Seleção Brasileira mantém retrospecto favorável, mas sofre nos Mundiais
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A história recente da Seleção Brasileira em Copas do Mundo pode ser contada também pela distância que se abriu entre o Brasil e as seleções europeias. Ao longo das últimas três décadas, o calendário internacional mudou, os encontros entre equipes dos dois continentes ficaram menos frequentes e, paralelamente, o caminho brasileiro no Mundial passou a terminar repetidamente diante de adversários do Velho Continente. O contraste chama atenção porque, desde o título conquistado em 2002, a equipe não conseguiu mais superar uma seleção europeia em um mata-mata de Copa do Mundo.
Entre 1998 e 2026, o Brasil disputou 414 partidas, com 1.169 gols marcados e média de 2,82 gols por jogo. Nesse universo, os confrontos diante de europeus representam uma parcela importante, mas cada vez mais concentrada nos grandes torneios. Foram 87 partidas contra seleções do continente no período, com 49 vitórias brasileiras, 22 empates e 16 derrotas. O Brasil marcou 155 gols e sofreu 76. A maior parte desses encontros aconteceu em amistosos, 59 no total, enquanto 20 foram em Copas do Mundo e oito pela Copa das Confederações.
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O caminho para o penta passou pela Europa
A relação entre o Brasil e as seleções europeias teve um de seus momentos mais intensos justamente no Mundial de 2002. Para chegar ao pentacampeonato, a equipe comandada por Luiz Felipe Scolari precisou enfrentar quatro adversários europeus em cinco partidas: Turquia, duas vezes, Bélgica, Inglaterra e Alemanha. Foram quatro jogos de mata-mata e um da fase de grupos, contra a Turquia, com cinco vitórias brasileira.
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Na final, em Yokohama, a Alemanha ficou pelo caminho com dois gols de Ronaldo, e o Brasil levantou a taça pela quinta vez. Aquele título se tornou, com o passar dos anos, uma espécie de marco divisório. Desde então, os encontros com europeus nas fases decisivas da Copa passaram a ter outro desfecho.
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O recorte histórico da competição mostra 20 partidas entre o Brasil e seleções europeias em Copas do Mundo de 2002 até 2026, com dez vitórias brasileiras, quatro empates e seis derrotas. O retrospecto geral ainda é favorável à Seleção, mas a sequência mais recente pesa de maneira decisiva na percepção sobre esses confrontos.
De 2006 em diante, a Europa virou o ponto final
A sequência começou em 2006, quando a França venceu o Brasil por 1 a 0 nas quartas de final, em uma partida marcada pela atuação de Zinedine Zidane e pelo gol de Thierry Henry. Quatro anos depois, foi a vez da Holanda interromper o caminho brasileiro, novamente nas quartas, em uma derrota por 2 a 1 que abriu uma ferida que demoraria a cicatrizar.
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Em 2014, a queda diante da Alemanha ganhou uma dimensão própria. O 7 a 1 no Mineirão, na semifinal, transformou uma eliminação em um dos episódios mais traumáticos da história do futebol brasileiro. A campanha ainda terminaria com outra derrota europeia, desta vez para a Holanda, por 3 a 0, na disputa pelo terceiro lugar.
A Copa seguinte trouxe a Bélgica. Nas quartas de final de 2018, o Brasil perdeu por 2 a 1 e voltou para casa antes de disputar as semifinais. Em 2022, a história se repetiu diante da Croácia. O empate por 1 a 1 levou a decisão para os pênaltis, e a seleção croata avançou. Em 2026, o cenário mudou de fase, mas não de desfecho: a Noruega eliminou o Brasil nas oitavas de final com dois gols de Erling Haaland.
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O Brasil saiu de um Mundial para outro carregando a mesma dificuldade, com a barreira aparecendo em momentos diferentes do torneio e contra adversários de estilos distintos.
Menos encontros no calendário, mais distância antes da Copa
O número de confrontos também ajuda a entender como essa história foi se modificando. No início do recorte, os jogos contra europeus apareciam com frequência. Foram seis em 1999, sete em 2002, seis em 2006 e nove em 2013. O calendário ainda oferecia espaço para partidas contra grandes seleções do continente, muitas vezes em amistosos disputados em estádios europeus ou em torneios como a Copa das Confederações.
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A partir da década seguinte, a frequência começou a cair. Em 2015, houve apenas um encontro. Em 2016, nenhum. Em 2017, um. Em 2019, outro. Depois, o Brasil passou três anos sem enfrentar uma seleção europeia, entre 2020 e 2021, em um período afetado pela pandemia e pelas restrições do calendário internacional, além de não ter jogos do tipo em 2023 e 2025.
O movimento ajuda a dimensionar a mudança. Dos 87 confrontos do período, 59 foram amistosos, justamente o tipo de partida que perdeu espaço no calendário internacional. A criação da Liga das Nações da Uefa contribuiu para esse processo ao ocupar as Datas Fifa com competições entre seleções europeias, reduzindo as oportunidades para que equipes de outros continentes enfrentassem regularmente os principais times do continente.
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Isso não explica sozinho as eliminações brasileiras, e seria arriscado estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a diminuição dos amistosos e os resultados nas Copas. Há fatores técnicos, geracionais, táticos e administrativos envolvidos em cada ciclo. Ainda assim, a redução dos encontros oferece um paralelo interessante: quanto menos o Brasil enfrenta europeus ao longo do ciclo de preparação, maior tende a ser a concentração desses confrontos nos próprios Mundiais, quando a margem para adaptação é pequena e o erro custa uma eliminação.
Os números anuais mostram essa mudança com clareza. Depois dos nove jogos de 2013, o Brasil teve seis confrontos com europeus em 2014 e apenas um em 2015. Em seguida, veio um período de pouca exposição: zero em 2016, um em 2017, sete em 2018, um em 2019 e nenhum em 2020 e 2021, explicados pelo fato de terem sido os anos principais da pandemia de Covid. Em 2022, foram três partidas, todas na Copa do Mundo, contra Sérvia, Suíça e Croácia. Depois, zero em 2023, dois em 2024, nenhum em 2025 e quatro em 2026.
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Nesse período, a Inglaterra foi a seleção europeia que mais enfrentou o Brasil, com sete partidas. Portugal, França e Alemanha aparecem logo atrás, com seis confrontos cada. O equilíbrio diante de alguns adversários também chama atenção: contra Portugal, o retrospecto é dividido, enquanto os duelos com a Alemanha somam 13 gols para cada lado, número que carrega o peso inevitável do 7 a 1 de 2014.
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O Brasil segue tendo um retrospecto geral positivo diante dos europeus no recorte, com 49 vitórias em 87 partidas. A dificuldade aparece quando o contexto muda. Na Copa, especialmente no mata-mata, o encontro acontece quando o campeonato já separou as equipes de maior nível e cada detalhe ganha proporções enormes.











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