Copa do Mundo: quartas de final são definidas entre emoção em campo e polêmicas que extrapolam o futebol


Elcio Ramalho, enviado especial da RFI a Nova York




Julian Alvarez (à esq.) e Lionel Messi comemoram a virada argentina contra o Egito pelas oitavas de final da Copa.

Foto: REUTERS – Carlos Barria / RFI

Das oito seleções classificadas para as quartas de final, seis são europeias. A Suíça foi a última a garantir vaga ao eliminar a Colômbia nos pênaltis. Em uma partida equilibrada e com poucas oportunidades de gol, as equipes empataram em 0 a 0 no tempo regulamentar e mantiveram o mesmo placar após a prorrogação.

Na disputa por pênaltis, dois colombianos desperdiçaram suas cobranças, contra apenas um erro suíço. A vitória por 4 a 3 colocou a seleção europeia novamente entre as oito melhores do mundo, encerrando um jejum de 72 anos sem chegar às quartas de final.

O próximo adversário será a Argentina, que protagonizou uma das partidas mais emocionantes desta edição do Mundial. Diante do Egito, a equipe sul-americana perdia por 2 a 0 até os 34 minutos do segundo tempo, mas conseguiu uma virada histórica em apenas 13 minutos, vencendo por 3 a 2.

Um dos gols foi marcado por Lionel Messi, que chegou a oito na competição e assumiu isoladamente a artilharia do torneio, à frente de Kylian Mbappé e Erling Haaland, ambos com sete. Após o apito final, o camisa 10 argentino não conteve a emoção e foi às lágrimas.

“Conheço todos eles e sei que é um grupo que nunca baixa os braços”, declarou Messi ao destacar o espírito de luta da equipe.

Marrocos tenta repetir feito histórico

Única seleção africana ainda viva na competição, o Marrocos terá a oportunidade de se vingar da derrota para a França na semifinal da Copa de 2022, no Catar.

Se há quatro anos os marroquinos eram considerados a grande surpresa do torneio, agora chegam mais preparados e experientes. A equipe conta com jogadores consolidados, como o lateral Achraf Hakimi, além de jovens talentos como o meio-campista Ayyoub Bouaddi.

Na estreia da Copa, contra o Brasil, o Marrocos demonstrou seu potencial ofensivo e chega confiante para o confronto diante dos franceses. A partida, que será disputada em Boston, abre a rodada das quartas de final nesta quinta-feira (9).

Quem avançar enfrentará Espanha ou Bélgica, no primeiro duelo 100% europeu desta fase, marcado para sexta-feira (10), em Los Angeles.

No sábado (11), em Miami, a Noruega, que eliminou o Brasil, encara a Inglaterra de Harry Kane, que também segue na disputa pela artilharia da competição. O vencedor enfrentará, na semifinal, Argentina ou Suíça, que fecham a programação das quartas em Kansas City.

Pressão política sobre a Fifa gera indignação

Fora das quatro linhas, uma das principais controvérsias da Copa envolve o presidente dos Estados Unidos e a Fifa.

Após a expulsão do atacante norte-americano Folarin Balogun em uma partida da seleção dos Estados Unidos, Donald Trump teria telefonado ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir a revisão da punição aplicada ao jogador. Pela regra, Balogun deveria cumprir suspensão automática de uma partida.

No entanto, a Comissão Disciplinar da Fifa decidiu autorizar a participação do atacante no confronto contra a Bélgica. Embora os norte-americanos tenham sido derrotados por 4 a 1, a decisão gerou forte reação de dirigentes, especialistas e torcedores, que acusam a entidade de ter cedido à pressão política.

A repercussão negativa atingiu diretamente a imagem da Fifa e alimentou críticas à gestão de Infantino, cuja permanência no comando da entidade passou a ser questionada por setores do futebol internacional.

Ataques racistas a Mbappé provocam reação internacional

Outro episódio ganhou dimensões ainda maiores ao envolver acusações de racismo contra a senadora paraguaia Celeste Amarilla.

Após a eliminação do Paraguai para a França nas oitavas de final, por 1 a 0, a parlamentar publicou mensagens ofensivas nas redes sociais dirigidas a Kylian Mbappé. O atacante francês teria se recusado a cumprimentar o goleiro paraguaio após a partida, marcada por provocações e hostilidades em campo.

Entre as publicações, Amarilla escreveu que Mbappé seria um “camaronês colonizado que finge ser francês, ressentido, novo-rico, prepotente e feio”. Em outra mensagem, afirmou que a seleção paraguaia deveria ter “dado um tapa de mão aberta” no jogador ao término da partida.

A senadora também publicou uma mensagem ainda mais agressiva, na qual comparou o atacante a chimpanzés e o insultou de forma racista.

As declarações provocaram uma onda de indignação dentro e fora do mundo do futebol. A Federação Francesa classificou as mensagens como “abjetas e inaceitáveis”, manifestou solidariedade a Mbappé e a todos os jogadores atingidos, além de denunciar o caso às autoridades francesas.

A Justiça da França abriu uma investigação por injúria pública e por incitação pública ao ódio e à violência. Organizações internacionais, incluindo representantes das Nações Unidas, também condenaram os ataques.

Em entrevista concedida nesta terça-feira (7), Celeste Amarilla afirmou ter removido as publicações e alegou ter enviado uma carta a Mbappé. Segundo a senadora, o objetivo era alertar o jogador para que não subestimasse o Paraguai.

Mesmo assim, ela se recusou a pedir desculpas. A parlamentar declarou ainda que estuda processar Mbappé por violência de gênero após o atacante ter se referido a ela, em mensagem divulgada nas redes sociais, como uma “mulher desprezível e indigna da função que ocupa”.





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