O diretor-presidente da Meta, Mark Zuckerberg, pediu a redução das barreiras nos Estados Unidos para modelos de inteligência artificial de código aberto a fim de competir melhor com os rivais chineses, à medida que a gigante das redes sociais lançou um novo modelo aberto nesta segunda-feira (10) e afirmou que planeja lançar mais modelos desse tipo em breve.
O novo modelo, chamado Muse Glimmer, é muito menor que os principais modelos de IA da concorrência, sendo projetado para tarefas baseadas em agentes autônomos. Ele pode rodar em um Mac ou PC com uma única placa de vídeo, visando atender à demanda por sistemas de IA que funcionem diretamente nos dispositivos das pessoas.
Os chamados modelos de “peso aberto” (“open-weight”) costumam ser mais baratos do que os principais modelos de laboratórios de fronteira, como OpenAI e Anthropic. Eles também vêm com componentes centrais publicamente acessíveis para facilitar a personalização, diferentemente dos modelos fechados que as empresas mantêm totalmente sob seu controle.
O lançamento da Meta ocorre em um momento no qual a gigante busca fortalecer sua posição após formar uma nova e custosa equipe de superinteligência no ano passado para voltar à acirrada corrida da IA.
O manifesto de Zuckerberg também marca a mais recente demonstração de apoio à IA de peso aberto, que vem ganhando força à medida que as empresas se tornam cautelosas com o aumento exponencial dos custos da IA e se preocupam com os recentes incidentes de segurança cibernética envolvendo modelos da Anthropic, OpenAI e Meta.
A Hugging Face, plataforma de colaboração de códigos de IA que foi hackeada por um modelo invasor da OpenAI, disse no mês passado que utilizou um modelo de peso aberto chinês para se defender do ataque porque os modelos de código fechado possuem restrições de uso para trabalhos de segurança cibernética.
As ações da Meta, que acumulam uma queda de cerca de 10% até agora neste ano, operavam em alta nas negociações de pré-mercado da Nasdaq, em Nova York, nesta segunda-feira (10).
Necessidade de repensar políticas públicas
Zuckerberg afirmou que os EUA precisam repensar suas políticas se quiserem que as empresas nacionais liderem no segmento de modelos de peso aberto.
As startups chinesas estão liderando a corrida por esses modelos, com o Kimi K3 da Moonshot, além do Qwen3.8-Max do Alibaba e do V4-Flash da DeepSeek, entregando um desempenho que rivaliza com os principais sistemas dos laboratórios de IA norte-americanos.
Em contrapartida, os principais modelos das desenvolvedoras americanas OpenAI, Anthropic e Google possuem código fechado.
“Os laboratórios estrangeiros atualmente têm várias vantagens neste ponto, uma vez que os laboratórios americanos precisam cumprir muitas restrições adicionais sobre os dados de treinamento”, disse Zuckerberg, referindo-se aos modelos de código aberto.
“A política dos EUA deve reduzir esse atrito adicional se quisermos que os modelos de código aberto americanos assumam a liderança com o tempo”, declarou Zuckerberg, acrescentando que restringir o acesso a modelos estrangeiros de código aberto não é uma solução eficaz.
A administração do presidente dos EUA, Donald Trump, disse aos desenvolvedores de IA no início deste mês que não submeterá os modelos de IA de peso aberto a testes voluntários de segurança, de acordo com duas fontes familiarizadas com as discussões.
Em sua declaração, Zuckerberg também defendeu a “destilação” de modelos de IA, que consiste no uso de um sistema poderoso de inteligência artificial para treinar um modelo menor. Ele afirmou que a Meta implementaria uma estrutura de governança para dar aos seus diretores independentes o poder de aprovar os critérios de segurança para o lançamento dos modelos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2026/3/R/Np3bJqS22b9YIENm3HAw/460342895.jpg)











Leave a Reply