As possíveis manipulações de jogos da Copa do Mundo por apostas esportivas


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O Grupo de Copenhagen, órgão internacional independente responsável por analisar, monitorar, identificar e prevenir a manipulação de competições esportivas, verificou todas as 104 partidas da Copa do Mundo de 2026 e encontrou sete situações suspeitas de possível manipulação dos jogos voltada ao mercado de apostas.

O Grupo, parte do Conselho da Europa, não divulgou o relatório completo, mas sim um resumo das inconsistências encontradas na última quarta-feira, 22. De acordo com informações do The Athletic, braço esportivo do New York Times, algumas dessas inconsistências incluem o cartão vermelho dado a Themba Zwane, da África do Sul, durante a partida contra o México, o Polymarket — site de apostas americano — ter recebido US$ 4,8 milhões (cerca de R$ 24 milhões) em uma aposta de que a Espanha não derrotaria Cabo Verde na fase de grupos (a partida terminou em empate), a demora de três minutos e meio para o VAR tirar o gol de Ferran Torres durante a partida de 4 a 0 contra a Arábia Saudita e o fato de que o Polymarket abriu uma aposta em 2 de julho que perguntava se Folarin Balogun, dos EUA, jogaria contra a Bélgica. A data coincide com a partida do país contra a Bósnia e Herzegovina, quando Balogun levou um cartão vermelho.

De acordo com o relatório do Grupo, nenhum outro dos 14 jogadores que levaram cartão vermelho durante o Mundial tiveram uma aposta aberta no mesmo sentido que a de Balogun no Polymarket. O Comitê Disciplinar da Fifa só trouxe o jogador norte-americano de volta à competição em 5 de julho, ação que também foi única entre todos os que levaram um cartão vermelho. À época, o presidente Donald Trump pediu a Gianni Infantino, presidente da Fifa, que revisasse a situação. O pedido presidencial fez com que o jogador pudesse estar presente na partida contra a Bélgica.

A Fifa divulgou à imprensa americana que as conclusões de sua Força Tarefa de Integridade — de forma similar ao Grupo de Copenhagen, responsável por identificar situações de manipulação nas partidas — revelaram que nenhuma atividade suspeita relacionada à apostas ou indícios de manipulação foram identificadas, resposta que contraria os achados do Grupo. O órgão europeu afirmou que enviou um pedido oficial à Fifa por uma explicação por escrito com relação ao caso de Balogun.

O Grupo, assim como o Conselho da Europa, são alguns dos órgãos que participam, junto da Força Tarefa de Integridade da Fifa, da organização e monitoramento das partidas da Copa do Mundo. O grupo da Federação surgiu em 2019 para a Copa do Mundo Feminina e passou a ser obrigatório em todas as outras. O resultado do relatório do Grupo de Copenhagen contraria o que foi divulgado pela Federação com relação às possíveis manipulações de partidas por causa do mercado de apostas.

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Apesar disso, especialistas indicam que as situações identificadas pelo grupo europeu podem ter acontecido não por manipulação, mas por outros fatores diversos dentro do mercado de apostas. O Grupo classifica as situações em quatro categorias: verde (normal), amarelo (alerta um pouco aumentado), laranja (alerta aumentado) e vermelho (alerta severo). Todas as sete situações suspeitas identificadas caem na seção amarela, que representa o menor risco após a verde.

O Grupo de Copenhagen estima que US$ 240 bilhões de dólares foram movimentados em apostas durante todo o Mundial, aproximadamente metade do valor da Copa do Mundo de 2022, à época no Catar. Além dos sete alertas, 15 partidas, em especial as da final, foram colocadas em supervisão aumentada, e 12 controvérsias também foram identificadas e analisadas por eles durante a Copa.



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