Europa reúne-se de emergência para responder à crise em Ceuta. O que pode sair da reunião?


Os ministros do Interior dos 27 Estados-membros da União Europeia reúnem-se esta terça-feira, por videoconferência, numa sessão extraordinária dedicada à crise migratória em Ceuta. O encontro foi convocado na sequência dos pedidos apresentados por Espanha e apoiados por 22 Estados-membros, depois da entrada de mais de 60 mil migrantes no enclave espanhol, situado na costa norte de África.

A reunião pretende definir uma resposta europeia coordenada para evitar novas travessias em massa e reforçar o controlo das fronteiras externas da União Europeia.

Porque é que esta reunião foi convocada?

A crise começou na passada quinta-feira, quando dezenas de milhares de pessoas atravessaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta.

Segundo as autoridades espanholas, mais de 60 mil migrantes entraram no enclave em poucas horas.

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Pelo menos 67 pessoas morreram durante a travessia, um número que poderá ainda aumentar.

Embora a esmagadora maioria dos migrantes já tenha regressado a Marrocos, milhares continuam em Ceuta, mantendo a pressão sobre as autoridades locais.

O que estará em cima da mesa?

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Segundo a carta assinada por 22 Estados-membros, a prioridade passa por definir uma resposta comum para apoiar Espanha e impedir novas entradas irregulares.

Entre os principais temas da reunião deverão estar:

– reforço da vigilância das fronteiras externas da União Europeia;
– aumento da cooperação com Marrocos;
– combate às redes de tráfico de migrantes;
– mobilização de apoio financeiro e operacional para Espanha;
– eventual reforço dos meios da Frontex.

A reunião servirá também para avaliar os acontecimentos dos últimos dias e coordenar a resposta política dos Estados-membros.

Espanha diz que recuperou o controlo

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O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, garantiu que as autoridades conseguiram “restabelecer plenamente o controlo da fronteira”.

Segundo o chefe do Governo espanhol, praticamente todos os migrantes que entraram ilegalmente já regressaram a Marrocos, tendo sido igualmente impedida qualquer deslocação irregular para o território continental europeu.

Também o ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, defendeu que a prioridade deve ser o combate às redes de tráfico de seres humanos.

O governante sublinhou ainda que Ceuta não integra o Espaço Schengen, rejeitando as críticas de vários parceiros europeus e acusando alguns governos de instrumentalizarem politicamente a crise.

Vários países exigem uma resposta mais dura

A crise abriu um novo debate europeu sobre a proteção das fronteiras externas.

Itália foi o primeiro país a defender a suspensão temporária da aplicação das regras de Schengen em relação a Espanha, posição que encontrou apoio noutros governos europeus.

Entretanto, países como França reforçaram os controlos fronteiriços e Portugal aumentou a vigilância, sobretudo nas fronteiras marítimas e na região do Algarve.

Ao mesmo tempo, 22 Estados-membros enviaram uma carta às instituições europeias a defender uma resposta coordenada e um reforço dos mecanismos disponíveis para apoiar Espanha.

Ursula von der Leyen promete apoio

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou a realização da reunião extraordinária e reiterou que a migração exige uma resposta comum da União Europeia.

Nos últimos dias, Von der Leyen elogiou também a atuação das autoridades espanholas e marroquinas, destacando a rapidez com que conseguiram devolver a maioria dos migrantes e impedir a sua deslocação para o restante território europeu.

A Comissão Europeia já manifestou disponibilidade para disponibilizar apoio financeiro e operacional a Espanha.

O que poderá acontecer depois?

Embora não sejam esperadas decisões imediatas, a reunião poderá abrir caminho a novas medidas europeias.

Entre elas poderão estar o reforço da cooperação com Marrocos, o aumento do apoio da Frontex, novas iniciativas contra as redes de tráfico de migrantes e um reforço da vigilância nas fronteiras externas.

As conclusões do encontro deverão servir igualmente de base para futuras decisões dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia.

Uma crise que já ultrapassou Espanha

A situação em Ceuta deixou de ser apenas um problema espanhol.

As reações de vários governos europeus, o reforço dos controlos fronteiriços e o envolvimento direto das instituições europeias demonstram que Bruxelas encara agora a vaga migratória como um desafio para toda a União Europeia.

A reunião desta terça-feira será, por isso, o primeiro grande teste à capacidade dos Estados-membros para responderem em conjunto à mais grave crise migratória registada nas fronteiras externas da União Europeia dos últimos anos.



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