As discussões sobre compliance, licenças e controle precisam acompanhar a lógica das tecnologias descentralizadas. A avaliação é de Leonardo Maximiliano, cofundador da DESEC Labs, durante o painel “Por que a privacidade está em alta?”, realizado nesta quarta-feira (12), na Blockchain.RIO 2026.
Durante o debate, Maximiliano questionou modelos regulatórios que exigem altos custos para autorizar atividades baseadas em tecnologias que, por natureza, funcionam sem uma autoridade central.
Segundo ele, empresas gastam milhões com licenças e estruturas de compliance para provar que podem operar. No entanto, protocolos descentralizados seguem outra dinâmica, já que não dependem da autorização de uma única empresa, governo ou instituição.
“Tecnologia não pede permissão. Simplesmente ela está aí, descentralizada”, afirmou.
Para o executivo, esse cenário cria um desafio para governos e empresas. Isso porque ampliar controles de forma excessiva pode limitar a criação de novos produtos e dificultar o trabalho de empreendedores que buscam soluções financeiras alternativas.
Maximiliano também relacionou o debate regulatório ao avanço de dispositivos capazes de registrar cada vez mais informações sobre as pessoas.
Ele citou, por exemplo, óculos equipados com inteligência artificial e câmeras. Na prática, uma pessoa pode entrar em um mercado ou em uma farmácia e registrar funcionários e clientes durante todo o percurso.
Por isso, o executivo defendeu que a sociedade discuta os limites desse tipo de tecnologia antes que seu uso se torne ainda mais comum.
“Até onde isso também poderia ser perigoso?”, questionou.
Nesse contexto, Maximiliano afirmou que a privacidade precisa deixar de ser um tema restrito a especialistas em tecnologia ou criptomoedas. Para ele, o assunto afeta qualquer pessoa que produza dados no ambiente digital.
Além disso, a descentralização pode exigir uma mudança de comportamento dos próprios usuários. Em vez de delegar toda a responsabilidade sobre dinheiro, informações e identidade para empresas, o indivíduo precisa compreender melhor como administra esses ativos.
Segundo Maximiliano, essa responsabilidade inclui a custódia do próprio dinheiro, a proteção de informações privadas e o conhecimento sobre o rastro digital deixado diariamente.
Assim, o avanço de blockchain, inteligência artificial e sistemas descentralizados amplia as possibilidades tecnológicas. Ao mesmo tempo, porém, aumenta a necessidade de discutir privacidade, responsabilidade e autonomia.










Leave a Reply