Cara a cara das oitavas: compare Brasil e Noruega jogador por jogador, e saiba quem se sai melhor


A Noruega derrotou a Costa do Marfim por 2 a 1 e será a adversária do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo. Antonio Nusa abriu o placar com uma jogada individual, os africanos empataram com Amad Diallo e Erling Haaland decidiu aos 41 minutos do segundo tempo, alcançando cinco gols no torneio. O confronto será disputado no domingo, às 17h, no New York New Jersey Stadium.

O GLOBO comparou os prováveis titulares por posição — ou pela função mais próxima dentro das duas formações. No Brasil, a entrada de Danilo Santos no lugar de Lucas Paquetá é uma estimativa: o meia está fora por lesão, mas Carlo Ancelotti ainda pode escolher outro jogador ou até alterar o sistema. Cada confronto considera três critérios: desempenho nesta Copa, rendimento na temporada 2025/26 e peso da carreira.

Goleiros: Alisson (Liverpool) x Ørjan Nyland (Sevilla)

Alisson Becker — Foto: Getty Images

Nyland teve participação importante na classificação norueguesa. Fez uma boa defesa em finalização de Nicolas Pépé e apareceu novamente nos acréscimos para impedir que Amad Diallo levasse a partida à prorrogação. Ainda assim, Alisson realizou uma Copa mais segura e regular. Sofreu apenas dois gols nas quatro partidas brasileiras, não foi vazado contra Haiti e Escócia e respondeu bem nos momentos em que o Brasil perdeu o controle. A diferença cresce nos outros critérios: Alisson foi muito mais utilizado no clube e construiu carreira como protagonista de títulos importantes pelo Liverpool.

  • Nesta Copa: Alisson
  • Na última temporada: Alisson
  • Na carreira: Alisson
  • Placar: Alisson 3 x 0 Ørjan Nyland

Laterais-direitos: Danilo (Flamengo) x Marcus Holmgren Pedersen (Torino)

Marcus Holmgren Pedersen antes de Noruega x Senegal — Foto: Getty Images via AFP
Marcus Holmgren Pedersen antes de Noruega x Senegal — Foto: Getty Images via AFP

Pedersen chega em melhor momento. Assumiu a posição após a lesão de Julian Ryerson, foi seguro contra a Costa do Marfim e oferece mais intensidade para acompanhar pontas rápidos e atacar o corredor. Danilo, por sua vez, cometeu o erro que originou o gol japonês e ainda não apresentou na Copa a segurança esperada de um jogador tão experiente. A temporada também favorece o norueguês: Pedersen teve maior continuidade no futebol italiano, enquanto Danilo chegou ao Mundial como reserva do Flamengo. O brasileiro salva o ponto da carreira, marcada por títulos nos maiores clubes da Europa e pela liderança na Seleção.

  • Nesta Copa: Marcus Holmgren Pedersen
  • Na última temporada: Marcus Holmgren Pedersen
  • Na carreira: Danilo
  • Placar: Danilo 1 x 2 Marcus Holmgren Pedersen

Zagueiros: Marquinhos (Paris Saint-Germain) x Kristoffer Ajer (Brentford)

Marquinhos em campo em Brasil x Haiti pela Copa do Mundo — Foto: Darrian Traynor / Getty Images via AFP
Marquinhos em campo em Brasil x Haiti pela Copa do Mundo — Foto: Darrian Traynor / Getty Images via AFP

Ajer teve atuação resistente contra a Costa do Marfim, especialmente pelo alto, mas enfrentará um nível de dificuldade muito maior diante dos atacantes brasileiros. Marquinhos atravessa um Mundial mais consistente. É o líder de uma defesa que sofreu pouco, ajuda na saída de bola e oferece velocidade para corrigir os espaços deixados pelos laterais. A temporada também coloca o brasileiro à frente, tanto pelo nível das competições quanto pelo protagonismo no Paris Saint-Germain. Na carreira, a distância é ainda maior: Marquinhos acumulou títulos, decisões europeias e mais de uma década como referência em clube e seleção.

  • Nesta Copa: Marquinhos
  • Na última temporada: Marquinhos
  • Na carreira: Marquinhos
  • Placar: Marquinhos 3 x 0 Kristoffer Ajer

Zagueiros: Gabriel Magalhães (Arsenal) x Torbjørn Heggem (Bologna)

Gabriel Magalhães durante Brasil x Haiti — Foto: Getty Images via AFP
Gabriel Magalhães durante Brasil x Haiti — Foto: Getty Images via AFP

Heggem fez um bom jogo no mata-mata. Bloqueou uma finalização perigosa, ajudou a Noruega a suportar a pressão marfinense e quase marcou em uma bola salva sobre a linha. Gabriel Magalhães, porém, teve desempenho superior no conjunto do Mundial. Além da segurança nos duelos e das coberturas, foi dele o cruzamento para o gol de Casemiro contra o Japão. Também chega de uma temporada de maior exigência, como titular de um Arsenal que disputou os principais títulos. Na carreira, o brasileiro leva vantagem pelo tempo de protagonismo na Premier League, na Champions e na Seleção.

