Campeões da Champions já comandam metade das seleções campeãs da Copa


Chamei atenção para a virada de chave na Copa do Mundo de 2026. Durante o torneio, publiquei no Correio Braziliense a coluna “A revolução de Carletto e Tuchel”, mostrando uma tendência inaugurada por Carlo Ancelotti e Thomas Tuchel na América do Norte: técnicos campeões da Champions League passariam a olhar com mais interesse para o mercado de seleções visando ao Mundial do centenário, em 2030.

 

Apenas nove dias depois da decisão entre Espanha e Argentina no MetLife Stadium, o movimento ganhou força. Agora, metade das oito seleções campeãs da Copa do Mundo será comandada por vencedores da principal competição de clubes da Europa.

 

Recordista de títulos da Champions League — duas conquistas pelo Milan e três pelo Real Madrid —, Carlo Ancelotti foi eliminado nas oitavas de final da Copa pela Noruega. Apesar de o Brasil registrar a pior campanha desde 1990, o italiano foi mantido pela CBF até 2030. Depois do período de descanso em Vancouver, no Canadá, ele retoma os trabalhos nesta terça-feira.

 

Campeão da Champions pelo Chelsea em 2021, Thomas Tuchel deixou escapar a classificação inglesa para a final ao recuar a equipe quando vencia a Argentina por 1 x 0 na semifinal, em Atlanta. Eliminado, conduziu a Inglaterra ao terceiro lugar com a vitória sobre a França por 6 x 4 em uma disputa insana e permanece prestigiado no cargo.

 

Nesta terça-feira, a França oficializou a sucessão de Didier Deschamps por Zinedine Zidane. Após 14 anos no comando dos bicampeões mundiais, Deschamps entrega o bastão ao maior vencedor da história recente da Champions League como treinador: Zidane conquistou três títulos consecutivos pelo Real Madrid, entre 2016 e 2018. O herói do título mundial de 1998 e do vice em 2006 repete o caminho de outra lenda francesa, Michel Platini, técnico da seleção de 1988 a 1992.

 

A Alemanha também reagiu rapidamente ao fracasso na Copa. Depois da eliminação diante do Paraguai nas oitavas de final, demitiu Julian Nagelsmann e convenceu Jürgen Klopp a deixar o cargo executivo na Red Bull. Campeão da Champions com o Liverpool em 2019, ele comandará os tetracampeões mundiais no ciclo rumo a 2030.

 

O mercado ainda oferece outros treinadores vencedores da Champions. A Itália tentou Pep Guardiola, mas a instabilidade política na FIGC inviabilizou o avanço das negociações. Depois de vetar Andreas Pirlo, a federação recorreu ao velho conhecido Roberto Mancini, campeão da Eurocopa de 2021, para reconstruir a Azzurra.

 

Para mim, não seria surpresa no presente ou no futuro a Argentina recorrer a Guardiola caso Lionel Scaloni deixe o comando da seleção. O treinador catalão sempre manteve forte ligação com a escola argentina. Em diferentes momentos da carreira buscou inspiração em nomes como Marcelo Bielsa e César Luis Menotti, a quem homenageou publicamente após a morte do treinador em 2024. Menotti levou a Argentina ao primeiro título em 1978.

 

Outro nome de peso é Luis Enrique. Campeão da Champions pelo Barcelona (2015) e pelo Paris Saint-Germain (2025 e 2026), o espanhol permanece no clube francês, mas conhece bem o ambiente das seleções depois de dirigir a Espanha na Copa do Mundo de 2022. Experiente nos dois universos, é um dos profissionais mais observados por federações que enxergam o mercado de seleções como um novo campo para treinadores de elite.

 



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