Os Estados Unidos disponibilizaram um financiamento adicional de 242 milhões de dólares (cerca de 210 milhões de euros) para apoiar a resposta ao surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), anunciou a União Africana (UA), que agradeceu o reforço da ajuda norte-americana.
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Segundo os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças de África (CDC de África), da União Africana, este financiamento direto junta-se ao apoio humanitário já concedido por Washington, consolidando os Estados Unidos como o maior financiador internacional da resposta à epidemia.
“Esta solidariedade fundamental ajudará a salvar vidas, fortalecerá as operações de resposta lideradas pelos próprios países e reforçará a preparação transfronteiriça nos países afetados e em risco”, afirmaram os CDC de África, numa publicação na rede social X.
Com este novo apoio, a contribuição total dos Estados Unidos para o combate ao surto ultrapassa os 512 milhões de dólares (cerca de 443 milhões de euros).
A agência de saúde pública da União Africana apelou ainda a um maior envolvimento da comunidade internacional. “Exortamos outros parceiros a darem um passo em frente, a colmatarem as lacunas de financiamento remanescentes e a desembolsarem rapidamente os seus compromissos em apoio a uma resposta coordenada, liderada pelos próprios países e liderada por África”, acrescentaram os CDC de África.
Num comunicado separado, o Departamento de Estado norte-americano esclareceu que o apoio humanitário destinado à RDCongo e aos países vizinhos, Uganda e Sudão do Sul, totaliza 350 milhões de dólares (cerca de 303 milhões de euros).
O reforço financeiro surge numa altura em que as necessidades para controlar a epidemia continuam a aumentar. Em 25 de junho, os CDC de África elevaram para 1,4 mil milhões de dólares (cerca de 1,213 mil milhões de euros) a estimativa dos fundos necessários para responder ao surto, praticamente o triplo dos 518 milhões de dólares inicialmente previstos.
Entretanto, o Governo da RDCongo atualizou o balanço da epidemia para 1.801 mortos e 3.973 casos confirmados desde que o surto foi declarado, a 15 de maio. De acordo com o Ministério da Saúde congolês, com dados recolhidos até 4 de agosto, a taxa de letalidade é de 45,3%.
As autoridades indicam ainda que 674 pessoas permanecem hospitalizadas ou em isolamento, enquanto 776 doentes recuperaram da doença.
O atual surto tornou-se o segundo maior da história em número de casos confirmados e o mais extenso alguma vez registado na RDCongo, ultrapassando a epidemia de 2018-2020, que provocou 2.299 mortes e 3.481 infeções.
Apesar disso, continua distante da maior epidemia de Ébola de sempre, registada na África Ocidental entre 2014 e 2016, que causou cerca de 11 mil mortes e aproximadamente 28 mil casos.
Este é o 17.º surto de Ébola na RDCongo e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é também o que apresenta o ritmo de propagação mais rápido desde a sua declaração.
Na quarta-feira, durante uma visita à RDCongo, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que a epidemia está a expandir-se mais rapidamente do que os esforços para a controlar.
“Todos concordamos que devemos intensificar de forma urgente e massiva todos os nossos esforços em todos os pilares da resposta e por parte de todos os parceiros”, afirmou Tedros, após reuniões com responsáveis em Kinshasa.
O responsável da OMS referiu ainda que, quase três meses após o início do surto, o número de novos casos está a duplicar em alguns focos de transmissão e recordou que esta foi a sua segunda deslocação à RDCongo desde a declaração da epidemia.
Entretanto, o Uganda declarou-se livre do Ébola em 28 de julho, depois de ter confirmado 20 casos, dos quais 15 foram considerados importados da RDCongo. O surto naquele país provocou duas mortes.
lusa/HN
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