  • Nesta Copa: Gabriel Magalhães
  • Na última temporada: Gabriel Magalhães
  • Na carreira: Gabriel Magalhães
  • Placar: Gabriel Magalhães 3 x 0 Torbjørn Heggem

Laterais-esquerdos: Douglas Santos (Zenit) x David Møller Wolfe (Wolverhampton)

Douglas Santos ganhou a vaga de titular na estreia do Brasil — Foto: Darrian Traynor / Getty Images via AFP
Douglas Santos ganhou a vaga de titular na estreia do Brasil — Foto: Darrian Traynor / Getty Images via AFP

Douglas Santos tem oferecido ao Brasil um equilíbrio importante. Ataca menos do que outros laterais, mas protege o espaço deixado por Vini Jr., fecha como terceiro zagueiro e dá estabilidade à saída de bola. Wolfe é mais agressivo e veloz, aparece com frequência no ataque e viveu uma temporada em liga mais competitiva, razão pela qual leva o critério recente. Contra a Costa do Marfim, no entanto, foi superado fisicamente por Amad Diallo no lance do empate. Douglas apresenta uma Copa mais regular e uma carreira com maior número de títulos e temporadas como jogador de confiança.

  • Nesta Copa: Douglas Santos
  • Na última temporada: David Møller Wolfe
  • Na carreira: Douglas Santos
  • Placar: Douglas Santos 2 x 1 David Møller Wolfe

Volantes: Casemiro (Manchester United) x Patrick Berg (Bodø/Glimt)

Patrick Berg em campo pela Noruega — Foto: Getty Images via AFP
Patrick Berg em campo pela Noruega — Foto: Getty Images via AFP

Casemiro marcou o gol que iniciou a reação brasileira contra o Japão e continua sendo fundamental na bola aérea e na proteção da área. Ao mesmo tempo, teve dificuldades quando precisou defender grandes espaços e correr em direção ao próprio gol. Patrick Berg aparece como um dos noruegueses mais regulares do torneio. Organiza a primeira fase da construção, oferece intensidade sem a bola e participou diretamente do gol decisivo contra a Costa do Marfim ao encontrar Haaland dentro da área. Berg também teve uma temporada mais contínua e de maior protagonismo. Casemiro fica com a carreira, sustentada por cinco títulos de Champions e anos entre os melhores da posição.

  • Nesta Copa: Patrick Berg
  • Na última temporada: Patrick Berg
  • Na carreira: Casemiro
  • Placar: Casemiro 1 x 2 Patrick Berg

Meias centrais: Bruno Guimarães (Newcastle) x Sander Berge (Fulham)

Bruno Guimarães deu o cruzamento do segundo gol do Brasil contra a Escócia — Foto: PATRÍCIA DE MELO MOREIRA/AFP
Bruno Guimarães deu o cruzamento do segundo gol do Brasil contra a Escócia — Foto: PATRÍCIA DE MELO MOREIRA/AFP

Bruno Guimarães se tornou uma das principais fontes de criação do Brasil. Participou de gols na fase de grupos, encontrou Martinelli no lance da virada contra o Japão e consegue acelerar a equipe tanto pelo passe vertical quanto pelas conduções. Sander Berge oferece mais força física e disciplina posicional, mas influencia menos perto da área e sofreu quando os marfinenses aumentaram o ritmo. A temporada também favorece Bruno, protagonista e capitão no Newcastle. Na carreira, o brasileiro disputou mais decisões, conquistou títulos relevantes e ganhou um papel de maior responsabilidade na Seleção.

  • Nesta Copa: Bruno Guimarães
  • Na última temporada: Bruno Guimarães
  • Na carreira: Bruno Guimarães
  • Placar: Bruno Guimarães 3 x 0 Sander Berge

Meias: Danilo Santos (Botafogo, estimado) x Martin Ødegaard (Arsenal)

Martin Ødegaard durante Noruega X Senegal — Foto: Getty Images via AFP
Martin Ødegaard durante Noruega X Senegal — Foto: Getty Images via AFP

A presença de Danilo Santos é apenas uma estimativa para a vaga de Paquetá. O brasileiro acrescentaria marcação, força e capacidade para chegar de trás, mas ainda não teve nesta Copa a mesma participação dos titulares. Ødegaard é o cérebro da Noruega. Foi dele o passe que encontrou Nusa aberto no lance do primeiro gol contra a Costa do Marfim e é também quem determina quando a equipe acelera ou mantém a posse. A temporada favorece claramente o capitão do Arsenal, titular e protagonista no mais alto nível europeu. Na carreira, Ødegaard também já acumulou mais anos como referência internacional e jogador central de uma grande equipe.

