Espanha x Argentina: duelo simboliza legado do futebol espanhol


Scaloni e De la Fuente, os pontos em comum dos finalistas da Copa do Mundo

O domínio do futebol espanhol na Copa do Mundo vai muito além da presença da Espanha na decisão no MetLife Stadium. A influência da escola hispânica aparece nos dois lados da final: no estilo de jogo, na formação dos treinadores e na quantidade de jogadores que atuam em La Liga. A presença de Luis de la Fuente e Lionel Scaloni, além do protagonismo dos atletas do Campeonato Espanhol, reforça a força das raízes espanholas no futebol mundial.

Para entender essa conexão, é preciso voltar à trajetória construída pelo treinador argentino e sua relação com o país que ajudou a moldar sua visão sobre o jogo.

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A ligação de Scaloni com o futebol espanhol

Antes de se tornar treinador, Lionel Scaloni construiu uma longa história dentro do futebol espanhol. Como jogador, o argentino passou quase uma década no país, onde defendeu Deportivo La Coruña, Racing de Santander e Mallorca.

A chegada à Espanha aconteceu em dezembro de 1997, quando o lateral foi contratado pelo La Coruña junto ao Estudiantes. Pelo clube, viveu o período mais marcante de sua carreira como atleta, conquistando títulos e se tornando parte de uma geração histórica do futebol espanhol.

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Depois de encerrar a carreira como jogador em 2015, Scaloni iniciou o caminho para se tornar treinador, novamente com uma forte ligação com a Espanha. O atual comandante da Argentina realizou seus cursos de formação na Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), em Las Rozas, Madri, onde teve Luis de la Fuente como um dos instrutores durante a preparação para obter suas licenças, em 2017.

A conexão com o país também ultrapassa o futebol. Scaloni é casado com Elisa Montero, espanhola que conheceu em 2008, seus filhos nasceram na Espanha e a família mantém residência em Maiorca.

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Durante a Eurocopa de 2024, o treinador argentino revelou publicamente sua torcida pela Espanha, reforçando o vínculo construído ao longo dos anos.

“Parte da minha família é espanhola e, naturalmente, estou torcendo pela Espanha”, afirmou Scaloni durante o torneio.

Se a Argentina chega à decisão com um treinador profundamente ligado ao futebol espanhol, a Espanha tem no banco justamente um representante da essência de sua própria escola.

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De La Fuente e a identidade da Espanha

Luis de la Fuente representa a continuidade de um modelo que transformou o futebol espanhol nas últimas décadas. O treinador de 65 anos construiu sua trajetória nas categorias de base da seleção e assumiu o comando da equipe sub-19 em 2013.

A partir dali, passou a acompanhar o desenvolvimento de uma geração de jogadores que hoje forma a base da seleção principal. O trabalho de formação o levou ao cargo de treinador da equipe principal no fim de 2022, justamente no início do ciclo que culminaria na Copa do Mundo de 2026.

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Sob seu comando, a Espanha manteve características históricas do futebol do país: controle da posse, circulação rápida da bola e busca constante pelo domínio territorial. Na campanha até a final, a equipe sofreu apenas um gol em sete partidas e chega à decisão como uma das seleções mais consistentes do torneio.

Agora, De La Fuente reencontra um antigo aluno em uma final que simboliza a influência espanhola no futebol mundial.

O técnico da Argentina, Lionel Scaloni (esq.), e o técnico da Espanha, Luis de la Fuente, antes da final da Copa do Mundo de 2026 (Foto: Odd Andersen e Lluis Gene/AFP)

A força de La Liga representada nos jogadores da final

A decisão também marca um feito histórico relacionado aos clubes espanhóis. O Atlético de Madrid terá o maior número de jogadores de um mesmo clube em uma final de Copa do Mundo desde o início do torneio, há mais de 90 anos.

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Ao todo, dez atletas ligados ao clube estarão no MetLife Stadium, em Nova Jersey. A lista reúne cinco argentinos — Juan Musso, Nahuel Molina, Thiago Almada, Giuliano Simeone e Julián Álvarez — e quatro espanhóis — Marc Pubill, Alejandro Grimaldo, Marcos Llorente e Álex Baena — além de outros representantes ligados ao elenco colchonero.

