O FBI realizou, na volta da Argentina após a derrota na final da Copa do Mundo 2026, uma operação de entrega de notificações das investigações que realiza contra a Federação de Futebol do país. O caso gerou um atraso na partida do voo da Aerolineas Argentinas que trazia a delegação argentina de volta ao país.
A informação está no jornal Clarín. Segundo o veículo, o presidente da AFA, Claudio Tapia, e Leandro Petersen, responsáveis pelo marketing da federaçãoe próximos do tesoureiro Pablo Toviggino, teriam sido levados a uma pequena sala onde autoridades judiciais os informaram sobre a situação.
A Justiça também solicitou informações sobre a empresa TourProdEnter, sediada em Miami e ligada ao empresário Javier Faroni.
O Departamento de Justiça americano teria conseguido apreender o celular do presidente e das outras autoridades como parte do processo. Essa solicitação foi feita por meio de uma notificação entregue antes do retorno do presidente da AFA da final da Copa do Mundo.
Um outro nome, que não está entre os investigados, iria depor em 30 de julho em um tribunal dos Estados Unidos para abordar o tema.
Segundo o site Infobae , os agentes americanos teriam apreendido os celulares do presidente da Federação Argentino de Futebol e de seu tesoureiro, Pablo Toviggino. No entanto, a AFA negou essa informação.
Em comunicado assinado pelo advogado Gregorio Dalbón, a organização liderada por Tapia negou que seus telefones tenham sido apreendidos durante a operação.
‘O documento mencionado em diversas publicações não constitui uma intimação dirigida ao Presidente da AFA, Claudio ‘Chiqui’ Tapia, nem ao Tesoureiro da instituição, Pablo Toviggino. A intimação emitida pelo Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul da Flórida é dirigida a um terceiro, que é obrigado a comparecer perante um Grande Júri e potencialmente apresentar documentação e comunicações relacionadas a vários indivíduos, incluindo autoridades desta Associação’, declarou a AFA.
‘Consequentemente, é absolutamente falso afirmar que Claudio Tapia ou Pablo Toviggino foram intimados a depor pelo sistema judiciário dos Estados Unidos, assim como também é falso afirmar que celulares ou qualquer outro dispositivo eletrônico foram apreendidos deles’, completa a nota.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, conversa com Claudio Fabian Tapia, presidente da Federação Argentina. — Foto: JUAN MABROMATA / AFP
A Argentina é alvo de investigações pelo FBI e procuradores-gerais. A investigação atinge diretamente a Federação Argentina por transações comerciais com a empresa TourProdEnter LLC.
A informação foi divulgada pelo jornal La Nación, dizendo que procuradores federais e agentes do FBI começaram a colher depoimentos sobre as operações financeiras realizadas pela AFA nos Estados Unidos.
Segundo o jornal, os investigadores do Departamento de Justiça procuram compreender como funcionava a entidade chefiada pelo presidente da AFA, como canalizou quantias superiores a 300 milhões de dólares através do seu sistema financeiro e se algumas dessas operações podem ter resultado em crimes sob jurisdição dos EUA.
Agentes do FBI se reuniram com o empresário Guillermo Tofoni em uma reunião por meio da plataforma de videoconferência Zoom, analisando se certas operações ligadas à AFA poderiam constituir crimes como lavagem de dinheiro ou fraude no sistema bancário dos EUA.
O caso nasceu de uma abordagem da então ministra da Justiça da Argentina, Patricia Bullrich, mas que acabou sendo arquivado inicialmente. Dessa forma, a investigação começou a tomar forma em 2025, por meio de três procuradores-gerais: Patrick Gushue e Christopher Ting, sediados em Washington, e Michael Berger, no Distrito Sul da Flórida.
Gushue, membro da Unidade de Integridade Bancária do Departamento de Justiça, participou de investigações relacionadas a crimes financeiros. Berger, advogado, atuou no caso que resultou na condenação do ex-controlador-geral do Equador, Carlos Ramón Polit Faggioni, por lavagem de dinheiro em Miami.
O La Nación destaca que há diversos documentos que reforçam a suspeita.
Em meio a isso, o presidente da federação argentina, Claudio Fabian Tapia, conhecido como ‘Chiqui’, está nos Estados Unidos para a Copa do Mundo. Ele foi autorizado pela Justiça da Argentina a viajar mesmo sendo investigado por desvio de contribuições da previdência e impostos. A autorização veio através de uma fiança.
Tanto Tapia, como o dirigente da AFA Pablo Toviggino estão entre os principais alvos.
O foco na empresa começou no momento em que ela assumiu a função de agente de cobrança dos contratos que a AFA assinou com patrocinadores e outras empresas.
A TourProdEnter LLC funcionava como um veículo de arrecadação para os contratos internacionais da AFA, canalizando centenas de milhões de dólares de multinacionais como a Adidas (US$ 60 milhões) e a Warner (US$ 40 milhões).
No total, a empresa teria administrado cerca de R$ 1,34 bilhão das receitas da associação de futebol da Argentina. Apesar disso, não se sabe o destino desses recursos.
Cerca de US$ 57 milhões (quase R$ 300 milhões) teriam sido distribuídos entre empresas e beneficiários relativos a organização argentina, sem uma justificativa financeira, segundo o jornal.
O dinheiro teria sido movimentado nos bancos Citibank, Synovus, Bank of America, JP Morgan e PNC Bank.
Até agora, não existe denúncia formal. Mesmo assim, o Departamento de Justiça americano avalia convocar o governo Javier Milei para mais acesso a informações sigilosas.
Em contato com o La Nación, os representantes da AFA nos EUA defenderam cautela sobre o caso. O embaixador da entidade no país, Tomás Regalado, destacou que as diligência não significam nada no momento, nem responsabilidade criminal e nem culpa e que aguardam mais investigações.
‘As medidas de investigação por si só não determinam responsabilidade nem culpabilidade’, declarou oficialmente, segundo o La Nación.











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