A estratégia iraniana assenta igualmente na convicção de que a administração norte-americana não pretende aprofundar o envolvimento militar no Médio Oriente antes das eleições intercalares de novembro
O Irão está a intensificar a sua estratégia de pressão sobre os Estados Unidos, procurando transformar as principais rotas marítimas, infraestruturas energéticas e corredores comerciais do Médio Oriente em instrumentos de negociação.
Segundo responsáveis do Golfo e analistas, Teerão aposta numa escalada controlada do conflito, evitando uma guerra em grande escala, mas aumentando gradualmente os custos para Washington e para os seus aliados.
O objetivo passa por convencer os Estados Unidos de que conter a crise será mais dispendioso do que aceitar as exigências iranianas relativamente ao Estreito de Ormuz. A mensagem transmitida por Teerão é simples: caso Washington não aceite um novo equilíbrio de poder naquela via marítima estratégica, o conflito poderá alastrar para outras zonas da região.
De acordo com Michael Knights, do Washington Institute, citado pela Reuters, o Irão tem procurado manter sempre novas formas de pressão disponíveis. “[O Irão] desde o início, tentou ultrapassar os Estados Unidos através de uma escalada contínua, introduzindo todas as semanas um novo elemento: uma nova geografia, um novo tipo de arma ou um novo alvo”.
O analista considera ainda que a principal vantagem iraniana não reside na capacidade de atingir diretamente os Estados Unidos ou Israel, mas sim em provocar danos aos países da região e à economia mundial.
Depois de demonstrar capacidade para perturbar a navegação no Estreito de Ormuz, por onde circulava cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo antes da guerra, Teerão deixou também sinais de que outras rotas marítimas, como o Mar Vermelho, e infraestruturas energéticas da Arábia Saudita poderão igualmente tornar-se alvos de pressão.
A estratégia iraniana assenta igualmente na convicção de que a administração norte-americana não pretende aprofundar o envolvimento militar no Médio Oriente antes das eleições intercalares de novembro.
Segundo uma fonte do Golfo, os dirigentes iranianos acreditam que, ao prolongarem o conflito e aumentarem a pressão, Donald Trump acabará por ceder.
Na mesma linha, um alto responsável iraniano afirmou que a liderança concluiu que anteriores gestos de flexibilidade apenas resultaram em mais pressão por parte de Washington, reforçando a ideia de que só uma posição de força permitirá abrir negociações em condições mais favoráveis.
No centro da disputa continua a estar o futuro do Estreito de Ormuz. Omã apresentou uma proposta apoiada pelos países do Golfo para gerir a passagem marítima através da cobrança voluntária de taxas aos utilizadores.
No entanto, Teerão pretende assumir autoridade administrativa sobre o estreito e ter capacidade para cobrar taxas de serviço aos navios, enquanto os Estados Unidos recusam qualquer pagamento, defendendo que Ormuz deve permanecer uma via marítima internacional livre de controlo iraniano.
Entretanto, a expansão das ameaças para além de Ormuz levou vários países da região e potências ocidentais a concentrarem esforços na proteção das rotas comerciais e das infraestruturas energéticas. Um exemplo é a coligação marítima liderada pela Arábia Saudita, concebida para escoltar navios comerciais, partilhar informação e garantir a segurança das rotas, sem entrar em confronto direto com o Irão.
Segundo os analistas ouvidos pela agência de notícias internacional, é precisamente essa alteração de prioridades que Teerão procura provocar. Incapaz de competir diretamente com o poder militar norte-americano, o Irão aposta em obrigar governos e marinhas a adotarem uma postura defensiva, aumentando os recursos necessários para manter o comércio mundial e o fornecimento de energia.
Para os dirigentes iranianos, trata-se de uma guerra de desgaste, baseada na convicção de que conseguirão suportar a pressão económica durante mais tempo do que a coligação liderada pelos Estados Unidos conseguirá lidar com sucessivas perturbações no comércio internacional e nos mercados energéticos.











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