O Barcelona aparece logo atrás como o segundo clube com mais jogadores envolvidos na decisão. São oito representantes: Joan García, Pau Cubarsí, Eric García, Pedri, Gavi, Dani Olmo, Lamine Yamal e Ferran Torres, todos convocados pela Espanha.

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A força do Campeonato Espanhol fica ainda mais evidente quando analisado o número total de atletas presentes na final. Dos 52 jogadores convocados por Argentina e Espanha, 24 atuam em La Liga, quase metade dos nomes disponíveis para a disputa do título.

A competição espanhola aparece com ampla vantagem sobre a Premier League, que terá 13 representantes na decisão.

  • LaLiga EA Sports 24
  • Premier League 13
  • Ligue 1 5
  • Serie A 2
  • Bundesliga 2
  • MLS 2
  • Liga Profissional Argentina 2
  • Primeira Liga 1
  • Brasileirão Série A 1

A posse de bola como ponto de encontro entre Espanha e Argentina

A identidade espanhola também aparece na forma como as duas seleções controlam as partidas. Argentina e Espanha lideram as estatísticas de passes realizados nesta Copa do Mundo: os argentinos somam 4.772 passes, enquanto os espanhóis têm 4.592.

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A diferença acontece porque a Espanha avançou até a final sem precisar de prorrogações, enquanto a Argentina disputou tempos extras contra Cabo Verde e Suíça, aumentando o número de ações ofensivas.

A equipe de De La Fuente leva a posse de bola como principal ferramenta para controlar os adversários. A Espanha troca passes para encontrar espaços e reduzir os riscos defensivos, estratégia que ajudou o time a sofrer apenas um gol no Mundial, diante da Bélgica.

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O domínio territorial também aparece no volume ofensivo. A seleção espanhola é uma das equipes que mais finalizou na competição, com 120 chutes, empatada com a França. A Argentina aparece logo atrás, com 113 finalizações.

Entre os jogadores com mais passes certos da Copa, a Espanha domina as primeiras posições:

  • Rodri — 694 passes (93% de precisão)
  • Aymeric Laporte — 568 passes (94% de precisão)
  • Pau Cubarsí — 566 passes (97% de precisão)

No setor ofensivo, o principal destaque espanhol é Mikel Oyarzabal. O atacante da Real Sociedad soma cinco gols no Mundial e lidera a artilharia da equipe.

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Argentina alia controle coletivo ao talento de Messi

Do outro lado, a atual campeã mundial também tem a posse de bola como característica, mas apresenta uma diferença fundamental: a capacidade de transformar o controle coletivo em jogadas individuais decisivas.

Lionel Messi é o principal símbolo desse modelo. O camisa 10 soma oito gols e quatro assistências no torneio e continua sendo o principal responsável por desequilibrar partidas para a Argentina.

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Apesar da dependência natural de seu maior talento, a equipe de Scaloni não se resume ao brilho individual do capitão. A Argentina também constrói suas jogadas por meio da circulação da bola e da participação dos seus meio-campistas.

Os jogadores argentinos com maior número de passes certos no Mundial são:

  • Leandro Paredes — 521 passes (95% de precisão)
  • Enzo Fernández — 483 passes (93% de precisão)

Com 19 gols marcados, a Argentina possui o melhor ataque da Copa do Mundo. Além de Messi, Lautaro Martínez aparece como principal goleador da equipe, com três gols.

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Mas analisar a campanha argentina apenas pelos números ofensivos seria insuficiente. A equipe de Scaloni construiu sua trajetória também pela capacidade de reação. Nas fases eliminatórias, conseguiu três viradas, mostrando uma característica que se tornou marca registrada da seleção: a resistência para permanecer competitiva mesmo em momentos adversos.

A Argentina pode até sair atrás no placar, mas mantém a capacidade de lutar até o último apito.

Com estilos semelhantes em alguns aspectos, mas com identidades próprias, Espanha e Argentina chegam à final da Copa do Mundo como representantes de escolas que valorizam o controle do jogo e a posse de bola. No domingo, às 16h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, uma dessas filosofias será coroada campeã mundial.

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