Conselheiro sênior da Fifa pede demissão e critica proposta de venda de participação na Copa


Carlos Cordeiro, conselheiro sênior da Fifa e ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, pediu demissão da entidade e divulgou um comunicado contra a proposta de venda de participação na Copa do Mundo.

“Não posso ficar de braços cruzados enquanto a FIFA considera vender uma participação na Copa do Mundo. Para que fique bem claro, não tive qualquer envolvimento nesta proposta e oponho-me a ela inequivocamente. O futebol tem sido fundamental na minha vida e, após mais de 35 anos no setor bancário, compreendo tanto o valor desse ativo quanto as consequências de ceder parte dele. É por isso que essa proposta deve ser rejeitada.”

A resistência ao projeto também foi manifestada por outros integrantes da Fifa. O diretor de operações da entidade, Kevin Lamour, disse à agência Associated Press que é contrário à ideia. Embora não tenha deixado o cargo, Lamour afirmou que suas declarações podem lhe custar o emprego, mas que, ao menos, poderá “dormir tranquilo”.

Com as manifestações contrárias da Uefa e da Concacaf já são 99 dos 211 países com direito a voto posicionados contra a proposta. Diante da repercussão negativa quase unânime, a Fifa divulgou um comunicado em defesa da ideia.

O documento foi divulgado sob o título “Esclarecimento sobre a Proposta a Respeito do Fifa Forward Enterprise”. O Fifa Forward é o programa da Fifa voltado ao desenvolvimento do futebol ao redor do mundo. Pela proposta, seria criada uma empresa com esse nome, que passaria a vender participações a investidores privados e, consequentemente, parte dos ativos relacionados à organização de competições, como a Copa do Mundo.

Em comunicado, a entidade disse ter recebido as respostas das confederações sobre a proposta e disse respeitar tanto as manifestações contrárias quanto as preocupações levantadas pelo público. A organização também criticou a cobertura da imprensa, afirmando que o processo de consulta foi prejudicado por informações consideradas incorretas.

“Nós recebemos o feedback, ou seja, as respostas das respectivas confederações com relação à proposta estabelecida em relação às notícias que saíram na imprensa de terça-feira. Nós respeitamos essa resposta e também a preocupação do público e reafirmamos o nosso interesse em um processo democrático e numa consulta democrática. O nosso processo de consulta foi interrompido ou foi prejudicado por manifestações incorretas da imprensa. Nós vamos fazer os nossos procedimentos de consulta para garantir que as federações nacionais, que as associações-membro, possam expressar o seu voto baseadas em fatos. Ninguém está vendendo futebol, e isso é algo que a Fifa pode garantir. Todo mundo terá o direito de expressar a sua posição e, para futuros esclarecimentos, nenhuma entidade das 211 associações nacionais mundo afora terá esse direito prejudicado.”

A Fifa afirma que não está vendendo o futebol e garantiu que, caso a proposta avance, toda a operação comercial e a organização dos eventos ficarão sob responsabilidade de uma empresa subsidiária da entidade. Segundo o projeto, a Fifa manterá o controle permanente da estrutura, já que apenas 20% das ações seriam vendidas a investidores privados.

A entidade também reiterou o compromisso de repassar US$ 20 milhões por ano a cada associação nacional entre 2027 e 2030. De acordo com a Fifa, os recursos serão distribuídos independentemente de as federações apoiarem ou não a proposta neste primeiro momento.



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