando um pouco o jogo para que pudéssemos sair com a conquista da Libertadores”, acrescentou.
No ano seguinte, Ronaldo Drummond também conquistou o Campeonato Mineiro de 1977 pelo Cruzeiro. Ao fim da temporada, apesar de ter apenas 31 anos, decidiu encerrar a carreira. Não se afastou, porém, do futebol. Foi um dos primeiros ex-jogadores a atuar como comentarista esportivo, conciliando a função com a carreira de corretor de imóveis. Anos mais tarde, entre 1994 e 1997, voltou aos gramados nos bastidores, como diretor de futebol do Atlético.
Ronaldo Drummond faleceu em 9 de junho de 2020, aos 73 anos, em Belo Horizonte. Internado no Hospital Vera Cruz para tratar uma hemorragia gástrica, deixou um legado que atravessa gerações. E, para a torcida cruzeirense, sua atuação na conquista da Libertadores de 1976 permanece eterna.
Ronaldo Drummond pelo Cruzeiro
Temporadas: 1976 e 1977
- 25 partidas, 17 delas como titular
- 16 vitórias, 4 empates, 5 derrotas
- 69,3% de aproveitamento
Estreia
- 04/04/1976: Cruzeiro 4×1 Olímpia (PAR) – Libertadores
Primeiro gol
- 22/05/1976: Cruzeiro 5×0 Uberaba – Mineiro
Último jogo
- 03/04/1977: Atlético 2×0 Cruzeiro – Mineiro











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