Angola: ciberataque à Unitel envolve alegado resgate de 288 milhões de euros


Em Angola, o ataque cibernético à maior operadora de telecomunicações do país, a Unitel, ocorrido na semana em que a empresa estreou em bolsa, continua a gerar forte contestação popular devido às falhas prolongadas nos serviços de voz e internet, afectando centenas de empresas e particulares. A UNITA propõe uma comissão de inquérito e audições parlamentares para apurar o caso.

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Entretanto, a revista “Economia & Mercado” avança que piratas informáticos exigem cerca de 300 mil milhões de kwanzas (288 milhões de euros) para devolver o controlo do sistema da operadora. A empresa não desmente a informação, enquanto a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) afasta qualquer impacto negativo na venda das acções da Unitel.

A Unitel, principal rede de telefonia móvel de Angola, alega ter sofrido, esta semana, um ataque cibernético com prejuízos incalculáveis para mais de 20 milhões de clientes, na véspera da sua estreia no mercado de capitais. Em vários comunicados, a operadora informa que continua a trabalhar para repor gradualmente todos os serviços.

Mas a UNITA não pretende acompanhar o desenrolar da situação apenas através de notas de imprensa. Nesse sentido, Navita Ngolo, líder do grupo parlamentar do maior partido da oposição, propôs ao Parlamento a criação de uma comissão de inquérito para apurar as razões do ataque cibernético à Unitel.

“O grupo parlamentar da UNITA vai propor uma comissão de inquérito e audições parlamentares ao presidente da Assembleia Nacional, no sentido de se averiguarem as causas do apagão generalizado dos serviços de telecomunicações”, revelou a política.

A revista “Economia & Mercado” noticiou, nesta quarta-feira, que o valor da venda de 15% das acções da Unitel em bolsa terá motivado o ataque informático levado a cabo por criminosos, que exigiram um resgate de 300 mil milhões de kwanzas (cerca de 288 milhões de euros). Aguinaldo Jaime, presidente do Conselho de Administração da Unitel, não desmente o facto, mas garante que estão em curso investigações para identificar e responsabilizar os autores.

“Estamos a colaborar com as autoridades competentes para apoiar a investigação em curso e contribuir para a identificação e responsabilização dos autores deste ataque, reafirmando o nosso compromisso com o combate ao cibercrime e com a protecção dos nossos clientes, parceiros e accionistas”, anunciou Aguinaldo Jaime.

Por sua vez, Cristina Lourenço, presidente da Comissão Executiva da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), afirmou que o incidente não prejudica o processo contínuo de negociação e venda pública das acções da Unitel.

“A situação foi, sim, avaliada, mas não estamos perante um incidente relevante que comprometa o processo. Estamos a considerar um incidente isolado numa empresa com anos de história e que, no momento do seu pedido de admissão, reúne e continua a reunir os requisitos necessários para estar cotada em bolsa”, esclareceu a responsável.

Segundo a revista especializada em economia, a operadora angolana recusou-se a pagar o resgate de 300 mil milhões de kwanzas exigido pelos criminosos que, no passado dia 28 de Julho, invadiram os sistemas da Unitel. Apesar do ataque, a procura por acções da empresa superou a oferta em 120%, com a adesão de mais de 11 mil novos accionistas, confirmando o sucesso da maior Oferta Pública de Venda (OPV) da história de Angola.



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