  • Nesta Copa: Martin Ødegaard
  • Na última temporada: Martin Ødegaard
  • Na carreira: Martin Ødegaard
  • Placar: Danilo Santos 0 x 3 Martin Ødegaard

Atacantes pela direita: Rayan (Bournemouth) x Alexander Sørloth (Atlético de Madrid)

Alexander Sørloth durante Irã x Noruega — Foto: Getty Images via AFP
Alexander Sørloth durante Irã x Noruega — Foto: Getty Images via AFP

Rayan ainda não marcou, mas participou ativamente do ataque brasileiro. Foi uma opção constante de velocidade contra o Japão, sofreu faltas e ajudou a empurrar o adversário para trás, embora ainda oscile na tomada de decisão. Sørloth também não tem gols no Mundial, mas exerce função importante ao lado de Haaland: disputa bolas longas, ocupa os zagueiros e abre espaços para o companheiro atacar a área. O norueguês teve uma temporada mais produtiva e possui uma carreira mais longa, construída em vários campeonatos europeus. Rayan leva apenas o desempenho específico na Copa.

  • Nesta Copa: Rayan
  • Na última temporada: Alexander Sørloth
  • Na carreira: Alexander Sørloth
  • Placar: Rayan 1 x 2 Alexander Sørloth

Pontas-esquerdas: Vini Jr. (Real Madrid) x Antonio Nusa (RB Leipzig)

Vini Jr. comemora o gol da virada contra o Japão — Foto: RONALDO SCHEMIDT / AFP
Vini Jr. comemora o gol da virada contra o Japão — Foto: RONALDO SCHEMIDT / AFP

Nusa chega valorizado pelo belo gol contra a Costa do Marfim. Tem velocidade, capacidade de drible e pode explorar justamente o lado em que Danilo apresentou dificuldades contra o Japão. Ainda assim, a comparação no Mundial é favorável a Vini Jr. O brasileiro marcou quatro gols nos três jogos da fase de grupos, balançou a rede em todas as rodadas e, mesmo sem marcar no mata-mata, acertou a trave e permaneceu como a principal ameaça ofensiva. Vini também leva temporada e carreira pelo protagonismo no Real Madrid, pelas decisões de Champions e pela condição de um dos melhores jogadores do mundo.

  • Nesta Copa: Vini Jr.
  • Na última temporada: Vini Jr.
  • Na carreira: Vini Jr.
  • Placar: Vini Jr. 3 x 0 Antonio Nusa

Referências do ataque: Matheus Cunha (Manchester United) x Erling Haaland (Manchester City)

Haaland comemora gol da Noruega contra a Costa do Marfim pela Copa do Mundo — Foto: Paul Ellis / AFP
Haaland comemora gol da Noruega contra a Costa do Marfim pela Copa do Mundo — Foto: Paul Ellis / AFP

Matheus Cunha oferece mobilidade, sai da área para receber e ajuda a criar espaços para os pontas. Marcou na fase de grupos e tem importância no funcionamento do ataque, mas passou em branco contra o Japão e não conseguiu transformar sua movimentação em chances claras. Haaland vive uma Copa muito mais decisiva. Mesmo apagado durante grande parte do duelo com a Costa do Marfim, apareceu nos minutos finais para marcar o gol da classificação e chegar a cinco no torneio. A temporada e a carreira também pertencem ao norueguês, recordista, campeão europeu e um dos maiores goleadores de sua geração.

  • Nesta Copa: Erling Haaland
  • Na última temporada: Erling Haaland
  • Na carreira: Erling Haaland
  • Placar: Matheus Cunha 0 x 3 Erling Haaland

Placar final: Brasil 6 x 5 Noruega

Seleção brasileira comemora o gol da classificação — Foto: Getty Images via AFP
Seleção brasileira comemora o gol da classificação — Foto: Getty Images via AFP

O Brasil vence seis dos 11 confrontos. A vantagem está concentrada no gol, na dupla de zaga, em Bruno Guimarães e em Vini Jr. São setores nos quais a seleção possui jogadores mais consolidados, mais regulares e acostumados a decidir partidas no maior nível do futebol internacional.

A Noruega, porém, leva cinco duelos e deixa o cara a cara muito mais equilibrado do que o peso histórico das camisas poderia sugerir. Pedersen supera o atual momento de Danilo, Patrick Berg chega mais regular que Casemiro, Ødegaard domina a comparação no meio, Sørloth oferece maior peso do que Rayan e Haaland vence com folga no comando do ataque.

O placar aponta favoritismo brasileiro, mas não uma diferença confortável. A Noruega perde em profundidade e qualidade defensiva, porém reúne vantagens individuais justamente no corredor central e na área. É uma equipe que pode ser dominada por longos períodos e ainda assim decidir a partida em duas ou três ações de Ødegaard, Nusa e Haaland.



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