A Blockchain Conference Brasil anunciou a edição de 2026, que terá como tema “O Efeito Bitcoin”. O evento acontecerá nos dias 20 e 21 de novembro, no São Paulo Expo, em São Paulo, e reunirá representantes do mercado financeiro, do setor público e da indústria de tecnologia.
Em sua sexta edição, a conferência pretende analisar como o Bitcoin deixou de ser apenas um experimento tecnológico e passou a influenciar mercados, empresas, governos e a estrutura das finanças globais.
O encontro também marcará os 18 anos da publicação do documento que apresentou o Bitcoin ao mundo. Em 31 de outubro de 2008, uma pessoa ou grupo sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto enviou o chamado whitepaper da criptomoeda para uma lista de especialistas em criptografia.
Na época, o documento propunha um sistema de dinheiro eletrônico que funcionaria sem bancos, governos ou uma autoridade central. Desde então, o Bitcoin ganhou espaço entre investidores, instituições financeiras e empresas.
Do experimento tecnológico ao mercado financeiro
Nos primeiros anos, uma pequena comunidade de desenvolvedores e entusiastas acompanhava o Bitcoin. Em 2010, por exemplo, um usuário utilizou 10 mil bitcoins para comprar duas pizzas, em uma das primeiras transações comerciais conhecidas com a criptomoeda.
No entanto, o mercado também enfrentou diferentes crises. Casos como Silk Road, a quebra da corretora Mt. Gox e o colapso da FTX aumentaram as dúvidas sobre a segurança e o futuro dos ativos digitais.
Apesar disso, o protocolo do Bitcoin continuou funcionando de maneira descentralizada e sem interrupções. Ao mesmo tempo, empresas criaram exchanges, serviços de custódia, carteiras digitais e diferentes soluções de infraestrutura para atender ao setor.
Além disso, bancos, gestoras de recursos, companhias e órgãos reguladores passaram a acompanhar mais de perto esse mercado. Produtos como fundos negociados em bolsa, stablecoins e ativos tokenizados também começaram a integrar o sistema financeiro tradicional.
Diante desse avanço, a organização da conferência pretende discutir o que acontece quando uma tecnologia criada para desafiar o mercado financeiro passa a fazer parte dele.
BCB26 terá debates sobre IA, DeFi e regulação
A programação da Blockchain Conference Brasil 2026 reunirá especialistas para debater os principais temas da economia digital. Entre os assuntos previstos estão stablecoins, tokenização de ativos, ETFs, finanças descentralizadas (DeFi), inteligência artificial (IA), privacidade e identidade digital.
Além disso, os painéis abordarão autocustódia, pagamentos globais, regulação, mercados de capitais, ativos do mundo real, conhecidos como RWAs, tesourarias corporativas e adoção institucional de criptomoedas.
Executivos, investidores, desenvolvedores, reguladores e representantes do setor público também discutirão como essas tecnologias afetam bancos, empresas, governos e consumidores.
Segundo a organização, a conferência reuniu cerca de 10 mil participantes em 2025. Para 2026, o evento pretende reduzir o foco em promessas e ampliar o debate sobre os efeitos concretos da tecnologia blockchain sobre a economia.
Evento quer reunir diferentes visões sobre o Bitcoin
Felipe Escudero, sócio da Blockchain Conference Brasil, afirmou que o avanço da regulamentação dos ativos digitais tornou necessário ampliar a discussão sobre os princípios que deram origem ao Bitcoin.
“O Bitcoin passou por muita coisa nestes 18 anos e vimos ser essencial trazer esse debate para nosso evento. O universo cripto está passando por regulação no mundo inteiro e, para muitos, perdendo sua essência, a de dar liberdade ao seu usuário”, afirmou.
De acordo com Escudero, o evento buscará reunir tanto profissionais que consideram inevitável a integração do Bitcoin ao sistema financeiro quanto aqueles que defendem uma tecnologia independente do Estado.
“Queremos unir os dois mundos: quem acredita ser este caminho o correto e irrevogável e aqueles que ainda acreditam em um mundo em que o Bitcoin nasceu para não depender do Estado”, acrescentou.
Assim, a edição de 2026 pretende mostrar como o Bitcoin alterou as discussões sobre confiança, propriedade, escassez digital, transferência de valor e soberania financeira.










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