A Copa do Mundo-2026 é chamada de a maior da história por ter, pela primeira vez, 48 seleções. O aumento de 16 equipes promovido pela Fifa incluiu mais confederações de todos os continentes (proporcionalmente, Oceania, Ásia e África tiveram o maior crescimento) e contribuiu para o lucro recorde do evento, com mais jogos e transmissões.
Também proporcionou momentos marcantes aos torcedores, que puderam acompanhar a garra de Cabo Verde e a animação de Curaçao, dois dos quatro estreantes, ao lado de Jordânia e Uzbequistão.
O aumento de equipes gerou a fase de 32, etapa extra na competição, logo após a fase de grupos.
Cabo Verde se classificou ao mata-mata após empatar com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita no grupo H, em jogos com atuação inesquecível do goleiro Vozinha. Perdeu para a Argentina, vice-campeã, por 3 a 2 em um dramático confronto.
Outro fato inédito foi a divisão da Copa por três países-sede: Estados Unidos, Canadá e México. Os três anfitriões chegam ao torneio com cenários esportivos distintos, além de fronteiras politizadas e de tensões políticas entre eles.
A dificuldade de cada grupo
Considerando a posição dos países no ranking Fifa, o jogo mais desigual da fase de grupo foi o de Brasil contra o Haiti. A seleção brasileira, que ocupa o 6º lugar, venceu a 83ª colocada por 3 a 0.
Já a maior distância superada, de 39 posições, aconteceu na vitória de Gana (73ª) por 1 a 0 contra o Panamá (34ª).
A grande surpresa da rodada foi o empate por 0 a 0 entre a estrante Cabo Verde (67ª) e a finalista Espanha (2ª), que consagrou-se bicampeã. Gana, outra seleção africana, se destacou ao empatar por 0 a 0 com Inglaterra (4ª), que ficou em 3º lugar na Copa.
Maior média de gols desde 1970
Esta edição da Copa terminou com a maior média de gols por jogo desde o Mundial do México de 1970. Foram 2,96 gols por partida e um total de 308 nos 104 confrontos.
Além do torneio de 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato, outras seis edições registraram média de gols maior do que este ano: todas entre 1930 e 1958.
A expansão de seleções participantes fez deste Mundial o maior em número absoluto de gols, com 308, 10% dos 3.028 de todas as edições.
Inglaterra e França, terceiro e a quarto lugar, fizeram 20 gols cada, na ponta da artilharia. Depois, vem a vice-campeã Argentina, com 19 gols, seguida da campeã e da Bélgica, com 14 gols cada.
Embora artilheira, a Inglaterra fica ao lado de Iraque e Tunísia em número de gols sofridos, 12, no topo de seleções com defesas mais vazadas.
Expectativa x realidade de golear: Brasil vai mal
A Holanda foi a seleção que melhor aproveitou as oportunidades de balançar a rede na Copa, segundo a Opta. A equipe marcou 11 gols, quase o dobro do esperado por uma métrica que calcula a probabilidade de cada finalização virar gol, com base na dificuldade da jogada (ângulo, distância, posição do goleiro, entre outros fatores).
Além de Holanda, Estados Unidos, Argentina, Japão e Bélgica tiveram bom desempenho na métrica (o gráfico ao lado, quanto maior a linha azul, maior a superação da expectativa).
Com 2 gols a menos que o esperado, o Brasil terminou entre os países com pior desempenho no cálculo. Outro sul-americano, o Equador (eliminado na segunda fase), ficou na lanterna.
Segundo tempo mais quente
O segundo tempo da Copa do Mundo concentrou a maior comemoração de gols. Segundo dados da Opta, analisados pela Folha, 56% das marcações da competição ocorreram na segunda parte das disputas. Em números absolutos, foram 174 nessa fase do jogo.
África do Sul, Coreia do Sul e Gana marcaram apenas no segundo tempo.
Outros 126 gols aconteceram no primeiro tempo, três na primeira parte da prorrogação e cinco na segunda parte da prorrogação. Foram 16 gols por pênalti e 14, contra, como o do cabo-verdiano Diney Borges na prorrogação durante partida contra Argentina, o que rendeu a vitória para a seleção latina.
Mbappé conquista artilharia e lugar na história do Mundial
A artilharia deste Mundial foi uma corrida de gigantes, que mudava de vencedor a cada jogo. Na primeira rodada, o francês Kylian Mbappé marcou duas vezes, junto com o norueguês Erling Haaland, mas logo foi ultrapassado por Lionel Messi, que marcou três gols.
