A vaga de calor que está a atingir a Europa já começou a afetar diretamente a indústria automóvel. Na Roménia, a redução histórica do caudal do rio Danúbio obrigou o Governo a limitar o consumo de eletricidade para evitar um apagão, levando a Dacia a suspender temporariamente a produção e a Ford a reduzir o ritmo de fabrico do Puma, um dos SUV mais vendidos na Europa.
Segundo a revista francesa ‘L’Automobile Magazine’, o problema está relacionado com a quebra acentuada do caudal do Danúbio, fundamental para o arrefecimento da central nuclear de Cernavodă, responsável por cerca de 20% da eletricidade produzida na Roménia.
Com menos água disponível para o sistema de refrigeração e a rede elétrica sob forte pressão devido às temperaturas elevadas, Bucareste pediu às grandes indústrias para reduzirem o consumo de energia.
Entre os fabricantes afetados estão a Dacia, em Mioveni, e a Ford, em Craiova.
A Dacia confirmou a suspensão da produção até 19 de agosto. Embora esta paragem coincida parcialmente com os trabalhos anuais de manutenção da fábrica, a redução do consumo energético faz parte das medidas adotadas pelo Governo romeno para aliviar a pressão sobre a rede elétrica.
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Já a Ford reduziu o ritmo de produção na fábrica de Craiova, onde são produzidos o Puma e o Puma Elétrico, modelos que têm registado um forte sucesso comercial no mercado europeu.
De acordo com a publicação francesa, a redução de atividade das duas fábricas permitiu libertar cerca de 200 megawatts de potência para a rede elétrica nacional.
Explosões para tentar salvar o Danúbio
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Perante a gravidade da situação, as autoridades romenas recorreram até a explosões controladas em alguns troços do Danúbio para tentar redirecionar o fluxo da água e aumentar o caudal junto às infraestruturas energéticas.
No entanto, a solução é apenas temporária. A recuperação dependerá sobretudo do regresso da chuva nas próximas semanas.
A situação não afeta apenas a Roménia. A Hungria enfrenta dificuldades semelhantes, também devido aos baixos níveis de água e à pressão exercida pelas temperaturas extremas sobre o sistema energético.
Pode haver impacto na produção europeia?
Agosto costuma ser um mês de menor atividade nas fábricas automóveis devido às férias de verão, mas a preocupação centra-se agora em setembro.
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Se a seca persistir e os níveis dos rios não recuperarem, o abastecimento energético poderá continuar condicionado, afetando o regresso à produção normal.
No caso da Dacia, o impacto poderá sentir-se em vários mercados europeus, uma vez que muitos dos modelos vendidos no continente continuam a ser produzidos na Roménia, embora a marca também fabrique alguns veículos, como o Sandero e o Jogger, em Marrocos.
Para além do impacto imediato na indústria automóvel, o caso romeno volta a colocar em evidência um problema crescente: a dependência das infraestruturas energéticas da disponibilidade de água e a vulnerabilidade das cadeias de produção europeias perante fenómenos meteorológicos extremos.









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