Colliers destaca Lisboa como mercado emergente promissor para centros de dados na Europa


O mercado europeu de centros de dados está a entrar numa nova fase em que o acesso à energia se tornou o principal factor de decisão para investidores e operadores. Lisboa surge como um dos mercados emergentes mais promissores, segundo o estudo EMEA Data Centre Markets Report | H1 2026 da multinacional Colliers.

A procura por centros de dados continua a crescer, impulsionada pela expansão do cloud computing, da Inteligência Artificial (IA) e das crescentes exigências de soberania digital. No entanto, a capacidade para transformar essa procura em nova infra-estrutura depende cada vez mais da disponibilidade de energia, da capacidade das redes eléctricas e da rapidez dos processos de licenciamento.

Actualmente, a região EMEA conta com 12,5 GW de capacidade operacional, mas os principais mercados europeus — Frankfurt, Londres, Amesterdão, Paris e Dublin — enfrentam limitações significativas devido à escassez de energia disponível, à falta de terrenos e aos constrangimentos regulatórios.

Este cenário está a impulsionar o investimento para mercados alternativos.

«A energia tornou-se o principal critério de decisão para o investimento em centros de dados. Hoje, os investidores privilegiam mercados onde existe capacidade efetiva para desenvolver projectos, mais do que locais onde simplesmente existe procura», afirma Gonzalo Martín, head of Data Centres Capital Markets EMEA da Colliers.

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Lisboa destaca-se entre os mercados que mais beneficiam desta transformação, juntamente com Madrid, Milão, Helsínquia e outros polos emergentes europeus. Portugal apresenta vantagens competitivas difíceis de replicar, como a localização estratégica entre Europa, África e Américas, uma forte rede internacional de cabos submarinos, elevada incorporação de energia renovável, condições favoráveis para projectos de grande escala e crescente interesse de operadores internacionais.

Embora Lisboa disponha actualmente de 58 MW de capacidade operacional, apresenta um pipeline de 408 MW e 821 MW de projectos em fase inicial, reflectindo o forte interesse do mercado pelo país.

O relatório destaca ainda o desenvolvimento do corredor Lisboa-Sines, que está a afirmar-se como uma das principais portas atlânticas para a infra-estrutura digital europeia, beneficiando de projectos de referência internacional e de soluções inovadoras de eficiência energética e arrefecimento.

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O estudo conclui que o sector está a passar de uma lógica centrada exclusivamente no crescimento da procura para uma fase em que a capacidade de execução será determinante. Existem cerca de 78 GW de projectos anunciados em fase inicial em toda a região EMEA, mas a sua concretização dependerá sobretudo da disponibilidade de energia, da capacidade das redes eléctricas e da rapidez dos processos de licenciamento.

«A diferença entre os projectos anunciados e aqueles que efectivamente chegarão ao mercado continua a aumentar. Os mercados que conseguirem alinhar disponibilidade energética, enquadramento regulatório e rapidez na execução serão aqueles que captarão a maior parte do investimento durante os próximos anos», refere Lottie Tollman, head of Data Centres Advisory EMEA da Colliers.

O estudo da Colliers analisa a evolução do mercado de centros de dados em toda a Europa, Médio Oriente e África, acompanhando mais de 12 GW de capacidade operacional, 3,3 GW em construção, 16 GW em fase de planeamento e cerca de 78 GW de projectos em fase inicial, avaliando a maturidade, competitividade e potencial de crescimento dos principais mercados da região.



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