À medida que a disputa avançava, outros nomes ganharam protagonismo, como os ingleses Harry Kane e Jude Bellingham e o espanhol Mikel Oyarzabal.
Na luta da França pelo terceiro lugar contra a Inglaterra, Mbappé alcançou a ponta da artilharia da Copa do Mundo de 2026, com 10 bolas na rede. O feito foi duplo: ele assumiu, também, o posto de maior artilheiro da história do torneio, com 22 gols, passando Miroslav Klose e Ronaldo Fenômeno.
Messi despediu-se de seu último Mundial sem conseguir marcar um gol na final.
Brasil perde nas oitavas para adversário pouco competitivo
Desde a criação do ranking Fifa, em 1993, a Noruega é o adversário menos competitivo a eliminar o Brasil de uma Copa do Mundo. Em junho, os nórdicos ocupavam a 31ª posição do ranking, e o Brasil, a 6ª —uma diferença de 25 posições.
Até então, a maior diferença em jogos eliminatórios havia sido na derrota para a França na final de 1998. Na ocasião, o Brasil liderava o ranking e a França ocupava a 18ª posição.
Vale a pena ver de novo
O VAR alterou a decisão dos árbitros de campo em 63 dos 65 lances revistos (97%). O árbitro assistente de vídeo interveio em 51 dos 104 jogos do Mundial.
A maior parcela das intervenções ocorreu para corrigir o árbitro em casos de escanteio ou tiro de meta equivocados.
Cartão vermelho sobe, mas não bate 2006, a da cabeçada de Zidane
Logo no jogo de abertura entre México e África do Sul, os três cartões vermelhos distribuídos pelo árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio quase igualaram o total registrado nas duas edições anteriores do torneio. Ao final desta Copa, o número de expulsões chegou a 15. Uma delas foi marcada pela interferência inédita do presidente Donald Trump, que pediu a anulação da punição de um jogador dos Estados Unidos.
Embora muito acima das três edições anteriores, o total não bateu o recorde registrado na Copa de 2006, que teve 28 expulsões –entre elas a cabeçada de Zinedine Zidane no italiano Marco Materazzi na final entre França e Itália.
Acréscimos e “acréscimo nos acréscimos”
A edição da Copa de 2026 teve um total de 1.150 minutos de acréscimos, média de 11 minutos por partida. Esse tempo poderia resultar em cerca de outras 13 partidas de 90 minutos.
Além dos minutos extras anunciados pelos árbitros, o Mundial também contou com os “acréscimos dos acréscimos”, ou seja, o tempo de bola rolando que estourou o tempo adicional anunciado previamente. Ao todo, foram 141 minutos a mais de jogos assim.
Argentina teve caminho pouco difícil, mas com muito drama
França (1º), Argentina (2º), Espanha (3º) e Inglaterra (4º). As quatro primeiras colocadas do ranking Fifa antes do início da Copa do Mundo de 2026 foram as quatro seleções que chegaram à semifinal.
A Argentina, porém, encontrou o caminho mais fácil nas fases anteriores, enfrentando rivais, na média, com pior ranking. Ironicamente, o jogo menos difícil dos hermanos no mata-mata foi a semifinal contra a Inglaterra, a mais bem colocada no ranking. Antes, o time de Messi penou para superar Cabo Verde (67º lugar) num jogo inesquecível, Egito e Suíça.
A Espanha, por sua vez, virou campeã com disputas, em teoria, mais difíceis, como Portugal (que caiu nas oitavas), e Uruguai (que nem passou da fase de grupos).
O novo jejum da seleção
Há 24 anos sem levantar a taça, a seleção com mais títulos da história passa a viver o período de maior irrelevância no Mundial. Mesmo que conquiste o hexacampeonato em 2030, terá superado a marca anterior, vivendo 28 anos sem um título.
A campanha deste ano foi a pior desde 1990, com queda para a Argentina também nas oitavas.
A história recente do time canarinho é marcada por derrotas para França em 2006, Holanda em 2010, Alemanha em 2014, Bélgica em 2018, Croácia em 2022 e Noruega em 2026.
Até 2030, a memória mais fresca dos brasileiros será de uma eliminação capenga, na qual o técnico apostou no maior artilheiro da seleção, que estava fora de ritmo, Neymar.










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